{"id":1268,"date":"2024-04-27T12:25:37","date_gmt":"2024-04-27T12:25:37","guid":{"rendered":"https:\/\/akweno.ao\/ulitteragris\/?p=1268"},"modified":"2024-04-29T23:14:28","modified_gmt":"2024-04-29T23:14:28","slug":"o-que-e-poesia-como-se-escreve-um-poema","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/akweno.ao\/ulitteragris\/2024\/04\/27\/o-que-e-poesia-como-se-escreve-um-poema\/","title":{"rendered":"O que \u00e9 poesia?  COMO SE ESCREVE UM POEMA?"},"content":{"rendered":"<div class=\"wpb-content-wrapper\"><p>[vc_row][vc_column][vc_column_text]<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Plat\u00e3o, ro\u00eddo por absurdos ideais pol\u00edticos, escorra\u00e7a os poetas para o derradeiro lugar do mundo! <em>\u201cque os miser\u00e1veis poetas, votados ao auto-abandono, despidos de ra cio c\u00ed nio ou com esta casca de lanterna de ilus\u00e3o humana, r\u00e1cio-c\u00ednio, v\u00e3o sujar a l\u00edmpida piscina da p\u00f3lis, defecando nela\u201d<\/em>, assim dizia o fil\u00f3sofo das ideias, enquanto Arist\u00f3teles, qual Cris Salvador do mundo, ou um precoce esperma riscando no chap\u00e9u das nuvens, ou ainda como um \u00f3vulo n\u00e3o fecundado ao longo da sua peregrina\u00e7\u00e3o \u00e0 muxima do \u00fatero. E ele tamb\u00e9m, Arist\u00f3teles, esfregado de nervo e raz\u00e3o, apesar de estar com as fezes do medo nas cal\u00e7as, defende os <em>\u201cpuetas\u201d, <\/em>que nem um Enrico Ferri, que busca o fogo e o ferro da palavra no inferno para, em tribu-nal, ficar nas costas dos seus clientes. Pia ou livremente disto, Arist\u00f3teles n\u00e3o faz frente ao seu mestre, medo ou qu\u00ea? Mas ent\u00e3o, o qu\u00ea \u00e9 poesia? \u00c9 rabisco ou <em>\u201crabu-sco\u201d<\/em> sobre o papel?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>\u00a0\u201cPoesia \u00e9 poesia\u201d,<\/em> esfregam alguns, logo, logo, na minha mascarada cara. Nesse desaguar de p\u00e1 lavra, poesia confronta-se com masturbada dual-idade, onde uma face est\u00e1 voltada para afiada <em>\u201ctechniques\u201d<\/em>, entenda-se f\u00e9rreas t\u00e9cnicas, que se assemelham a um aguado e agu\u00e7ado prep\u00facio circuncidado sem anestesia\u2026 Coitada da <em>\u201cpuesia!\u201d<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0A outra face, virada, sem cortina, para mil faces, diz: <em>\u201ceu sou um em muitos, pena \u00e9 n\u00e3o me entenderem e me jogarem no lixo dos \u201cmeus pensamentos, dotando-me de 69 faces\u201d.<\/em> Eu assim sou&#8230; Desdita! Desfeita; desferida; ferida; magoada, mal-entendida; incompreendida e esmagada pelos dentes dos textos nervosos, fumados de raz\u00e3o l\u00f3gico-matem\u00e1tica, conseguidos gra\u00e7as a reprodu\u00e7\u00e3o duma realidade amarga, fria, nua e crua, baseada num realismo que fere os olhos de quem me leva com seriedade. Mas, seriedade&#8230; \u00c9 isso? Algu\u00e9m agu\u00e7ou bem os t\u00edmpanos para ouvir este disparate? Seriedade na poesia? N\u00e3o ser\u00e1 a poesia arte para os loucos? E n\u00e3o s\u00e3o os poetas abastecidos pela mat\u00e9ria subsidi\u00e1ria da loucura? Poesia \u00e9 arte de contemplar o al\u00e9m invis\u00edvel em si mesmo! Ver n\u00e3o \u00e9 ver nem ver! Nem mesmo olhar tem lugar de cabeceira aqui! \u00c9 s\u00f3 contemplar, n\u00e3o com os tubos olhos de ver, mas contemplar a divina luz. Ver s\u00f3 possibilita atirar os olhos para as enfadonhas letras, signos repletos de conven\u00e7\u00f5es e russos formalismos. O poeta, querendo contemplar a luz da verdade para depois trazer a poesia \u00e0 superf\u00edcie d\u00e1gua, \u00e9 tido por ocioso, representante do Hades, com Diabo no corpo. Ou ningu\u00e9m aguenta o fogo da fala dum poeta? Oh, pobre poeta, desvenda-te! A tua gl\u00f3ria n\u00e3o se resume em gr\u00e3os de aplausos, nem num desfile de carnaval de cores v\u00e1rias, como declama\u00e7\u00e3o, desfile de moda&#8230; Tens lugar! O teu reino ser\u00e1 desflorestado quando descortinares o grande reino que h\u00e1 em ti. A\u00ed sim\u2026 Estar\u00e1s no \u00fatero da terra, na harmonia com o Cosmos&#8230; A\u00ed sim&#8230; Encontrar-te-\u00e1s com um superintendente deus, de palha, mastigando charuto dum reino que n\u00e3o \u00e9 dele! Mas, ainda assim, o qu\u00ea \u00e9 poesia? Poesia n\u00e3o \u00e9 explos\u00e3o de f\u00e9rreas palavras que bombardeiam ouvidos ou olhos. Poesia \u00e9 um trabalho de boi leitor, \u00fanico, o \u00fanico que poder\u00e1 passar na n\u00e1dega d\u00e0gulha, pois, primeiro buscou o reino da leitura. Depois, o resto sobrepor-se-lhe-\u00e3o. Poesia \u00e9 escolha. N\u00e3o escola! Olhem as pris\u00f5es universit\u00e1rias\u2026 Verdadeiras casas penitenci\u00e1rias para os forjadores de ideias e palavras bem filtradas! Olhem os doutores, de gravatas enforcadas; perfumados e esgotados numa \u00fanica leitura de <em>\u201cEnsaboado &amp; Enxaguado\u201d.<\/em> Ser\u00e1 que esses doutos sabem o qu\u00ea \u00e9 trocar uma noite por uma saborosa leitura. Eh&#8230; Esse rabo de conversa est\u00e1 a fugir muito! Vamos l\u00e1 pelos trilhos da poesia, p\u00e1! Mas, ainda assim, o qu\u00ea \u00e9 poesia? Poesia \u00e9 loucura! E o poeta? Um louco!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0Arte que \u00e9 arte \u00e9 insuficiente para emanar s\u00f3 do coeficiente consciente. Outrossim, ningu\u00e9m ser\u00e1 poeta se n\u00e3o esgazear os gaseificados gases dos olhos. Para se escrever poesia, \u00e9 preciso espremer os olhos no tanque dos livros. Depois, amass\u00e1-los muito bem com escova de ferro. A seguir, passar a leitura e a escrita a ferro e fogo, s\u00f3 assim traz\u00ea-la ao veredicto do p\u00fablico leitor.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0No sentido de insufici\u00eancia, poesia \u00e9 tudo ou nada! Nada ou tudo. Tudonada. Ela denuncia as mazelas do seu autor. Mas \u00e9 mesmo m\u00e1-zela ou texto n\u00e3o bem conseguido? A poesia desvenda a nudez e a vergonha do arco da exist\u00eancia e desfere o tempo. Por isso, n\u00e3o ser\u00e1 eterno quem n\u00e3o usar e abusar da fonte divina, a inconsci\u00eancia, a seiva da poesia, para inverter o convencional ordem directa das palavras gramaticalmente postas ao forno. An\u00e1foras devem ser esquecidas, uma vez que correspondem \u00e0 pr\u00f3pria vergonha dos seus produtores, pobres no territ\u00f3rio vocabular e usam-nas como muletas, despindo a vergonha dos h\u00edper-sentimentos, doen\u00e7a doentia, pr\u00f3pria das dogm\u00e1ticas institui\u00e7\u00f5es que nos alimentam expectativas el\u00edpticas, reticentes, consubstanciada na cega prostra\u00e7\u00e3o dum inexistente ente que se adula, qual corvo feito parvo! A poesia quer ver! N\u00e3o \u00e9 fraqueza! \u00c9 fortaleza! Realeza!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0Poesia \u00e9 segurar em invis\u00edveis palavras, quebr\u00e1-las: Luanda, Lu, anda! Palavra, p\u00e1, lavra. Reino, rei nu. Mas n\u00e3o s\u00f3, \u00e9 preciso o banho-maria duma musa que excita o poeta com mel de papel.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na velhaca Gr\u00e9cia, os festivais dos sexos eram consumidos em pal\u00e1cios, nos com\u00edcios, Fruto da sexu-al-idade, no pico do Evereste, mas, no mar da poesia, nada permanente \u00e9! Mas aqui, a orgia \u00e9 po\u00e9tica! Textos putrefeitos amarelam nos bra\u00e7os da gaveta. Poesia assume-te! Em outra inst\u00e2ncia, est\u00e0rte emana duma chuva divina, o \u00e1lcool dos pequenos deuses! De seguida, vem o forno das palavras afiadas com bons anacolutos, e doseada de insurrei\u00e7\u00f5es \u00e0s gram\u00e1ticas, por isso, orgia po\u00e9tica? Para ser esquecida! Assim de mal conseguida, uma obra passar\u00e1 de p\u00e9ssima para o para\u00edso da gra\u00e7a, sem festejos em feiras p\u00fablicas ou injustas ta\u00e7as, mas os textos, por si s\u00f3, agradecer\u00e3o.<\/p>\n<p>[\/vc_column_text][\/vc_column][\/vc_row][vc_row][vc_column][\/vc_column][\/vc_row]<\/p>\n<\/div>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Plat\u00e3o, ro\u00eddo por absurdos ideais pol\u00edticos, escorra\u00e7a os poetas para o derradeiro lugar do mundo! \u201cque os miser\u00e1veis poetas, votados ao auto-abandono, despidos de ra cio c\u00ed nio ou com esta casca de lanterna de ilus\u00e3o humana, r\u00e1cio-c\u00ednio, v\u00e3o sujar a l\u00edmpida piscina da p\u00f3lis, defecando nela\u201d, <\/p>\n","protected":false},"author":16,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"_themeisle_gutenberg_block_has_review":false,"footnotes":""},"categories":[42],"tags":[38],"ppma_author":[66],"class_list":["post-1268","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-outros","tag-manifestos","author-mayamona"],"acf":[],"authors":[{"term_id":66,"user_id":16,"is_guest":0,"slug":"mayamona","display_name":"Pedro Mayamona","avatar_url":{"url":"https:\/\/akweno.ao\/ulitteragris\/wp-content\/uploads\/2024\/04\/Pedro-Mayamona.jpeg","url2x":"https:\/\/akweno.ao\/ulitteragris\/wp-content\/uploads\/2024\/04\/Pedro-Mayamona.jpeg"},"author_category":"","first_name":"Pedro","last_name":"Mayamona","user_url":"","first_name_2":"","last_name_2":"","job_title":"","description":""}],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/akweno.ao\/ulitteragris\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1268","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/akweno.ao\/ulitteragris\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/akweno.ao\/ulitteragris\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/akweno.ao\/ulitteragris\/wp-json\/wp\/v2\/users\/16"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/akweno.ao\/ulitteragris\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1268"}],"version-history":[{"count":3,"href":"https:\/\/akweno.ao\/ulitteragris\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1268\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":1270,"href":"https:\/\/akweno.ao\/ulitteragris\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1268\/revisions\/1270"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/akweno.ao\/ulitteragris\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1268"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/akweno.ao\/ulitteragris\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1268"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/akweno.ao\/ulitteragris\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1268"},{"taxonomy":"author","embeddable":true,"href":"https:\/\/akweno.ao\/ulitteragris\/wp-json\/wp\/v2\/ppma_author?post=1268"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}