{"id":1343,"date":"2024-04-29T22:23:17","date_gmt":"2024-04-29T22:23:17","guid":{"rendered":"https:\/\/akweno.ao\/ulitteragris\/?p=1343"},"modified":"2024-04-29T22:34:49","modified_gmt":"2024-04-29T22:34:49","slug":"realismo-animista-prosa","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/akweno.ao\/ulitteragris\/2024\/04\/29\/realismo-animista-prosa\/","title":{"rendered":"Realismo Animista (Prosa)"},"content":{"rendered":"<div class=\"wpb-content-wrapper\"><p>[vc_row][vc_column][vc_column_text]<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O animismo \u00e9 uma corrente e uma forma de estar que representa a Filosofia Africana, entendendo-se por Filosofia como <em>uma forma de estar na vida<\/em>. A discuss\u00e3o sobre esta corrente na literatura remonta mais de tr\u00eas d\u00e9cadas, mas \u00e9 no \u00e2mbito da decolonialidade, a t\u00f3nica do presente, que se mais fala sobre o assunto. Por decolonialidade entende-se, de acordo com Oliveira &amp;Lucin (2021), o \u201ctermo que emergiu da necessidade de ir al\u00e9m da ideia de que a coloniza\u00e7\u00e3o foi um evento acabado, pois entende-se que este foi um processo que teve\/tem continuidade, mesmo tendo adquirido outras formas\u201d. (p.98)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em reac\u00e7\u00e3o a essas outras formas de domina\u00e7\u00e3o, muitos escritores, te\u00f3ricos e cr\u00edticos inscrevem-se numa esp\u00e9cie de vanguarda que se concretiza por via daquilo que Mignolo (2009) designou por \u201cdesobedi\u00eancia espist\u00e9mica\u201d em seu artigo \u201cDesobedi\u00eancia Epist\u00e9mica, Pensamento Independente e Liberdade Decolonial\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mignolo (2009) define o cen\u00e1rio cient\u00edfico em termos de geopol\u00edtica e corpo-pol\u00edtica para chegar \u00e0 no\u00e7\u00e3o de conhecimentos situados. Coloca uma s\u00e9rie de quest\u00f5es que mais parecem interroga\u00e7\u00f5es ret\u00f3ricas, visando levar \u00e0 reflex\u00e3o quem o procura perceber, a partir do lugar em que ele se quer situar: desobedi\u00eancia epist\u00e9mica, que \u201csignifica desvincular-se da ilus\u00e3o da epistemologia do ponto zero\u201d (p.26). De acordo com o autor, \u00e9 preciso conhecer a origem da pessoa, o contexto de fala e o porqu\u00ea da abordagem e questionar a universalidade do conhecimento.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify; padding-left: 280px;\">Certamente, todos os conhecimentos s\u00e3o situados e cada conhecimento \u00e9 constru\u00eddo. Mas isso \u00e9 apenas o come\u00e7o. A quest\u00e3o \u00e9: quem, quando, por que est\u00e1 construindo conhecimentos (Mignolo, 1999; 2005 [1995])? Por que a epistemologia eurocentrada escondeu suas pr\u00f3prias localiza\u00e7\u00f5es geo-hist\u00f3ricas e biogr\u00e1ficas e conseguiu criar a ideia de conhecimento universal, como se os sujeitos conhecedores tamb\u00e9m fossem universais? Essa ilus\u00e3o \u00e9 difundida hoje nas ci\u00eancias sociais, humanidades, ci\u00eancias naturais e escolas profissionais. (Mignolo, 2009, p.26)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Claramente, estando n\u00f3s a nos mover teoricamente pelo Materialismo Filos\u00f3fico como um sistema de pensamento, assente conceptualmente em bases como o racionalismo, a cr\u00edtica, a dial\u00e9ctica, a ci\u00eancia e a <em>simploce<\/em>, tomamos essa perspectiva apenas como um interruptor, o qual accionamos em situa\u00e7\u00f5es as quais identificamos como ideologias e n\u00e3o como conceitos categoriais. O eurocentrismo \u00e9 uma atitude <em>acient\u00edfica<\/em> que deve ser analisada \u00e0 luz da ci\u00eancia. Em virtude disso, \u00e9 preciso dizer que, ao fazermos isso, n\u00e3o nos estamos a mover dentro de uma mentalidade afroc\u00eantrica, e sim cient\u00edfica. Existem conceitos t\u00e3o evidentes, que s\u00f3 nos referimos ao autor por quest\u00f5es metodol\u00f3gicas; outros, como, por exemplo, o de soneto como \u201ctexto em versos decass\u00edlabos distribu\u00eddos em duas quadras e dois tercetos\u201d; o conceito de narrador, personagem, narrat\u00e1rio, tempo, s\u00e3o predica\u00e7\u00f5es universais. Questiona-se um conceito se se verificar nele insufici\u00eancias para a compreens\u00e3o de um fen\u00f3meno, mas isto n\u00e3o \u00e9 desobedi\u00eancia epist\u00e9mica. \u00c9 fazer a ci\u00eancia funcionar no terreno, a tarefa de qualquer investigador.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 preciso ter a devida no\u00e7\u00e3o que a ideia de fic\u00e7\u00e3o n\u00e3o torna o texto in\u00fatil para a constru\u00e7\u00e3o do saber ou para resolu\u00e7\u00e3o de problemas pontuais. O texto liter\u00e1rio, em certos casos, pode configurar uma dimens\u00e3o <em>metatextual <\/em>dependendo da inten\u00e7\u00e3o filos\u00f3fica do seu autor. Dentro de um universo ficcional ou de um poema, por exemplo, pode-se postular teorias, como o fizeram autores como Fernando Pessoa, em <em>Autopsicografia<\/em>, e Carlos Drummond de Andrade, em <em>Procura da Poesia.<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O primeiro poeta fala, para al\u00e9m de conceituar <em>o poeta<\/em>, sobre o processo psicol\u00f3gico de cria\u00e7\u00e3o liter\u00e1ria, o acto de inspira\u00e7\u00e3o assim como a catarse aristot\u00e9lica, colocando foco, por fim, na intui\u00e7\u00e3o <em>crociana<\/em>; ao passo que o segundo apresenta as linhas mestras sobre o processo de constru\u00e7\u00e3o de textos po\u00e9ticos atrav\u00e9s da admoesta\u00e7\u00e3o de comandos de desencorajamento.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O conceito de catarse tem origem no fil\u00f3sofo grego Arist\u00f3teles, significando \u201ca purifica\u00e7\u00e3o das almas\u201d, ocorre em virtude de uma descarga de sentimentos e emo\u00e7\u00f5es, provocada sobretudo, lendo a sua <em>Po\u00e9tica,<\/em> pela visualiza\u00e7\u00e3o de obras teatrais: trag\u00e9dias ou dramas. A \u201cintui\u00e7\u00e3o do sentimento\u201d \u00e9 a defini\u00e7\u00e3o de arte pelo fil\u00f3sofo italiano Benedetto Croce (como citado em Eco, 2011, p.13), na sua filosofia idealista e \u201cquando estamos absortos na intui\u00e7\u00e3o de uma grande obra de arte, n\u00e3o sentimos uma separa\u00e7\u00e3o entre os mundos subjectivo e objectivo\u201d. (Cassirer, 1994, p.238)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Fernando Pessoa e Drummond de Andrade s\u00e3o aqui aludidos porque a nossa incurs\u00e3o sobre o realismo animista come\u00e7a com v\u00e1rios excertos extra\u00eddos do romance <em>Lueji: O Nascimento de um Imp\u00e9rio,<\/em> de Pepetala, publicado inicialmente na d\u00e9cada de oitenta do s\u00e9culo passado, no qual o autor sugere <em>metatextualmente<\/em>uma revisita\u00e7\u00e3o de uma Teoria da Literatura dominada idiossincraticamente pelo pensamento europeu. Tudo come\u00e7a com um conflito de propor\u00e7\u00f5es filos\u00f3fico-existenciais entre Jaime, movido por uma consci\u00eancia animista, e C\u00e2ndido, dominado pelo racionalismo cartesiano.<\/p>\n<p style=\"text-align: left; padding-left: 280px;\">\u2013 Eu sei, Jaime. Por isso te inscreves na corrente do realismo animista&#8230;<\/p>\n<p style=\"text-align: left; padding-left: 280px;\">\u2013 \u00c9. O azar \u00e9 que n\u00e3o crio nada para exemplificar. E ainda n\u00e3o apareceu nenhum c\u00e9rebro para teorizar a corrente. S\u00f3 existe o nome e a realidade da coisa. Mas este bailado todo \u00e9 realismo animista, duma ponta \u00e0 outra. Esperemos que os cr\u00edticos o reconhe\u00e7am.<\/p>\n<p style=\"text-align: left; padding-left: 280px;\">\u00a0\u2013 Quest\u00f3ria \u00e9 essa? \u2013 Perguntou C\u00e2ndido.<\/p>\n<p style=\"text-align: left; padding-left: 280px;\">\u00a0\u2013 O Jaime diz que a \u00fanica est\u00e9tica que nos serve \u00e9 a do realismo animista \u2013 explicou Lu. Como houve o realismo e o neo, o realismo socialista e o fant\u00e1stico, e outros realismos por a\u00ed.<\/p>\n<p style=\"text-align: left; padding-left: 280px;\">\u2013 Ainda bem \u2013 disse Jaime. \u2013 Porque \u00e0s vezes eu n\u00e3o vejo. Mas isto que andamos a fazer \u00e9 sem d\u00favida alguma. E se triunfamos \u00e9 gra\u00e7as ao amuleto que a Lu tem no pesco\u00e7o. Ela n\u00e3o quer contar a est\u00f3ria, mas que \u00e9 um amuleto ela n\u00e3o pode negar.<\/p>\n<p style=\"text-align: left; padding-left: 280px;\">\u00a0\u2013 Claro que \u00e9 \u2013 disse Lu, muito r\u00e1pido. \u2013 S\u00f3 que se contar, talvez ele perca o efeito.<\/p>\n<p style=\"text-align: left; padding-left: 280px;\">\u2013 Disparate! \u2013 disse C\u00e2ndido. \u2013 Se o espet\u00e1culo resulta, \u00e9 porque voc\u00eas todos tinham capacidades e energias at\u00e9 aqui ignoradas, e acreditaram em voc\u00eas pr\u00f3prios. Vontade, muita vontade, foi esse o feiti\u00e7o.<\/p>\n<p style=\"text-align: left; padding-left: 280px;\">\u2013 Ora \u2013interrompeu C\u00e2ndido. \u2013Andaram voc\u00eas a fazer esse esfor\u00e7o todo, a lutar contra tudo e contra todos e agora d\u00e3o o m\u00e9rito s\u00f3 a um bocado de pau. N\u00e3o acham mod\u00e9stia demais?<\/p>\n<p style=\"text-align: left; padding-left: 280px;\">\u00a0 \u2013 Anarquista e materialista! \u2013 disse Jaime. \u2013J\u00e1 viram o que nos saiu na rifa? E espantem, vindo dos desertos, onde nada se faz sem uma cerim\u00f3nia sagrada.<\/p>\n<p style=\"text-align: left; padding-left: 280px;\">\u00a0 \u2013 Olha, C\u00e2ndido. \u2013 Interrompeu Lu. Eu tamb\u00e9m n\u00e3o acredito&#8230; n\u00e3o acreditava, agora j\u00e1 nem sei &#8230; O certo \u00e9 que come\u00e7ou tudo a sair melhor. Ou quase tudo&#8230;<\/p>\n<p style=\"text-align: left; padding-left: 280px;\">\u00a0\u2013 Te deu confian\u00e7a, s\u00f3 isso. Quando se acredita que se consegue fazer alguma coisa, \u00e9 j\u00e1 meio caminho andado. Mas uma vaca n\u00e3o consegue parir um le\u00e3o, com todos os amuletos que se lhe ponha no pesco\u00e7o.<\/p>\n<p style=\"text-align: left; padding-left: 280px;\">\u2013 Ok. Ok. N\u00e3o te zangues, cada um fica com suas cren\u00e7as. Mas que s\u00f3 podia ser o realismo animista a contar a est\u00f3ria de Lueji, isso n\u00e3o podes negar. (Pepetela, 2016, pp. 458- 459)<\/p>\n<p style=\"text-align: left; padding-left: 280px;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Evidencia-se no di\u00e1logo acima duas formas diferentes de percep\u00e7\u00e3o dos fen\u00f3menos resultantesdas rela\u00e7\u00f5es antag\u00f4nicas entre duas cosmovis\u00f5es: uma de matriz africana e outra, embora o sujeiton\u00e3o se tenha deslocado f\u00edsica e biologicamente, entretanto, encontra-se deslocado conceptualmente fruto do processo colonial.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Como sabemos, Pepetela n\u00e3o \u00e9 propriamente um te\u00f3rico da literatura, mas ainda assim, tem sido apontado como o percursor de uma escola cujo principal teorizador \u00e9 considerado o sul-africano Harry Garuba, desconhecido por Pepetela(ver em anexo 1), autor do c\u00e9lebre artigo \u201cExplora\u00e7\u00f5es no realismo animista: notas sobre a leitura e a escrita da literatura, cultura e sociedade africana\u201d.Entretanto, respondendo a uma das quest\u00f5es do nosso question\u00e1rio que visava saber se concordava com a ideia de ser ele o percursor,Pepetela (2022) humildemente respondeu:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify; padding-left: 280px;\">No \u201cLueji\u201d pus na boca de um personagem algumas afirma\u00e7\u00f5es com que brincava com o Henrique Abranches em rela\u00e7\u00e3o ao que ele e v\u00e1rios autores escreviam na altura, bebendo no rico fabul\u00e1rio angolano e nos contos tradicionais. Mas nunca tentei teorizar sobre o tema, pois n\u00e3o conhe\u00e7o nem tentei conhecer Teoria Liter\u00e1ria. Sempre digo que sou um pr\u00e1tico da literatura, n\u00e3o um te\u00f3rico. (Pepetela, entrevista, 5\/7\/2022)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Conv\u00e9m-nos advertir que se tem referido a Pepetela como sendo o percursor te\u00f3rico, e n\u00e3o como o inventor do estilo cultuado por uma gama de romancista espalhados por \u00c1frica e pelo mundo, tais como Wole Soyinka, Ng\u0169g\u0129waThiong&#8217;o,ChinuaAchebe, entre outros. ChinuaAchebe, por exemplo, publicava, em 1958, o seu famoso romance <em>O mundo se despeda\u00e7a,<\/em>cuja an\u00e1lise coloc\u00e1mos no ap\u00eandice<em>.<\/em>Ter\u00e1 sido este o livro a inaugurar da escola animista. Importa referir que Pepetela coloca-se \u00e0 margem de todas essas postula\u00e7\u00f5es te\u00f3ricas e confessou-nos que n\u00e3o se dedica a leitura de teorias e artigos a respeito da sua obra (<em>vide in<\/em> anexo 1), negando o t\u00edtulo de percursor:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify; padding-left: 280px;\">Tenho feito o que muitos outros fizeram. Assis J\u00fanior, por exemplo, h\u00e1 um s\u00e9culo. \u00c0 sua maneira, cada um dos autores percebeu a import\u00e2ncia que determinadas cren\u00e7as ou tradi\u00e7\u00f5es tinham na vida dos seus personagens (ou nas pessoas que influenciaram os seus personagens) e n\u00e3o o esconderam na prosa que escreviam. Da\u00ed tantas obras tocando nos \u201cfeiti\u00e7os\u201d, esp\u00edritos, deuses, acontecimentos inexplic\u00e1veis. Fragata de Morais fez um apanhado de muitos textos ou peda\u00e7os de textos em que se abordam essas cren\u00e7as e atitudes na literatura angolana (\u201cO Fant\u00e1stico na Prosa Angolana\u201d). Por vezes \u00e9 apenas superficialmente, mas muitas vezes esse uso do maravilhoso \u00e9 quase estrutural numa obra. Penso em Anibal Sim\u00f5es, s\u00f3 para dar mais um exemplo. (Pepetela, entrevista, 5\/7\/2022)<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em entrevista a Aguinaldo Crist\u00f3v\u00e3o, no site da Uni\u00e3o dos Escritores Angolanos, ao ser questionado <strong>se concordava com a classifica\u00e7\u00e3o segundo a qual \u201cOmakissi s\u00e3o conotados como nota caracter\u00edstica do justify m\u00e1gico\u201d,Henrique Abranches respondeu o seguinte:<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: left; padding-left: 280px;\">Eu acho que n\u00e3o est\u00e1 certo. N\u00e3o \u00e9 m\u00e1gico. M\u00e1gico tem outras conota\u00e7\u00f5es. No cinema e na literatura americana, o m\u00e1gico \u00e9 uma pessoa que faz um gesto e outra pessoa aparece com um chap\u00e9u alto. Quem deu o melhor nome foi Pepetela. Pepetela chamou a isso uma vez. Disse que eu havia inventado o realismo animista. \u00c9 claro que n\u00e3o se pode fazer declara\u00e7\u00f5es assim sem um estudo mais s\u00e9rio, mas ele tem muita raz\u00e3o. O que eu fa\u00e7o muitas vezes s\u00e3o est\u00f3rias \u00e0 roda de um realismo animista, que \u00e9 um realismo que anima a natureza. Que, na realidade tradicional, s\u00e3o qualidades animistas. N\u00e3o s\u00e3o m\u00e1gicas. Aquilo est\u00e1 baseado em antepassados e em poderes que existem na natureza.(<a href=\"https:\/\/www.ueangola.com\">https:\/\/www.ueangola.com<\/a>)<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Quando Abranches refere que \u201cQuem deu o melhor nome foi Pepetela. (&#8230;) Disse que eu havia inventado o realismo animista\u201d legitima o discurso que apresenta Pepetela como o marco da conceitua\u00e7\u00e3o da express\u00e3o, ainda que este n\u00e3o queira assumir, ademais, o conceito fica impl\u00edcito em <em>Lueji: o Nascimento de um Imp\u00e9rio<\/em>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O lexema animismo, de acordo o Dicion\u00e1rio Infop\u00e9dia da L\u00edngua Portuguesa(https:\/\/<a href=\"http:\/\/www.infopedi.pt\/dicionarios\/lingua-portuguesa\/\">www.infopedi.pt\/dicionarios\/lingua-portuguesa\/<\/a>animismo), temas suas ra\u00edzes no latim e remete-nos \u00e0 \u201cdoutrina que considera que tudo tem uma alma\u201d. Seus componentes lexicais s\u00e3o: \u201canima\u201d (respira\u00e7\u00e3o, principio vital, vida) mais o sufixo \u201cismo\u201d (que nos remete a uma doutrina religiosa).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Segundo Paradiso (2015), o conceito foi inicialmente desenvolvido por Georg Ernst Stahl, em 1720, para se referir ao facto \u201cde que a vida animal \u00e9 produzida por uma alma imaterial\u201d, mas viria a ser redefinido pelo antrop\u00f3logo ingl\u00eas Sir Edward B. Tylor, em 1871, na obra <em>A Cultura Primitiva <\/em>(<em>Primitive Culture<\/em>), significando que \u201ctodas as coisas t\u00eam anima (alma; esp\u00edritos).\u201d (p. 274)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify; padding-left: 280px;\">Nos cultos tradicionais africanos, al\u00e9m dos humanos e animais, objectos e plantas tamb\u00e9m possuem anima \u2013 o tambor e a \u00e1rvore, por exemplo, s\u00e3o at\u00e9 cultuados como seres e divindades. O termo dentro da antropologia \u00e9 gen\u00e9rico, e justamente por isso \u00e9 usado, visto que as manifesta\u00e7\u00f5es religiosas tradicionais africanas, isto \u00e9, religi\u00f5es de milenares etnias, s\u00e3o heterog\u00e9neas e complexas, mas com elementos queas unem \u2013 sendo a cren\u00e7a no anima uma das mais frequentes. No mundo religioso africano, homens s\u00e3o deuses, deuses s\u00e3o homens, objectos s\u00e3o vivos, humanos viram animais, e as fontes que cont\u00eam todas essas assertivas est\u00e3o nos mais variados mitos, contos, lendas, rezas e oraturas das popula\u00e7\u00f5es negras africanas. (Paradiso, 2015, p.274)<\/p>\n<p>[\/vc_column_text][\/vc_column][\/vc_row][vc_row][vc_column][vc_column_text]<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No dom\u00ednio dos estudos liter\u00e1rios, usa-se o termo \u201canimismo\u201d para se referir \u00e0 literatura e, de um modo geral, \u00e0 arte africana, com a finalidade de fundamentar rigorosamente os eventos ins\u00f3litos, evitando recorrer aos conceitos ocidentais que at\u00e9 certo ponto acabam sendo limitadores em raz\u00e3o da dimens\u00e3o antropol\u00f3gica dos povos africanos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Lexemas como fant\u00e1stico e m\u00e1gico remetem-nos, \u00e0 partida, como j\u00e1 referimos em outros pontos, \u00e0 Europa e \u00e0 Am\u00e9rica do Sul na medida em que, segundo Wittiman (2012), referindo-se seguramente ao tradicional africano, na cultura africana, o sobrenatural \u00e9 natural\u201d e n\u00e3o se pode entender a literatura africana sem compreend\u00ea-la como um continente de mentalidade animista.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 sabido que o autor africano, fruto das mudan\u00e7as dr\u00e1sticas provocadas pelo colonialismo, teve de, em alguns casos, surgir, e noutros, reinventar-se, para puder fazer ecoar a sua voz por via da literatura. Por consequ\u00eancia, n\u00e3o h\u00e1 quem n\u00e3o esteja inserido na tradi\u00e7\u00e3o liter\u00e1ria euro-americana.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Por\u00e9m, essa obedi\u00eancia a essa tradi\u00e7\u00e3o liter\u00e1ria reflecte-se apenas na forma, pois, o conte\u00fado \u00e9 dominado por aspectos idiossincr\u00e1ticos de vi\u00e9s animista, sendo esses os elementos conformadores das particularidades que, no \u00e2mbito da taxonomia liter\u00e1ria, obrigam uma rean\u00e1lise das teorias e dos conceitos liter\u00e1rios.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Neste sentido, Wittiman (2012) entende que as prosas animistas s\u00e3o relatos que, apesar de se aproximarem do realismo fant\u00e1stico e do maravilhoso, fazem de suas literaturas uma forma de engajamento hist\u00f3rico e social, um novo modelo a esses j\u00e1 incoerentes conceitos. Quando se fala em fant\u00e1stico e em m\u00e1gico, de acordo Wittiman (2012, como citado em Paradiso, 2015, p. 274) se est\u00e1 a referir \u201ca uma vis\u00e3o ocidental, uma vez que, na cultura africana, o sobrenatural \u00e9 natural.\u201d<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Sublimamos a vis\u00e3o de Paradiso (2015, p. 274), quando refere que \u201cn\u00e3o se pode entender a \u00c1frica, tampouco sua literatura, sem compreend\u00ea-la como um continente de mentalidade animista\u201d. Quer-se com isto dizer que o animismo abre um universo de significa\u00e7\u00f5es em que o que pode ser comprovado materialmente e o metaf\u00edsico actuam no mesmo plano.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em \u201cExplora\u00e7\u00f5es no realismo animista: notas sobre a leitura e a escrita da literatura, cultura e sociedade africana\u201d, Garuba (2012), ao analisar o animismo nas pr\u00e1ticas da sociedade africana, esbo\u00e7ando a l\u00f3gica do pensamento animista, acredita que \u201co cont\u00ednuo reencantamento do mundo\u201d \u00e9 a sua principal caracter\u00edstica e chega \u00e0s seguintes conclus\u00f5es:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify; padding-left: 280px;\">Dentro da vis\u00e3o de mundo animista, como vimos, o mundo f\u00edsico dos fen\u00f3menos \u00e9 espiritualizado; na pr\u00e1tica liter\u00e1ria, ela se transforma em uma estrat\u00e9gia de representa\u00e7\u00e3o que envolve dar ao abstracto ou ao metaf\u00f3rico uma realiza\u00e7\u00e3o material; e no mundo social de relacionamentos humanos e actividade econ\u00f3mica e pol\u00edtica, os significados de media\u00e7\u00e3o que o pensamento animista postula como moeda de troca social s\u00e3o instrumentalizados, mais frequentemente do que se gostaria, de forma a servir apenas aos l\u00edderes e \u00e0s elites locais. Enquanto as elites tradicionais fazem isso, incorporando os instrumentos da modernidade em pr\u00e1ticas rituais tradicionais, as novas elites que controlam o poder econ\u00f3mico e pol\u00edtico do Estado moderno muitas vezes se apoderam do inconsciente animista com falsos instrumentos culturais a fim de refor\u00e7ar sua autoridade e legitimidade. (Garuba, 2012, p. 255)<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Muitos autores resumem o animismo a uma forma de religi\u00e3o; contudo, \u00e9 preciso perceber como Garuba (2012, p.239) que, \u201cao contr\u00e1rio do Cristianismo e do Islamismo, por exemplo, que se referem a religi\u00f5es particulares, o animismo n\u00e3o indica nenhuma religi\u00e3o em espec\u00edfico\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify; padding-left: 280px;\">Este credo [b\u00e1sico da cren\u00e7a animista] \u00e9 composto de duas filosofias b\u00e1sicas. A primeira diz que as coisas possuem uma vida pr\u00f3pria, e a segunda queeste credo [b\u00e1sico da cren\u00e7a animista] \u00e9 composto de duas filosofias b\u00e1sicas. A primeira diz que as coisas possuem uma vida pr\u00f3pria, e a segunda que, quando suas almas s\u00e3o despertadas, seu sopro de vida \u00e9 liberado e elas podem migrar para outros objectos. (Garuba, 2012, p.244)<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Geralmente, na sociedade animista, fruto do inconsciente animista, aos objectos atribuem-se poderes sobrenaturais, dependendo do deus ou da figura que estes encarnem. Garuba (2012) entende que \u201cos objectos s\u00e3o a manifesta\u00e7\u00e3o material e f\u00edsica dos deuses e esp\u00edritos\u201d e \u201cem vez de erigir imagens esculpidas para simbolizar objecto, dando assim ao esp\u00edrito uma habita\u00e7\u00e3o local\u201d (p.239). Compreende-se assim que, dentro da cosmovis\u00e3o africana, regida por leis animista, a natureza e tudo o que ela encerra possuem uma exist\u00eancia material e outra espiritual, sendo, portanto, insepar\u00e1veis.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Entretanto, \u00e9 preciso ter na devida conta que esse, anseio animista de reifica\u00e7\u00e3o, ou seja, a normaliza\u00e7\u00e3o como algo inerente \u00e0 realidade objectiva, pode tido uma origem religiosa, mas, de acordo com Garuba (2012, p.244), \u201cos significados sociais e culturais que se associaram aos objectos frequentemente se distanciam de puramente religiosos e adquirem uma exist\u00eancia pr\u00f3pria, como parte do processo geral de significa\u00e7\u00e3o na sociedade\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\">De acordo com Petrov (2016), o realismo animista n\u00e3o \u00e9 mais do que uma vertente dos realismos com componentes ins\u00f3litas; (&#8230;) uma \u201cafricaniza\u00e7\u00e3o\u201d tanto do realismo m\u00e1gico como do realismo maravilhoso (&#8230;).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify; padding-left: 280px;\">Isto porque, do ponto de vista estritamente narratol\u00f3gico, os realismos em causa incorporam, a par do emp\u00edrico, o prodigioso e o extraordin\u00e1rio que, mesmo originando situa\u00e7\u00f5es inexplic\u00e1veis do ponto de vista racional, s\u00e3o aceites como fazendo parte integrante das leis da natureza e contribuem para delinear mundos poss\u00edveis e coerentes. Trata- se de representa\u00e7\u00f5es nas quais o racional e o irracional n\u00e3o s\u00e3o percebidos como contradit\u00f3rios, uma vez que os autores que cultivam os realismos m\u00e1gico, animista e maravilhoso conseguem criar discursos espec\u00edficos para definir sociedades radicalmente diferentes dos ocidentais. Do ponto de vista pragm\u00e1tico, os leitores n\u00e3o questionam a fiabilidade dos sujeitos de enuncia\u00e7\u00e3o porque os crit\u00e9rios da l\u00f3gica cartesiana n\u00e3o se aplicam \u00e0s culturas das comunidades retratadas. Em consequ\u00eancia, o papel do narrat\u00e1rio \u00e9 tentar compreender o funcionamento de mentalidades que aceitam a coexist\u00eancia entre o natural e o sobrenatural de modo pac\u00edfico e harmonioso. (Petrov, 2016, pp.100- 101)<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Petrov (2016) coloca \u00eanfase no leitor enquanto receptor e enquanto um sujeito que, de um ponto de vista fenomenol\u00f3gico, se constitui como entidade intradieg\u00e9tica (narrat\u00e1rio) e n\u00e3o consegue discernir a fic\u00e7\u00e3o da realidade. \u00c9 preciso perceber que, por exemplo em \u00c1frica, n\u00e3o \u00e9 o sujeito leitor, n\u00e3o s\u00e3o as personagens africanas, incipientes, de <em>Estranhos P\u00e1ssaros de Asas Abertas,<\/em>de Pepetela; estes, na verdade oscilam e parecem-se mais com as suas personagens de<em>Lueji: o Nascimento de um Imp\u00e9rio <\/em>que travam uma discuss\u00e3o de propor\u00e7\u00f5es filos\u00f3fico-existenciais em que Jaime \u00e9 movido por uma consci\u00eancia animista e C\u00e2ndido \u00e9 dominado pelo racionalismo cartesiano.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Por conseguinte, mesmo o leitor com a configura\u00e7\u00e3o de Jaime tamb\u00e9m oscila entre a consci\u00eancia cartesiana e a consci\u00eancia animista e, por vezes, esta \u00faltima se constitui apenas como uma forma ideol\u00f3gica de resist\u00eancia. Quer-se com isto dizer que todas essas obras s\u00e3o entendidas como fic\u00e7\u00e3o e n\u00e3o seria positivo para os estudantes essa perspectiva fenomenol\u00f3gica.<\/p>\n<p>[\/vc_column_text][\/vc_column][\/vc_row][vc_row css=&#8221;.vc_custom_1714430084826{margin-top: 30px !important;}&#8221;][vc_column][vc_column_text]<\/p>\n<h6 style=\"text-align: center;\"><strong>Refer\u00eancias Bibliogr\u00e1ficas<\/strong><\/h6>\n<p>Cassirer, E. (1994). <em>Ensaio sobre o homem: introdu\u00e7\u00e3o a uma filosofia da cultura humana<\/em>(T. R. Bueno, Trad.). S\u00e3o Paulo: Martins Fontes.<\/p>\n<p>Eco, H.(2011)- A defini\u00e7\u00e3o da arte(Ferreira,J.M. Trad.). Portugal:Edi\u00e7\u00f5es 70LDA.<\/p>\n<p>Garuba, H. (2012). Explora\u00e7\u00f5es no realismo animista: notas sobre a leitura e a escrita da literatura, cultura e sociedade africana. (E.S. Tarouco, Trad.). <em>Nonada Letras em Revista<\/em> (n. \u00ba19, ano 15), pp. 235-256.<a href=\"http:\/\/seer.uniritter.edu.br\/index.php\/nonada\/article\/viewFile\/707\/532\">http:\/\/seer.uniritter.edu.br<\/a><\/p>\n<p>Mignolo, W. D. (2021). Desobedi\u00eancia Epist\u00eamica, Pensamento Independente e Liberdade (I. B. VeigaTrad.).<em>Revista X<\/em> (Vol. 16, n. 1, pp. 24-53). Universidade de Letras do Paran\u00e1.(Trabalho original publicado em 2009). ISNN- 1980- 0614<\/p>\n<p>Oliveira, E. S. &amp;Lucin. M. (Janeiro\/Mar\u00e7o, 2021). O Pensamento Decolonial: Conceitos para Pensar uma Pr\u00e1tica de Pesquisa de Resist\u00eancia. <em>Boletim Historiar<\/em>, vol. 08, n. 01,p. 97-115.<a href=\"https:\/\/seer.ufs.br\/index.php\/historiar\/index\">https:\/\/seer.ufs.br\/index.php\/historiar\/index<\/a><\/p>\n<p>Paradiso, S. R. (jan. 2015). Religiosidade na Literatura Africana: A Est\u00e9tica do Realismo Animista<em>. Revista Esta\u00e7\u00e3o Liter\u00e1ria<\/em> (Vol.13, p. 268-281). Londrina. https:\/\/WWW.uel.br\/revistas\/uel\/index.php\/estacaoliteraria\/article\/view\/27067<\/p>\n<p>Pepetela(2016). <em>Lueji: o Nascimento de um Imp\u00e9rio<\/em>. Angola: Texto Editores, Lda.<\/p>\n<p>Pepetela (2016). <em>Estranhos P\u00e1ssaros de Asas Abertas<\/em>. In M.G. Reis &amp; A. Quino (Orgs.),<em>P\u00e1ssaros de Asas Abertas \u2013 Antologia de Contos Angolanos<\/em>. Ricardo Neves Produ\u00e7\u00e3o, Lda. \u2013 A.23 Edi\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Petrov, P. (2016). Representa\u00e7\u00f5es Do Ins\u00f3lito Na Fic\u00e7\u00e3o Liter\u00e1ria: O Fant\u00e1stico, o Realismo M\u00e1gico e o Realismo Maravilhoso. <em>Nonada: Letras em Revista, (vol. 2, n\u00fam. 27)<\/em> pp.95-106.http:\/\/www.redalyc.org[\/vc_column_text][\/vc_column][\/vc_row]<\/p>\n<\/div>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O animismo \u00e9 uma corrente e uma forma de estar que representa a Filosofia Africana, entendendo-se por Filosofia como uma forma de estar na vida. 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