{"id":958,"date":"2024-04-10T19:53:27","date_gmt":"2024-04-10T19:53:27","guid":{"rendered":"https:\/\/akweno.ao\/ulitteragris\/?p=958"},"modified":"2024-04-21T20:08:49","modified_gmt":"2024-04-21T20:08:49","slug":"agris-poesia-a-palavra-poetica","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/akweno.ao\/ulitteragris\/2024\/04\/10\/agris-poesia-a-palavra-poetica\/","title":{"rendered":"AGRIS-POESIA. A PALAVRA PO\u00c9TICA"},"content":{"rendered":"<div class=\"wpb-content-wrapper\"><p>[vc_row][vc_column][vc_column_text]<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">1- \u00c9 indubit\u00e1vel que ningu\u00e9m parte do grau zero da escrita; que a posteridade est\u00e1 reservada para todos aqueles autores, que no seu tempo, a seu tempo, revolucionam a arte; e que o corpus liter\u00e1rio n\u00e3o \u00e9 uma estrutura compacta ou impenetr\u00e1vel, e sim um jogo eterno, no decorrer do qual, aqueles que n\u00e3o souberem jogar \u2013 acabam sendo substitu\u00eddos. Por esta raz\u00e3o, n\u00e3o podemos negar o novo; que cada gera\u00e7\u00e3o preencha o seu tempo com os seus manifestos, deixando qualquer coisa que revolucione o sistema semi\u00f3tico liter\u00e1rio.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nesta ordem de ideias, vimos apresentar, mais do que um simples manifesto \u2013 os princ\u00edpios est\u00e9ticos que norteiam as nossas actividades, enquanto movimento liter\u00e1rio \u2013 respeitando e aceitando as po\u00e9ticas vigentes.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Entendemos que um Movimento Liter\u00e1rio deve-se definir como uma associa\u00e7\u00e3o formada por autores, mais ou menos da mesma \u00e9poca que, compartilhando analogamente o mesmo conceito de humanidade e de arte, estabelecem uma ideo-est\u00e9tica comum. \u00c0 luz desse conceito, e reconhecendo que um Movimento move-se em torno de um MANIFESTO, arriscamo-nos a dizer, categoricamente, que na magma Institui\u00e7\u00e3o Literatura Angolana reconhecemos apenas a exist\u00eancia de tr\u00eas ou quatro Movimentos Liter\u00e1rios, <em>in strictu sensu<\/em>: O Movimento dos Novos Intelectuais de Angola (MNIA), o Ohandanji, o Kiximbula e o Movimento Litteragris.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Num primeiro plano, a arte liter\u00e1ria \u00e9, na nossa concep\u00e7\u00e3o, um fen\u00f3meno espont\u00e2neo, na medida em que nada \u00e9 planeado, sucedendo todos os eventos de forma natural e, no processo de cria\u00e7\u00e3o liter\u00e1ria, o sentimento afigura-se-nos atrav\u00e9s da intui\u00e7\u00e3o. A intui\u00e7\u00e3o \u00e9 o livre exerc\u00edcio da fantasia, \u00abforma prim\u00e1ria do conhecimento\u00bb \u2013 na <em>Est\u00e9tica<\/em> de Croce. A intui\u00e7\u00e3o \u00e9 a soma das experi\u00eancias despejadas inconscientemente, sobre o papel: n\u00e3o antecipamos met\u00e1foras no momento da cria\u00e7\u00e3o, elas surgem naturalmente.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Num segundo plano, ap\u00f3s uma profunda leitura em torno do j\u00e1 escrito, caso haja efus\u00e3o l\u00edrica, faz-se imprescind\u00edvel melhorar aqueles aspectos que a intui\u00e7\u00e3o n\u00e3o soube controlar; tendo em conta, na devida medida, a linguagem que \u00e9 inerente \u00e0 arte liter\u00e1ria. E lembrar que n\u00e3o \u00e9 o verbo dif\u00edcil que faz a poesia fluir.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A arte po\u00e9tica \u00e9 mais um fen\u00f3meno irracional do que racional. Mesmo quando o poeta \u00e9 movido por um impulso confessional, a intui\u00e7\u00e3o faz-se sempre presente. Em contrapartida, no acto de cria\u00e7\u00e3o, o poeta n\u00e3o se pode abdicar totalmente da raz\u00e3o. As regras existem suspensas no subconsciente. Em vista disso, podemos afirmar que, no processo de cria\u00e7\u00e3o, se assiste a uma magistral combina\u00e7\u00e3o entre o inconsciente e o consciente.<\/p>\n<p>[\/vc_column_text][vc_column_text]<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">H\u00e1 os que privilegiam o inconsciente, e produzem posteridades textuais (estes s\u00e3o os g\u00e9nios); h\u00e1, todavia, aqueles que privilegiam a totalidade do consciente (s\u00e3o, apenas, homens inteligentes, procurando, de alguma forma, eternizar-se).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Que fique bem claro que n\u00e3o negamos a participa\u00e7\u00e3o, ainda que \u00ednfima, do papel do consciente no processo de cria\u00e7\u00e3o. E, como amostra dessa m\u00e1gica combina\u00e7\u00e3o, aduzimos-vos os seguintes metatextos:<\/p>\n<p>[\/vc_column_text][vc_message message_box_color=&#8221;white&#8221; icon_type=&#8221;entypo&#8221; icon_entypo=&#8221;entypo-icon entypo-icon-quote&#8221; css=&#8221;.vc_custom_1712784035135{margin-left: 70px !important;}&#8221;]<\/p>\n<h6><strong>quebrada pela sublima\u00e7\u00e3o d\u00e8ntrega<\/strong><br \/>\n<strong>alucinada na procura extasiada da morte<\/strong><br \/>\n<strong>na redond\u00edssima e apaziguadora mat\u00e9ria do sonho<\/strong><\/h6>\n<p style=\"text-align: right;\"><strong>\u00abC\u00edntya Eliane\u00bb<\/strong><\/p>\n<p>[\/vc_message][vc_message message_box_color=&#8221;white&#8221; icon_type=&#8221;entypo&#8221; icon_entypo=&#8221;entypo-icon entypo-icon-quote&#8221; css=&#8221;.vc_custom_1712784108667{margin-left: 70px !important;}&#8221;]<\/p>\n<h6><strong>Hipnose nocturna<\/strong><br \/>\n<strong>intuitiva marcha do belo na capela da raz\u00e3o<\/strong><\/h6>\n<p style=\"text-align: right;\"><strong>\u00abErnesto Daniel\u00bb<\/strong><\/p>\n<p>[\/vc_message][vc_column_text]<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0 \u00a0 \u00a0A historiografia liter\u00e1ria angolana revela-nos que tr\u00eas correntes liter\u00e1rias impregnaram-se como que raiz na Literatura Angolana. O romantismo, cultivado pelos poetas novecentistas, tais como: Jos\u00e9 Maia da Silva Ferreira e Cordeiro da Mata; o neo-realismo, cultivado por poetas panflet\u00e1rios, a saber: Viriato da Cruz, Agostinho Neto, Ant\u00f3nio Jacinto, Alexandre D\u00e1skalos; o simbolismo, iniciado em meados da d\u00e9cada de 60 por poetas como Rui Duarte de Carvalho, David Mestre, Jorge Macedo e seus s\u00edmiles, adoptado como corrente primeira pelos poetas do p\u00f3s-independ\u00eancia, como: Jos\u00e9 Lu\u00eds Mendon\u00e7a, Eduardo Bonavena, Jo\u00e3o Maiamona, Jo\u00e3o Tala, Lopito Feij\u00f3, entre outros. Desta din\u00e2mica natural de renova\u00e7\u00e3o e restrutura\u00e7\u00e3o do sistema liter\u00e1rio, respeitando e reconhecendo potenciais valores em cada poeta destas gera\u00e7\u00f5es, saltando iconoclasticamente os muros da timidez, uma vez que desde a d\u00e9cada de 90 n\u00e3o se fala de altera\u00e7\u00f5es significativas na Literatura Angolana, propomos uma po\u00e9tica <em>suis generis <\/em>(?).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0 \u00a0 \u00a0A nossa po\u00e9tica insere-se num contexto de \u00abpura vanguarda\u00bb (?), pese, embora receba, como que soluto no solvente, influ\u00eancias do surrealismo e de outras correntes liter\u00e1rias. Assump\u00e7\u00e3o vanguardista espelhada nos seguintes textos:<\/p>\n<p>[\/vc_column_text][vc_message message_box_color=&#8221;white&#8221; icon_type=&#8221;entypo&#8221; icon_entypo=&#8221;entypo-icon entypo-icon-quote&#8221; css=&#8221;.vc_custom_1712784190140{margin-left: 70px !important;}&#8221;]<\/p>\n<h6><strong>Sobre uma jornada tra\u00e7ada<\/strong><br \/>\n<strong>(re)invent\u00e1mos us kam\u00ednhus<\/strong><\/h6>\n<p style=\"text-align: right;\"><strong>\u00abH\u00e9lder Simbad\u00bb<\/strong><\/p>\n<p>[\/vc_message][vc_message message_box_color=&#8221;white&#8221; icon_type=&#8221;entypo&#8221; icon_entypo=&#8221;entypo-icon entypo-icon-quote&#8221; css=&#8221;.vc_custom_1712784248880{margin-left: 70px !important;}&#8221;]<\/p>\n<h6><strong>Vejo ainda uma par\u00e1bola<\/strong><br \/>\n<strong>numa met\u00e1fora<\/strong><br \/>\n<strong>O c\u00e1gado j\u00e1 n\u00e3o representa sabedoria<\/strong><\/h6>\n<p style=\"text-align: right;\"><strong>\u00abH\u00e9lder Kalewa\u00bb<\/strong><\/p>\n<p>[\/vc_message][vc_message message_box_color=&#8221;white&#8221; icon_type=&#8221;entypo&#8221; icon_entypo=&#8221;entypo-icon entypo-icon-quote&#8221; css=&#8221;.vc_custom_1712784309351{margin-left: 70px !important;}&#8221;]<\/p>\n<h6><strong>Um olhar estr\u00e1bico <\/strong><br \/>\n<strong>Sobre o passado que se pensou eterno<\/strong><\/h6>\n<p style=\"text-align: right;\"><strong>\u00abLuther Kikulo\u00bb<\/strong><\/p>\n<p>[\/vc_message][vc_column_text]<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0 \u00a0 \u00a02- A linguagem po\u00e9tica \u00e9, indubitavelmente, uma forma de comunica\u00e7\u00e3o ultra-humana, em que o poeta \u00e9, superiormente, administrado por <em>Ish<\/em> (voz interior), no seu macro e espont\u00e2neo exerc\u00edcio de cria\u00e7\u00e3o. Para a maioria dos linguistas, \u00abpoesia\u00bb deriva do Grego, <em>Poesis<\/em>, que significa criar. Criar no sentido de imaginar. Uma outra minoria, dentre estes, os <em>Agriscultores<\/em>, arranca a sua g\u00e9nese no fen\u00edcio <em>Phohe<\/em> (voz, linguagem) e <em>Ish<\/em> (ser supremo), o que \u00ablhe confere a express\u00e3o do car\u00e1cter do divino\u00bb.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0 \u00a0 \u00a0A poesia \u00e9 uma sacro-locu\u00e7\u00e3o e A. S. Greimas vai concordar connosco ao estabelecer uma rela\u00e7\u00e3o de simetria entre o discurso po\u00e9tico e o b\u00edblico, chegando mesmo a conclus\u00e3o de que ambos s\u00e3o discursos sagrados, respondendo, assim, o \u00abaxioma\u00bb de que a poesia deriva, espiritualmente, de \u00abphohe\u00bb \u00abe Ish\u00bb \u2013 linguagem de um ser supremo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0 \u00a0 \u00a03- Contra todas as formas de aprisionamento (poesia de forma fixa, rima e outras categorias nefastas), assumimos o verso livre: posto em pr\u00e1tica, pela primeira vez, em 1855, numa obra publicada pelo poeta norte-americano Walt Whitman, a qual intitula <em>Leaves of Grass<\/em>, \u00abFolhas de Erva\u00bb, em portugu\u00eas. Por\u00e9m ganharia maior protagonismo e fundamenta\u00e7\u00e3o te\u00f3rica com Gustave Kahn que, com Jules Laforgue, Emeile Verhaeren e tantos outros \u2013 constitu\u00edram o Simbolismo Franc\u00eas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0 \u00a0 \u00a0Pese, embora exiba o simbolismo gr\u00e1fico das linhas formadoras dos versos e da sua reuni\u00e3o em estrofes, o verso livre n\u00e3o se submete a qualquer esquema, regendo-se automaticamente pelo princ\u00edpio da heterometria. De acordo com o que afirma Gustave Kahn, o principal teorizador do versilibrismo, \u00aba estrofe n\u00e3o deve ter um desenho pr\u00e9-estabelecido, mas condicionada pelo pensamento ou pelo sentimento\u00bb. Apoiando-nos nesta teoria, dogmatizamos que, na nossa poesia, cada estrofe corresponde a uma ideia, como se de um par\u00e1grafo se tratasse, salvo espor\u00e1dicas excep\u00e7\u00f5es estil\u00edsticas, de um ou de outro poeta, por for\u00e7a do car\u00e1cter instintivo do estilo que defendemos. A rima, o metro e outras formas mec\u00e2nicas de se fazer poesia, seriam banidas \u2013 a nosso ver \u2013 pois, a arte n\u00e3o \u00e9, essencialmente, um exerc\u00edcio de arb\u00edtrio. Todas as formas po\u00e9ticas fixas constituem um atentado \u00e0 arte, funcionando como que gaiolas, na medida em que elas, com for\u00e7a de lei, demarcam o impulso criativo, impedindo o artista a ir al\u00e9m das infinitas possibilidades que tem de criar mundos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0 \u00a0 4- H\u00e1 todo um conjunto de equ\u00edvocos que se colocam entorno do t\u00edtulo e do tema. Duas palavras similares, mas n\u00e3o iguais. O tema \u00e9 a ideia mais importante que um texto cont\u00e9m, ao passo que o t\u00edtulo \u00e9 um nome identificativo que se coloca, geralmente, no princ\u00edpio de um texto. Atribuir um t\u00edtulo \u00e0s composi\u00e7\u00f5es liter\u00e1rias tornou-se uma pr\u00e1tica comum no Renascimento. Os sofr\u00edveis, no seu exacerbado uso da raz\u00e3o, produzem o poema em fun\u00e7\u00e3o do t\u00edtulo, como se de uma m\u00e1xima se tratasse. Na <em>agrist\u00e9tica<\/em>, o t\u00edtulo aparece como o \u00faltimo elemento do poema, por vezes, ganhando for\u00e7a de tema, resultante de uma \u00faltima reflex\u00e3o em torno do j\u00e1 escrito, e noutros casos, como uma esp\u00e9cie de conclus\u00e3o. Se procuramos buscar o impulso criativo atrav\u00e9s do acaso e do fluxo das experi\u00eancias, instintivamente, despejadas sobre a obra, n\u00e3o encontramos nenhuma raz\u00e3o de o t\u00edtulo ser o primeiro elemento da estrutura textual. A estrutura do texto \u00e9 determinada instintivamente pelo pensamento e n\u00e3o por crit\u00e9rios pr\u00e9-estabelecidos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0 \u00a0 \u00a05- No quadro das possibilidades infinitas de transgress\u00f5es, especificamente na arte de grafar correctamente as palavras (ortografia), optamos pelo n\u00e3o uso do ap\u00f3strofo, na medida em que o seu desaparecimento n\u00e3o deturpa a natureza f\u00f3nica da palavra, em casos de s\u00edncope (supress\u00e3o de um elemento no meio da palavra \u2013 pra). Alargamos tamb\u00e9m o uso do acento grave, propondo a crase induzida (contrac\u00e7\u00e3o de duas vogais id\u00eanticas que n\u00e3o formam ditongo \u2013 d\u00e0lma) como um dos poss\u00edveis processos de economia da palavra a favor da est\u00e9tica da sugest\u00e3o. No \u00e2mbito das invers\u00f5es estil\u00edsticas, a posi\u00e7\u00e3o dos adjectivos depende das possibilidades sem\u00e2nticas que estes podem encerrar e da riqueza sonora que os mesmos podem proporcionar, visto que estamos numa \u00e9poca do poeta-declamador.<\/p>\n<p>[\/vc_column_text][\/vc_column][\/vc_row][vc_row][vc_column][vc_column_text]<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0 \u00a0 \u00a06- O poeta no seu macro-instintivo exerc\u00edcio de cria\u00e7\u00e3o pode contemplar um momento actual, pode reviver por instante um facto antigo, e pode ainda, divinalmente, antecipar o futuro.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0 \u00a0 \u00a0Na nossa poesia, h\u00e1 uma abordagem profunda \u00e0 realidade imagin\u00e1ria, ao social pol\u00edtico e afectivo, sofrido, sentido e observado por n\u00f3s, jovens sublevados em todos os aspectos poss\u00edveis da vida humana. O que pressup\u00f5e haver uma multiplicidade de temas, apesar de ocorrer com maior incid\u00eancia, quest\u00f5es que transponham a realidade conhecida com olhos de humanidade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0 \u00a0 \u00a0Reside, na nossa po\u00e9tica, uma inquietude filos\u00f3fica, existencial e metaf\u00edsica, que nos leva a produzir, preferencialmente, uma poesia m\u00edstico-filos\u00f3fica e social, que se consubstancia na busca permanente pelo homem, bem como na sua problem\u00e1tica rela\u00e7\u00e3o com o outro (poder) e nas constantes indaga\u00e7\u00f5es em torno da origem, o que nos leva a ir mais al\u00e9m do concreto, mais al\u00e9m do palp\u00e1vel, para escrevermos as impercept\u00edveis armaduras do inexplic\u00e1vel.<\/p>\n<p>[\/vc_column_text][vc_message message_box_color=&#8221;white&#8221; icon_type=&#8221;entypo&#8221; icon_entypo=&#8221;entypo-icon entypo-icon-quote&#8221; css=&#8221;.vc_custom_1712784472850{margin-left: 70px !important;}&#8221;]<\/p>\n<h6><strong>O meu maior desejo<\/strong><br \/>\n<strong>\u00e9 chegar a mim<\/strong><\/h6>\n<p style=\"text-align: right;\"><strong>\u00abMabanza\u00a0 Kambaka\u00bb<\/strong><\/p>\n<p>[\/vc_message][vc_message message_box_color=&#8221;white&#8221; icon_type=&#8221;entypo&#8221; icon_entypo=&#8221;entypo-icon entypo-icon-quote&#8221; css=&#8221;.vc_custom_1712784517696{margin-left: 70px !important;}&#8221;]<\/p>\n<h6><strong>\u2026 o pecado inocentava <\/strong><br \/>\n<strong>a imperfei\u00e7\u00e3o de deus<\/strong><\/h6>\n<p style=\"text-align: right;\"><strong>\u00abGabriel Rosa\u00bb<\/strong><\/p>\n<p>[\/vc_message][vc_message message_box_color=&#8221;white&#8221; icon_type=&#8221;entypo&#8221; icon_entypo=&#8221;entypo-icon entypo-icon-quote&#8221; css=&#8221;.vc_custom_1712784560926{margin-left: 70px !important;}&#8221;]<\/p>\n<h6><strong>Cada viagem que fa\u00e7o <\/strong><br \/>\n<strong>torna-me um passageiro do mundo<\/strong><\/h6>\n<p style=\"text-align: right;\"><strong>\u00abWaxyakulu\u00bb<\/strong><\/p>\n<p>[\/vc_message][vc_column_text]<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0 \u00a0 \u00a0O erotismo \u00e9, indubitavelmente, um dos melhores espa\u00e7os de contempla\u00e7\u00e3o do belo. O amor apresenta-se como o principal motor da transcend\u00eancia er\u00f3tica. Os poetas constroem actos amorosos, buscando o ins\u00f3lito nas palavras.<\/p>\n<p>[\/vc_column_text][vc_message message_box_color=&#8221;white&#8221; icon_type=&#8221;entypo&#8221; icon_entypo=&#8221;entypo-icon entypo-icon-quote&#8221; css=&#8221;.vc_custom_1712784604782{margin-left: 70px !important;}&#8221;]<\/p>\n<h6><strong>Em teu corpo descal\u00e7o os dedos <\/strong><br \/>\n<strong>Um suco do pomar toca a ponta da tua carne<\/strong><\/h6>\n<p style=\"text-align: right;\"><strong>\u00abKwononoka\u00bb<\/strong><\/p>\n<p>[\/vc_message][\/vc_column][\/vc_row][vc_row][vc_column][vc_column_text]<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0 \u00a0 \u00a0Pese, embora, de um ponto de vista tem\u00e1tico, optemos, preferencialmente, por temas de car\u00e1cter m\u00edstico-filos\u00f3fico, entendemos, por um lado, que o poeta n\u00e3o se pode alhear completamente da realidade que o circunda; e, por outro, deve, com a arte, evitando ataques directos, denunciar situa\u00e7\u00f5es de injusti\u00e7as e outros v\u00edcios, utilizando procedimentos de ret\u00f3ricas adequados.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0 \u00a0 Contrapondo os ideais de te\u00f3ricos com orienta\u00e7\u00e3o \u00abrom\u00e2ntica\u00bb, que levam o poeta a assumir uma \u00fanica p\u00e1tria, entendemos n\u00f3s que o sujeito poeta n\u00e3o tem uma p\u00e1tria definida. Num instante, pode ser daqui, noutro, de acol\u00e1, e, no mesmo instante, tanto pode ser daqui como de acol\u00e1. O sujeito poeta, n\u00e3o tendo uma ideologia pol\u00edtica, tem a sua pr\u00f3pria ideologia e faz a sua pr\u00f3pria pol\u00edtica. O sujeito poeta n\u00e3o tendo uma, \u00e9 a sua pr\u00f3pria religi\u00e3o. O sujeito poeta liberta-se de tudo em prol da poesia.<\/p>\n<p>[\/vc_column_text][vc_message message_box_color=&#8221;white&#8221; icon_type=&#8221;entypo&#8221; icon_entypo=&#8221;entypo-icon entypo-icon-quote&#8221; css=&#8221;.vc_custom_1712783028743{margin-left: 70px !important;}&#8221;]<\/p>\n<h6><strong>Um p\u00e9 no alto<\/strong><br \/>\n<strong>Outro no baixo<\/strong><br \/>\n<strong>No igual caminho<\/strong><br \/>\n<strong>Caminham desiguais<\/strong><\/h6>\n<p style=\"text-align: right;\"><strong>\u00abAgostinho Gon\u00e7alves\u00bb<\/strong><\/p>\n<p>[\/vc_message][vc_message message_box_color=&#8221;white&#8221; icon_type=&#8221;entypo&#8221; icon_entypo=&#8221;entypo-icon entypo-icon-quote&#8221; css=&#8221;.vc_custom_1712783499213{margin-left: 70px !important;}&#8221;]<\/p>\n<h6><strong>Do deus que pro\u00edbe criar e transcender<\/strong><br \/>\n<strong>Sob a trombeta da exist\u00eancia<\/strong><\/h6>\n<p style=\"text-align: right;\"><strong>\u00abGabriel Rosa\u00bb<\/strong><\/p>\n<p>[\/vc_message][vc_message message_box_color=&#8221;white&#8221; icon_type=&#8221;entypo&#8221; icon_entypo=&#8221;entypo-icon entypo-icon-quote&#8221; css=&#8221;.vc_custom_1712783560663{margin-left: 70px !important;}&#8221;]<\/p>\n<h6><strong>Possivelmente eu viva em esta terra <\/strong><br \/>\n<strong>mas n\u00e3o sou s\u00f3 desta terra <\/strong><br \/>\n<strong>estou aqui<\/strong><br \/>\n<strong>estou ali <\/strong><br \/>\n<strong>estou tamb\u00e9m al\u00e9m de mim<\/strong><\/h6>\n<p style=\"text-align: right;\"><strong>\u00abMabanza Kambaka\u00bb<\/strong><\/p>\n<p>[\/vc_message][vc_column_text]<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0 \u00a0 Todos os caminhos j\u00e1 foram trilhados por outros p\u00e9s, n\u00e3o pelos nossos. Cabe-se-nos abrir um novo caminho, nos caminhos j\u00e1 trilhados, sem perder de vista os procedimentos utilizados e, sobre esses, atarmos os nossos p\u00e9s e come\u00e7ar uma nova jornada.<\/p>\n<p>[\/vc_column_text][vc_message message_box_color=&#8221;white&#8221; icon_type=&#8221;entypo&#8221; icon_entypo=&#8221;entypo-icon entypo-icon-quote&#8221; css=&#8221;.vc_custom_1712783625614{margin-left: 70px !important;}&#8221;]<\/p>\n<h6><strong>S\u00f3 as ondas sonoras\u00a0<\/strong><br \/>\n<strong>A percorrerem a mesma traject\u00f3ria desordenada<\/strong><br \/>\n<strong>Ent\u00e3o renego<\/strong><\/h6>\n<p style=\"text-align: right;\"><strong>\u00abWaxyakulu\u00bb<\/strong><\/p>\n<p>[\/vc_message][\/vc_column][\/vc_row][vc_row][vc_column][vc_column_text]<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0 \u00a0 \u00a0Aos fil\u00f3sofos padroeiros da teoria absurda que define o homem como um organismo que nasce para a morte e que o sentido da vida \u00e9 prepararmo-nos para a morte, n\u00e3o encontrar\u00e3o espa\u00e7o nestes metatextos, pois, os <em>agriscultores<\/em> t\u00eam os seus olhos como que holofotes centrados na posteridade, respondendo, assim, ao ad\u00e1gio de Konde de Buffon, em detrimento do pessimismo axiom\u00e1tico desses fil\u00f3sofos: E, na busca incessante da imortalidade, com todo esmero que se nos exige, uma imortalidade que s\u00f3 ser\u00e1 poss\u00edvel atrav\u00e9s de infinitas transgress\u00f5es a n\u00edvel dos escritos, permitam-nos aduzir estes metatextos.<\/p>\n<p>[\/vc_column_text][vc_message message_box_color=&#8221;white&#8221; icon_type=&#8221;entypo&#8221; icon_entypo=&#8221;entypo-icon entypo-icon-quote&#8221; css=&#8221;.vc_custom_1712784878753{margin-left: 70px !important;}&#8221;]<\/p>\n<h6><strong>A vida \u00e9 uma escada de transgress\u00f5es <\/strong><br \/>\n<strong>ningu\u00e9m passar\u00e1 a posteridade <\/strong><br \/>\n<strong>com versos mortais <\/strong><\/h6>\n<p style=\"text-align: right;\"><strong>\u00abAzwie Van-D\u00fanem\u00bb<\/strong><\/p>\n<p>[\/vc_message][vc_column_text]<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0 \u00a0 \u00a0Aos jovens poetas patronos do naturalismo, da poesia simples, aquela que se esgota facilmente na primeira leitura, uma poesia na esfera da linguagem corrente, quando, na verdade, a poesia \u00e9 a linguagem do mist\u00e9rio, encontrar\u00e3o a sua maior objec\u00e7\u00e3o no poema \u00abverbos do belo\u00bb.<\/p>\n<p>[\/vc_column_text][vc_message message_box_color=&#8221;white&#8221; icon_type=&#8221;entypo&#8221; icon_entypo=&#8221;entypo-icon entypo-icon-quote&#8221; css=&#8221;.vc_custom_1712784988676{margin-left: 70px !important;}&#8221;]<\/p>\n<h6><strong>Data-se-me <\/strong><br \/>\n<strong>a inviolabilidade do belo <\/strong><br \/>\n<strong>lei primeira do saber cria\u00e7\u00e3o <\/strong><\/h6>\n<p style=\"text-align: right;\"><strong>\u00abMabanza Kambaca\u00bb<\/strong><\/p>\n<p>[\/vc_message][vc_column_text]<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0 \u00a0 \u00a0Durante muito tempo, coexistiu a crendice de que o poeta nasce e o prosador faz-se. Hoje, est\u00e1 provado que o poeta \u00e9 a escola. Estamos conscientes disto, sin\u00f3nimo de reconhecimento de que \u00e9 preciso passar por variad\u00edssimos caminhos para nunca chegar, pois, o poeta nunca chega ao poeta preconizado (?). O poeta \u00e9 uma obra em tenaz constru\u00e7\u00e3o, uma obra por se acabar, nasce um novo ser no nascer de um verso.<\/p>\n<p>[\/vc_column_text][vc_message message_box_color=&#8221;white&#8221; icon_type=&#8221;entypo&#8221; icon_entypo=&#8221;entypo-icon entypo-icon-quote&#8221; css=&#8221;.vc_custom_1712785167891{margin-left: 70px !important;}&#8221;]<\/p>\n<h6><strong>Todo um universo de seres <\/strong><br \/>\n<strong>por se acabar <\/strong><\/h6>\n<p style=\"text-align: right;\"><strong>\u00abFebo V\u00e3or\u00e9lio\u00bb<\/strong><\/p>\n<p>[\/vc_message][vc_column_text]<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0 \u00a0 \u00a0Mais do que simples jovens, somos fil\u00f3sofos e poetas, e fazemos da reflex\u00e3o e a l\u00f3gica, que se nos afigura, a subven\u00e7\u00e3o do nosso fazer poesia, atrav\u00e9s de constantes di\u00e1logos com o eu l\u00edrico, na busca dos fins \u00faltimos das causas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0 \u00a0 \u00a0Os poetas, ao constru\u00edrem hipermercados de possibilidades, s\u00e3o como que pequenos e\/ou grandes Deuses. Sentimos <strong><em>Ish<\/em><\/strong> na alma e voc\u00e1bulos passam a ser ve\u00edculos que nos transportam para a inteligibilidade, ali, al\u00e9m do metaf\u00edsico.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0 \u00a0 7- Em virtude de tudo que foi dito, queremos reafirmar o car\u00e1cter instintivo da \u00abnossa arte\u00bb e afastar qualquer ideia positivista em torno dela. Que a intui\u00e7\u00e3o n\u00e3o seja um subterf\u00fagio para textos pouco conseguidos, porquanto, \u00e9 essencialmente a palavra transfigurada que faz da Literatura uma arte e, no nosso processo de cria\u00e7\u00e3o, apresentamos uma gramaticalidade pr\u00f3pria. \u00c9 importante frisarmos que n\u00e3o queremos, com isto, p\u00f4r em causa, deliberadamente, a normalidade das conven\u00e7\u00f5es num mero acto de vanguarda. Assim, a Agrist\u00e9tica: Cabe\u00e7a na lua; p\u00e9s na terra.<\/p>\n<p>[\/vc_column_text][vc_column_text]<\/p>\n<p style=\"text-align: right;\">Luanda, 2015<\/p>\n<p>[\/vc_column_text][\/vc_column][\/vc_row]<\/p>\n<\/div>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u00c9 indubit\u00e1vel que ningu\u00e9m parte do grau zero da escrita; que a posteridade est\u00e1 reservada para todos aqueles autores, que no seu tempo, a seu tempo, revolucionam a arte; e que o corpus liter\u00e1rio n\u00e3o \u00e9 uma estrutura compacta ou impenetr\u00e1vel, e sim um jogo eterno, no decorrer do qual, aqueles que n\u00e3o souberem jogar \u2013 acabam sendo substitu\u00eddos. <\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"_themeisle_gutenberg_block_has_review":false,"footnotes":""},"categories":[42],"tags":[38],"ppma_author":[35],"class_list":["post-958","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-outros","tag-manifestos","author-hsimbad"],"acf":[],"authors":[{"term_id":35,"user_id":0,"is_guest":1,"slug":"hsimbad","display_name":"H\u00e9lder Simbad","avatar_url":{"url":"https:\/\/akweno.ao\/ulitteragris\/wp-content\/uploads\/2024\/03\/simbad_membros.png","url2x":"https:\/\/akweno.ao\/ulitteragris\/wp-content\/uploads\/2024\/03\/simbad_membros.png"},"author_category":"","first_name":"H\u00e9lder","last_name":"Simbad","user_url":"","first_name_2":"","last_name_2":"","job_title":"","description":""}],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/akweno.ao\/ulitteragris\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/958","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/akweno.ao\/ulitteragris\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/akweno.ao\/ulitteragris\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/akweno.ao\/ulitteragris\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/akweno.ao\/ulitteragris\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=958"}],"version-history":[{"count":47,"href":"https:\/\/akweno.ao\/ulitteragris\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/958\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":1029,"href":"https:\/\/akweno.ao\/ulitteragris\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/958\/revisions\/1029"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/akweno.ao\/ulitteragris\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=958"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/akweno.ao\/ulitteragris\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=958"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/akweno.ao\/ulitteragris\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=958"},{"taxonomy":"author","embeddable":true,"href":"https:\/\/akweno.ao\/ulitteragris\/wp-json\/wp\/v2\/ppma_author?post=958"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}