{"id":1252,"date":"2024-04-26T11:53:17","date_gmt":"2024-04-26T11:53:17","guid":{"rendered":"https:\/\/akweno.ao\/ulitteragris\/?p=1252"},"modified":"2024-04-29T23:14:07","modified_gmt":"2024-04-29T23:14:07","slug":"manifesto-aos-poetas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/akweno.ao\/ulitteragris\/2024\/04\/26\/manifesto-aos-poetas\/","title":{"rendered":"Manifesto  Aos Poetas"},"content":{"rendered":"<div class=\"wpb-content-wrapper\"><p>[vc_row][vc_column][vc_column_text]<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Tiramos os p\u00e9s da terra, voamos. Com as letras nos dist\u00farbios das palavras, a vida deu-nos esta arte universal com a qual nos distanci\u00e1mos dos outros. Descemos pequenos deuses sobre a terra que ousamos designar por Agris-p\u00e1tria. Encontr\u00e1mos deuses feitos, com os quais dialog\u00e1mos em sil\u00eancios. Todos os caminhos j\u00e1 pareciam tra\u00e7ados: MINIA, BJL, Ohandanji e Kix\u00edmbula (Archote). Embebedamo-nos at\u00e9 nos fartarmos. Ent\u00e3o, ou nos perdemos, ou inventamos caminhos sobre os caminhos j\u00e1 trilhados (?). Qual Cristo, ressuscit\u00e1mos Andr\u00e9 Breton do seu t\u00famulo de letras e subvertemos, ou trouxemos o super-realismo ou o neo-surrealismo em MASSA, num simbolismo equilibrado \u2013 a agris-est\u00e9tica.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Contra a Gera\u00e7\u00e3o do Conformismo e os seus <em>homos scriptoris<\/em> do segundo mil\u00e9nio, que n\u00e3o aguentando o peso da heran\u00e7a e da cr\u00edtica liter\u00e1ria da gera\u00e7\u00e3o de 80, utopicamente, acreditando que n\u00e3o fosse poss\u00edvel subverter o sistema semi\u00f3tico dominador e consequentemente estabelecer uma nova ordem est\u00e9tica, como se a literatura, esta arte de transfigura\u00e7\u00f5es, n\u00e3o fosse um espa\u00e7o infinito de transgress\u00f5es; ou sendo mesmo de uma fragilidade criativa, n\u00e3o s\u00f3 emigraram para uma forma de literatura muito delicada e por vezes marginalizada, visto que nem mesmo os te\u00f3ricos da nossa literatura se ocupam dela nas longas horas vagas, como a infectaram de grandes males. Depois de muitos projectos po\u00e9ticos mal conseguidos, num repente, eis que come\u00e7ou a surgir muita literatura, \u2018\u2018infantil\u2019\u2019 na m\u00faltipla dimens\u00e3o do termo, na medida em que dentre as obras dignas de serem, emergiram obras que tratavam o tema da Crian\u00e7a numa linguagem e por vezes enredos impr\u00f3prios. Contra esse arsenal de regras dogm\u00e1ticas, inibidoras de voos, inimigas da imagina\u00e7\u00e3o e consequentemente da cria\u00e7\u00e3o, a que designam por raz\u00e3o. Contra os actores sociais, escritores e outros rostos bonitos, moralistas, da imprensa cor-de-rosa que nos acusam de perder valores que nunca obtivemos. N\u00e3o contra moral Crist\u00e3, mas contra as pessoas que aspiram a utopia da perfei\u00e7\u00e3o e vivem condenando os neutros como se melhores pessoas fossem; contra os l\u00edderes religiosos que a dada altura, n\u00e3o s\u00f3 confundem os bolsos dos fi\u00e9is, como tamb\u00e9m fazem carreiras em outras assembleias. Nestes contras e noutros, impl\u00edcitos, em nossos textos art\u00edsticos, por raz\u00f5es plaus\u00edveis, sob o manto de uma paisagem irracional, nasce o Movimento Litteragris.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">N\u00e3o recriminamos a nova vaga de poetas que caminha na margem oposta do rio, n\u00e3o os recriminamos por chamarem poesia <em>in strictu sensu<\/em> a todo um conjunto de contos sem imagina\u00e7\u00e3o, n\u00e3o os recriminamos por transformarem o campus liter\u00e1rio num c\u00edrculo de risos, provocado por um humanismo, sub(tra\u00eddo) de lemas ut\u00f3picos, que os leva a publicar em livros a sua poesia emp\u00e1tica de catarse instant\u00e2nea, n\u00e3o! At\u00e9 porque merecem o nosso elogio porque, ao contr\u00e1rio dos Conformistas, contestaram e negaram a super-poesia da gera\u00e7\u00e3o de 80, como aconselham os te\u00f3ricos que defendem afirma\u00e7\u00f5es de gera\u00e7\u00f5es em contraposi\u00e7\u00e3o a gera\u00e7\u00e3o dominante, mas negar que a linguagem liter\u00e1ria \u00e9 um subsistema da l\u00edngua natural, na medida em que aquela subverte esta, num magistral processo de recria\u00e7\u00e3o lingu\u00edstica, e defenderem uma linguagem direita na esfera da corrente, como proposta liter\u00e1ria, n\u00e3o, n\u00e3o, n\u00e3o, n\u00e3o! Subverter uma norma para se plantar o caos e exibirem a sua poesia denotativa? Fiquemos com os neobrigadistas e alguns conformistas, que continuam a proporcionar uma metalinguagem, embora incompar\u00e1vel, id\u00eantica, a da super-gera\u00e7\u00e3o(?).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">N\u00e3o se trata de culto, nem de respeito exacerbado para que a agris-arte seja legitimada. Trata-se de respeito e de reconhecimento, daquela que uma das grandes propostas est\u00e9ticas. E como prova de que n\u00e3o h\u00e1 cultos, sem receios, falemos agora da confus\u00e3o que se faz em torno da po\u00e9tica pr\u00e9-estabelecida, recomend\u00e1vel e aceit\u00e1vel, consubstanciada na m\u00e1xima \u201c10%, INSPIRA\u00c7\u00c3O e 90%, TRABALHO\u201d. Eis a grande quest\u00e3o: teremos de ser simbolistas a cultivar textos at\u00e9 exceder o extremo do enigma \u00e0 luz do dogmatizado? Deste princ\u00edpio n\u00e3o resultaria um niilismo conceptual de correntes como o Realismo? Ent\u00e3o n\u00e3o haveria poesia na Mensagem?! O que \u00e9 a poesia afinal? Um trabalho exacerbado sobre a linguagem?! Express\u00e3o de sentimentos, emo\u00e7\u00f5es e pensamentos, atrav\u00e9s de uma linguagem encantadora? Toda a poesia em que h\u00e1 um trabalho exacerbado sobre a linguagem, ultrapassando o tecto do enigma, anula completamente o efeito catarse no leitor, \u00e9 vazia. Pois, a poesia \u00e9, no nosso entender, o sentimento, a emo\u00e7\u00e3o, que se pode depreender duma obra que se autonomiza pelo grau de singulariza\u00e7\u00e3o que o seu autor a confere. Reconhecemos, na devida medida, o relativismo impl\u00edcito do conceito de hermeticidade; no entanto, reafirmamos, em tom alto, a exist\u00eancia de textos vazios em sentimentos e em emo\u00e7\u00f5es, proporcionados por caprichos t\u00e9cnicos dos seus cultores. Que fique bem claro que n\u00e3o somos padrinhos de po\u00e9ticas mal conseguidas. O que n\u00e3o queremos \u00e9 que se trace dogmaticamente uma escala de valor de excel\u00eancia que leva o leitor a afastar-se das livrarias porque, na verdade, \u201c o autor de um texto liter\u00e1rio, mesmo quando escreve sob o dom\u00ednio de um impulso confessional, ou movido por um anseio de auto-catarse, ou buscando efeitos de auto-remunera\u00e7\u00e3o psicol\u00f3gica, n\u00e3o ignora que o seu texto, sob pena de se negar como texto liter\u00e1rio, tem de entrar num circuito de comunica\u00e7\u00e3o em que a derradeira est\u00e2ncia \u00e9 o leitor \u201d (Aguiar e Silva). Arte \u00e9 intui\u00e7\u00e3o; a intui\u00e7\u00e3o \u00e9 a soma das experi\u00eancias despejadas sobre a obra. A poesia pinta-se de mist\u00e9rios e paradoxos, com a soma de materiais que magicamente transitam do consciente para o subconsciente e deste para o inconsciente, o lugar de origem.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A proposta \u00e9 a agris-est\u00e9tica ou um neo-surrealismo como paisagem oculista para enxergar o \u2018\u2018invis\u00edvel\u2019\u2019, ou para desempoeirar olhos, atrav\u00e9s de um simbolismo (linguagem) equilibrado sob a nossa ideo-est\u00e9tica.<\/p>\n<p>[\/vc_column_text][\/vc_column][\/vc_row][vc_row][vc_column][\/vc_column][\/vc_row]<\/p>\n<\/div>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Tiramos os p\u00e9s da terra, voamos. Com as letras nos dist\u00farbios das palavras, a vida deu-nos esta arte universal com a qual nos distanci\u00e1mos dos outros. 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