{"id":1204,"date":"2024-04-24T23:02:33","date_gmt":"2024-04-24T23:02:33","guid":{"rendered":"https:\/\/akweno.ao\/ulitteragris\/?p=1204"},"modified":"2024-04-29T23:12:41","modified_gmt":"2024-04-29T23:12:41","slug":"a-compreensao-da-poesia-netiana-nos-dias-de-hoje","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/akweno.ao\/ulitteragris\/2024\/04\/24\/a-compreensao-da-poesia-netiana-nos-dias-de-hoje\/","title":{"rendered":"A Compreens\u00e3o Da Poesia Netiana Nos Dias De Hoje"},"content":{"rendered":"<div class=\"wpb-content-wrapper\"><p>[vc_row][vc_column][vc_column_text]<\/p>\n<h6><strong>Resumo<\/strong><\/h6>\n<p>O presente artigo surge na necessidade de fazer um estudo contextual da poesia de Agostinho Neto, na sua obra <em>Sagrada Esperan\u00e7a<\/em>, e aplicar \u00e0 viv\u00eancia actual. Faremos uma abordagem dentro da sociologia da literatura para compreendermos os problemas sociais que se vive em Angola. Os estudos sobre a poesia de Neto, na sua maioria, s\u00e3o voltados \u00e0s \u00e9pocas de luta para a liberta\u00e7\u00e3o do pa\u00eds que, na altura, estava sob o dom\u00ednio colonial. De forma a sairmos deste paradigma hist\u00f3rico que nos \u00e9 habitual, apresentamos esta tem\u00e1tica sobre os problemas actuias do pa\u00eds como a fome, o desemprego, a agress\u00e3o policial entre outros problemas que maculam a sociedade angolana nos dias de hoje.<\/p>\n<p><strong>Palavras-chave:<\/strong> Sagrada Esperan\u00e7a, sociologia da literatura, poesia netiana<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h6><strong>Introdu\u00e7\u00e3o <\/strong><\/h6>\n<p>A sociologia da literatura dedica-se a estudar o sistema liter\u00e1rio como produto social. O que implica o estudo da literatura como fen\u00f3meno social, do qual participam v\u00e1rias institui\u00e7\u00f5es como autores e leitores que produzem, consomem e julgam o material liter\u00e1rio dentro das quest\u00f5es sociais.<\/p>\n<p>Os textos liter\u00e1rios n\u00e3o s\u00e3o est\u00e1ticos como privil\u00e9gios, apenas, de uma determinada \u00e9poca ou espa\u00e7o, todo texto liter\u00e1rio \u00e9 intemporal e sem fronteiras, por se adaptar \u00e0s situa\u00e7\u00f5es de todas as \u00e9pocas e de todas as sociedades, basta que sejam bem contextualizadas. A poesia de Neto configura-se dentro desta nossa afirma\u00e7\u00e3o. Concordando com Madame de Sta\u00ebl Apud Neto (2017, p.16) quando prop\u00f4s tr\u00eas par\u00e2metros de leitura, dentre elas, dois configuram-se na nossa abordagem sobre a poesia de Agostinho Neto nos dias actuais:<\/p>\n<ul>\n<li>A \u201cleitura diacr\u00f4nica\u201d do sistema liter\u00e1rio privilegia a ideia de que a literatura sofre transforma\u00e7\u00f5es \u00e0 medida que as sociedades se transformam.<\/li>\n<li>Uma \u201cleitura espacial\u201d da literatura que se configura no afastamento de um modelo \u00fanico e universal e aproximando-se de uma leitura pela qual as literaturas nacionais passam a ser consideradas em sua especificidade.<\/li>\n<\/ul>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h6><strong>Os problemas actuais face \u00e0 poesia de Neto<\/strong><\/h6>\n<p>Em sociologia da literatura, faz-se o estudo do elemento social na obra numa rela\u00e7\u00e3o espa\u00e7o-obra, sendo a obra considerada a ilustra\u00e7\u00e3o de determinadas viv\u00eancias sociais.\u00a0 Neste sentido, Neto (2017, p.18) afirma que estes estudos devem ser feitos numa perspectiva de interioriza\u00e7\u00e3o do elemento social como elemento estruturador da obra.<\/p>\n<p>Os poemas de Agostinho Neto, presentes na obra Sagrada Esperan\u00e7a e que servem de objecto do nosso estudo, merecer\u00e3o de uma an\u00e1lise que vai examinar a presen\u00e7a da representa\u00e7\u00e3o de certas pr\u00e1ticas sociais no pa\u00eds e colocando a rela\u00e7\u00e3o da obra com determinado momento hist\u00f3rico-social. Nos dias actuais, v\u00e1rios problemas afectam a sociedade angola, dentre eles, podemos destacar a crise econ\u00f3mica, pol\u00edtica, social entre outros fen\u00f3menos como a corrup\u00e7\u00e3o e o nepotismo que se instalaram dentro da sociedade angolana. Estes fen\u00f3menos t\u00eam levantado v\u00e1rias insatisfa\u00e7\u00f5es por parte da sociedade, principalmente da juventude que luta para o cultivo de uma vida melhor. Como se pode ver nos versos do poema <em>adeus \u00e0 hora da largada<\/em>:<\/p>\n<blockquote><p>Mas a vida<\/p>\n<p>Matou em mim essa m\u00edstica esperan\u00e7a<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Eu j\u00e1 n\u00e3o espero<\/p>\n<p>Sou aquele por quem se espera (Neto, p. 11)<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p><\/blockquote>\n<p>Nas estrofes acima, apresenta um sujeito po\u00e9tico melanc\u00f3lico por ver a sua esperan\u00e7a longe das realiza\u00e7\u00f5es. Esse sujeito po\u00e9tico representa toda sociedade cansada pelos problemas sociais que os afecta e por estarem longe de serem resolvidos. Estes problemas podem ser sociais, econ\u00f3micos ou pol\u00edticos que os deixa sem esperan\u00e7a. Por exemplo, a Ag\u00eancia Lusa, no dia 08 de Julho de 2023, fez sair uma mat\u00e9ria que relata sobre as ondas de manifesta\u00e7\u00f5es em Angola contra o aumento dos pre\u00e7os dos combust\u00edveis em Angola, uma manifesta\u00e7\u00e3o que demonstra, claramente, o desgaste da sociedade angolana face \u00e0 governa\u00e7\u00e3o vigente, pois dada a crise econ\u00f3mica que o pa\u00eds vive, aumentar o pre\u00e7o do combust\u00edvel pressup\u00f5e o aumento do custo de vida da popula\u00e7\u00e3o, bem como o elevado pre\u00e7o da sesta b\u00e1sica que se vive hoje.<\/p>\n<p>Hoje o pa\u00eds vive uma crise no sector da educa\u00e7\u00e3o, temos muitas crian\u00e7as fora do sistema de ensino, que, para n\u00f3s, apontamos tr\u00eas causas para tal situa\u00e7\u00e3o: a) falta de escolas p\u00fablicas nas demais zonas do pa\u00eds; b) a dificuldade de acesso \u00e0s escolas por parte dos pais e encarregados de educa\u00e7\u00e3o, visto que, em Angola, devido \u00e0 prolifera\u00e7\u00e3o da corrup\u00e7\u00e3o e do nepotismo, o acesso \u00e0s escolas p\u00fablicas t\u00eam sido de uma forma obscura, ou seja, \u00e0 base da corrup\u00e7\u00e3o ou nepotismo; c) a falta de emprego por parte dos encarregados de educa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Segundo o relat\u00f3rio da UNICEF, cerca de 22% das crian\u00e7as em Angola ainda se encontram fora do sistema de ensino e 48% das crian\u00e7as matriculadas n\u00e3o concluem o ensino prim\u00e1rio. Apenas 11% das crian\u00e7as dos 3 aos 5 anos tem acesso \u00e0 educa\u00e7\u00e3o pr\u00e9-escolar. As desigualdades no acesso s\u00e3o substanciais entre meios urbano e rural: a taxa l\u00edquida de frequ\u00eancia do ensino prim\u00e1rio \u00e9 de 78% para o meio urbano e 59% para o meio rural. No ensino secund\u00e1rio esta taxa baixa para 50% no meio urbano e 14% no rural. Portanto, em alguns versos do poema <em>adeus \u00e0 hora da largada <\/em>apresenta um sujeito po\u00e9tico que se manifesta contra o sistema de educa\u00e7\u00e3o em nossa sociedade. Como podemos ver nos veros a seguir:<\/p>\n<blockquote><p>Hoje<\/p>\n<p>Somos as crian\u00e7as nuas das sanzalas do mato<\/p>\n<p>Os garotos sem escola a jogar a bola de trapos (Neto, p. 11)<\/p><\/blockquote>\n<p>Os discursos pol\u00edticos s\u00e3o os principais fomentadores dos problemas sociais por estes n\u00e3o corresponderem ao que se vive na realidade. Uma boa parte das manifesta\u00e7\u00f5es no pa\u00eds deu-se devido aos discursos pol\u00edticos e decretos que foram surgindo sem contextualizar as dificuldades que a popula\u00e7\u00e3o enfrenta. Por exemplo, temos o caso da fome que \u00e9 um problema real no pa\u00eds e que afecta uma boa parte da popula\u00e7\u00e3o angolana. Verificou-se durante um tempo a fome no sul do pa\u00eds, causada pela seca estrema naquela localidade de Angola, mas nos discursos pol\u00edticos apresentavam uma vis\u00e3o diferente sobre esta situa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>O sujeito po\u00e9tico do poema <em>adeus \u00e0 hora da largada <\/em>apresenta a fome e a sede como sendo problemas que afectam a nossa sociedade nos dias actuais. Segundo o jornal Expans\u00e3o (2021), apresenta um relat\u00f3rio feito pela ONU e a Uni\u00e3o Europeia onde revela n\u00fameros da fome em Angola associados \u00e0 seca e situa\u00e7\u00e3o financeira do pa\u00eds. Segundo os dados deste relat\u00f3rio, entre Outubro de 2019 e Fevereiro de 2020, mais de meio milh\u00e3o de angolanos viviam em situa\u00e7\u00e3o de crise alimentar ou pior e, destas, 290 mil pessoas estavam j\u00e1 em emerg\u00eancia alimentar, a somar a 1,9 milh\u00f5es de crian\u00e7as menores de 5 anos com preval\u00eancia muito alta de defici\u00eancia de crescimento e 65% das crian\u00e7as sofriam de anemia. Portanto, com a desvaloriza\u00e7\u00e3o da moeda que se verifica nos dias actuais face ao d\u00f3lar e o elevado pre\u00e7o da cesta b\u00e1sica no pa\u00eds, estes dados tendem a crescer ainda mais. No entanto, o sujeito po\u00e9tico mostra-se descontente com esta situa\u00e7\u00e3o social. Como se pode ver nos versos a seguir:<\/p>\n<blockquote><p>Com fome<\/p>\n<p>Com sede<\/p>\n<p>Com vergonha de te chamarmos m\u00e3e<\/p><\/blockquote>\n<p>Apegando-se ao lexema <em>m\u00e3e <\/em>na voz do sujeito po\u00e9tico e dada a situa\u00e7\u00e3o espacial da nossa abordagem, afirmamos que o lexema remete a uma m\u00e3e como uma entidade impessoal, pois a m\u00e3e presente na voz do sujeito po\u00e9tico \u00e9 a p\u00e1tria no qual se configura a nossa abordagem espacial, p\u00e1tria esta que, a partir de 11 de Novembro de 1975, tomou a sua independ\u00eancia e passou a chamar-se de Angola.<\/p>\n<p>As abordagens das obras dentro da sociologia da literatura requer, ent\u00e3o, um estudo das rela\u00e7\u00f5es entre o texto e o contexto dentro do seu plano metodol\u00f3gico, fazendo uma an\u00e1lise interna e externa.<\/p>\n<p>Segundo Sapiro (2014, p.18), \u201co problema da tens\u00e3o entre an\u00e1lise interna e an\u00e1lise externa, a primeira interessa-se pela estrutura das obras, enquanto a segunda insiste em sua fun\u00e7\u00e3o social. As tentativas de ultrapassar esta clivagem chamaram aten\u00e7\u00e3o para as media\u00e7\u00f5es entre a obra e suas condi\u00e7\u00f5es de produ\u00e7\u00e3o\u201d. Mas precisamos esclarecer que esta \u201ccondi\u00e7\u00e3o de produ\u00e7\u00e3o\u201d da obra liter\u00e1ria n\u00e3o pode reduzir a an\u00e1lise do texto liter\u00e1rio dentro de um \u00fanico espa\u00e7o e tempo, ou seja, essa condi\u00e7\u00e3o de produ\u00e7\u00e3o deve ser contextualizada de acordo ao conceito de an\u00e1lise externa apresentada pelo autor. Por exemplo, a obra que estamos a analisar foi escrita numa determinada \u00e9poca, mas as tem\u00e1ticas levantadas por ela remetem-nos aos nossos problemas vividos nos dias de hoje.<\/p>\n<p>O poema <em>Quitandeira <\/em>remete-nos a uma situa\u00e7\u00e3o que nos preocupa a todos. A situa\u00e7\u00e3o sobre as zungueiras. O fen\u00f3meno da zunga que se instalou na sociedade angolana \u00e9 o resultado, hipoteticamente, de alguns fen\u00f3menos s\u00f3cias angolanos como: a falta de escolas, pol\u00edticas de emprego, o elevado custo de vida, entre outros problemas que t\u00eam causado a prolifera\u00e7\u00e3o da venda ambulante no pa\u00eds. Como podemos ver nos versos a seguir:<\/p>\n<blockquote><p>A quitandeira<\/p>\n<p>que vende fruta<\/p>\n<p>vende-se<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>(&#8230;)<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Compra laranjas doces<\/p>\n<p>compra-me tamb\u00e9m o amargo<\/p>\n<p>desta tortura<\/p>\n<p>da vida<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>(&#8230;)<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Agora vendo-me eu pr\u00f3pria.<\/p>\n<p>&#8211; compra laranjas<\/p>\n<p>Minha senhora!<\/p>\n<p>Leva-me para as quitandas da vida<\/p>\n<p>O meu pre\u00e7o \u00e9 \u00fanico:<\/p>\n<p>&#8211; sangue (Neto, 2013, P.29-31)<\/p><\/blockquote>\n<p>O lexema <em>quitandeira <\/em>no poema acima significa, segundo o dicion\u00e1rio eletr\u00f4nico da l\u00edngua Portuguesa, vendedora ambulante de frutas. Na realidade angola, essa express\u00e3o \u00e9 designada pelo lexema <em>zungueira, <\/em>mulher que faz vendas ambulantes n\u00e3o apenas de frutas, mas de uma mercadoria diversa para o sustento pr\u00f3prio ou da fam\u00edlia. Ao termos contacto com o poema acima, perceberemos um sujeito po\u00e9tico desgastado com a sua condi\u00e7\u00e3o social que, muitas vezes, a coloca \u00e0s situa\u00e7\u00f5es de desigualdade social, enfrentando v\u00e1rios obst\u00e1culos durante o seu dia laboral.<\/p>\n<p>Na primeira e terceira estrofe do poema, o sujeito po\u00e9tico apresenta as dificuldades que enfrenta no seu dia-a-dia. Nos dias que correm, acompanhamos, por meio dos \u00f3rg\u00e3os de comunica\u00e7\u00e3o privados e p\u00fablicos, as not\u00edcias sobre a brutalidade policial quando estes lutavam combater contra as vendas desordenadas no pa\u00eds. Houve muitos relatos de zungueiras que perderam a vida por causa dos seus of\u00edcios, um assunto que choca com a sociedade e que, de certa forma, desvincula a ordem social, causando mais conflito ainda. Se analisarmos os versos \u201cAgora vendo-me eu pr\u00f3pria\/ O meu pre\u00e7o \u00e9 \u00fanico: \/ &#8211; sangue \u201d, enquadraremos a brutalidade que o sujeito po\u00e9tico enfrenta no seu dia. Embora mantendo um causador n\u00e3o activo, podemos, a partir da nossa an\u00e1lise espacial, trazer as quest\u00f5es da brutalidade policial. O lexema <em>sangue <\/em>no verso do poema d\u00e1-nos a perceber a fraqueza e a morte do sujeito po\u00e9tico, pois o sangue pode significar vida, e este sendo o pre\u00e7o do sujeito po\u00e9tico, d\u00e1-nos a perceber que \u00e9 com a vida que paga o seu oficio da brutalidade policial. Segundo VOA (2019), relata a morte de uma zungueira que tentava recuperar os seus bens que haviam sido confiscados pelos agentes na sua campanha contra a venda desordenada.<\/p>\n<p>A organiza\u00e7\u00e3o da sociedade \u00e9 feita a partir de um conjunto de processos sociais que visam manter uma boa din\u00e2mica social com o objectivo de criar indiv\u00edduos que possam interagir melhor dentro da gram\u00e1tica da vida social. Entendemos por gram\u00e1tica da vida social aquela capaz de regular o comportamento do homem dentro da sua conviv\u00eancia social, pois \u00e9 isso o que importa na an\u00e1lise sociol\u00f3gica: as rela\u00e7\u00f5es sociais que os indiv\u00edduos v\u00e3o mantendo entre eles dentro de uma comunidade.\u00a0 Afirma\u00e7\u00f5es do g\u00e9nero que nos atrevemos a levantar, leva-nos a questionar as raz\u00f5es da brutalidade policial aos cidad\u00e3os, dentre as quest\u00f5es, levanta-se a prepara\u00e7\u00e3o que os agentes da pol\u00edcia t\u00eam recebido quando s\u00e3o entregues \u00e0 sociedade para assim servirem. Por exemplo, a brutalidade policial deve-se, ser\u00e1, a falta de n\u00edvel de escolaridade aceit\u00e1vel, um rendimento salarial baixo ou causar uma desestabilidade social? Este problema que maculam a sociedade \u00e9 presente na obra <em>Sagrada esperan\u00e7a <\/em>como podemos ver:<\/p>\n<blockquote><p>Ansiedade<\/p>\n<p>no homem fardado<\/p>\n<p>alcan\u00e7ando outro homem<\/p>\n<p>que domina e leva os pontap\u00e9s<\/p>\n<p>depois de ter feito escorrer sangue<\/p>\n<p>enche o peito de satisfa\u00e7\u00e3o<\/p>\n<p>por ter maltratado um homem (Neto, 2013, 15)<\/p><\/blockquote>\n<h6><strong>Conclus\u00e3o <\/strong><\/h6>\n<p>A literatura interessa-se pela vida social, pois, como dissemos acima, toda literatura \u00e9 o reflexo da sociedade, escrita de acordo com diferentes aspectos. A obra <em>Sagrada esperan\u00e7a <\/em>configura-se como uma obra can\u00f3nica na institui\u00e7\u00e3o literatura angolana, pois, como podemos ver a partir da an\u00e1lise feita, ela, daquilo que \u00e9 a an\u00e1lise externa do texto liter\u00e1rio, levanta v\u00e1rios problemas sociais dentro do nosso espa\u00e7o tem\u00e1tico (Angola).<\/p>\n<p>Em estudos da sociologia da literatura, percebe-se que toda literatura apresenta um espa\u00e7o social indeterminado, e \u00e9 isso que confirmamos na obra que nos serviu de objecto de estudo.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h6><strong>Referencias bibliogr\u00e1ficas<\/strong><\/h6>\n<p>COSTA, Ant\u00f3nio Firmino da. <em>O que \u00e9 Sociologia<\/em>, Quimeira editora, 6\u00aa edi\u00e7\u00e3o, 2009.<\/p>\n<p>SAPIRO, Gis\u00e8le. <em>Sociologia da literatura<\/em>, Contafios, 2019.<\/p>\n<p>NETO Miguel Leoc\u00e1dio Ara\u00fajo, <em>A sociologia da literatura: origens e questionamentos<\/em>, Revista Entrelaces, Agosto de 2007.<\/p>\n<p>NETO, Agostinho, <em>Sagrada Esperan\u00e7a, <\/em>Uni\u00e3o dos Escritores Angolanos, Luanda, 2013, 1\u00aa edi\u00e7\u00e3o.\u00a0 <em>\u00a0<\/em><\/p>\n<p><strong>Sites consultados <\/strong><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.voaportugues.com\/amp\/morte-de-zungueira-provoca-dist%C3%BArbios-e\">https:\/\/www.voaportugues.com\/amp\/morte-de-zungueira-provoca-dist%C3%BArbios-e<\/a> condena%C3%A7%C3%B5es\/4827592.html<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.novojornal.co.ao\/sociedade\/interior\/adolescente-de-13-anos-morreu-com-tiro-na-cabeca-disparado-por-policia-durante-briga-comzungueiras\">https:\/\/www.novojornal.co.ao\/sociedade\/interior\/adolescente-de-13-anos-morreu-com-tiro-na-cabeca-disparado-por-policia-durante-briga-comzungueiras<\/a>63924.html?fbclid=IwAR1RBXEm63CC5v0FcsLV_Jygj1pdaoaBvBS8lBuDEe_JZOOW3bnW6NWHVE<\/p>\n<p>https:\/\/www.unicef.org\/angola\/educacao<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.expansao.co.ao\/angola\/interior\/relatorio-da-onu-e-uniao-europeia-revela-numeros-da-fome-em-angola-associados-a-seca-e-situacao-financeira-do-pais\">https:\/\/www.expansao.co.ao\/angola\/interior\/relatorio-da-onu-e-uniao-europeia-revela-numeros-da-fome-em-angola-associados-a-seca-e-situacao-financeira-do-pais<\/a> 102122.html[\/vc_column_text][\/vc_column][\/vc_row][vc_row][vc_column][\/vc_column][\/vc_row]<\/p>\n<\/div>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O presente artigo surge na necessidade de fazer um estudo contextual da poesia de Agostinho Neto, na sua obra Sagrada Esperan\u00e7a, e aplicar \u00e0 viv\u00eancia actual. Faremos uma abordagem dentro da sociologia da literatura para compreendermos os problemas sociais que se vive em Angola. Os estudos sobre a poesia de Neto, na sua <\/p>\n","protected":false},"author":10,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"_themeisle_gutenberg_block_has_review":false,"footnotes":""},"categories":[42],"tags":[44],"ppma_author":[76],"class_list":["post-1204","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-outros","tag-estudos-literarios","author-khilson"],"acf":[],"authors":[{"term_id":76,"user_id":10,"is_guest":0,"slug":"khilson","display_name":"Khilson Khalunga","avatar_url":"https:\/\/secure.gravatar.com\/avatar\/83412f6ff57b7254f7c154742d9afc5fbf11088ef6915a8fe36598aebacba7c3?s=96&d=mm&r=g","author_category":"","first_name":"Khilson","last_name":"Khalunga","user_url":"","first_name_2":"","last_name_2":"","job_title":"","description":""}],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/akweno.ao\/ulitteragris\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1204","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/akweno.ao\/ulitteragris\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/akweno.ao\/ulitteragris\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/akweno.ao\/ulitteragris\/wp-json\/wp\/v2\/users\/10"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/akweno.ao\/ulitteragris\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1204"}],"version-history":[{"count":4,"href":"https:\/\/akweno.ao\/ulitteragris\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1204\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":1208,"href":"https:\/\/akweno.ao\/ulitteragris\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1204\/revisions\/1208"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/akweno.ao\/ulitteragris\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1204"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/akweno.ao\/ulitteragris\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1204"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/akweno.ao\/ulitteragris\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1204"},{"taxonomy":"author","embeddable":true,"href":"https:\/\/akweno.ao\/ulitteragris\/wp-json\/wp\/v2\/ppma_author?post=1204"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}