{"id":1189,"date":"2024-04-24T22:36:13","date_gmt":"2024-04-24T22:36:13","guid":{"rendered":"https:\/\/akweno.ao\/ulitteragris\/?p=1189"},"modified":"2024-04-29T23:12:34","modified_gmt":"2024-04-29T23:12:34","slug":"miscigenacao-fonologica","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/akweno.ao\/ulitteragris\/2024\/04\/24\/miscigenacao-fonologica\/","title":{"rendered":"Miscigena\u00e7\u00e3o fonol\u00f3gica da variante do portugu\u00eas falado em Angola"},"content":{"rendered":"<div class=\"wpb-content-wrapper\"><p>[vc_row][vc_column][vc_column_text]<\/p>\n<h6 style=\"text-align: left;\"><strong>Introdu\u00e7\u00e3o\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 <\/strong><\/h6>\n<p style=\"text-align: justify;\">O dom\u00ednio de uma l\u00edngua implica a utiliza\u00e7\u00e3o, de forma proficiente, da fala e da escrita para que o ser humano se comunique com os demais. Logo, a sua aprendizagem corresponde a um processo de desenvolvimento lento, gradual e perfect\u00edvel ao longo de toda a vida do indiv\u00edduo. A l\u00edngua \u00e9 um fator de unidade, meio pelo qual os seres humanos exteriorizam os seus afetos, medos, emo\u00e7\u00f5es, etc. Em Angola, a l\u00edngua oficial \u00e9 a portuguesa e \u00e9 usada nos servi\u00e7os administrativos e na diplomacia. Ap\u00f3s a proclama\u00e7\u00e3o da independ\u00eancia nacional, em 11 de Novembro de 1975, o governo adotou o portugu\u00eas como l\u00edngua oficial para convergir os angolanos de Cabinda ao Cunene.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O presente cap\u00edtulo afigura-se importante na medida em que poder\u00e1 servir de objeto de consulta para compreens\u00e3o do funcionamento da l\u00edngua, no \u00e2mbito da lingu\u00edstica contrastiva, mas tamb\u00e9m se reveste de uma import\u00e2ncia inquestion\u00e1vel por duas raz\u00f5es: primeiro, o pa\u00eds clama pela necessidade de se oficializar a variante do portugu\u00eas falado em Angola, com maior urg\u00eancia, nos subsistemas de ensino; segundo, porque no \u00e2mbito da ci\u00eancia da lingu\u00edstica, as informa\u00e7\u00f5es sobre a natureza e as propriedades fon\u00e9ticas e fonol\u00f3gicas da Variante do Portugu\u00eas falado em Angola, no geral, s\u00e3o escassas. Tal fato \u00e9 relatado por Gon\u00e7alves (2013, p.163): \u201cno conjunto dos estudos j\u00e1 dispon\u00edveis sobre o (&#8230;) PA, quase n\u00e3o figuram pesquisas sobre os aspectos f\u00f4nicos que o distinguem do PE\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O cap\u00edtulo est\u00e1 organizado em duas sec\u00e7\u00f5es: (i) percurso hist\u00f3rico da l\u00edngua portuguesa em Angola \u2013 fez-se incurs\u00e3o hist\u00f3rica da l\u00edngua portuguesa em Angola, desde os primeiros contactos entre os portugueses e os angolanos at\u00e9 aprova\u00e7\u00e3o da Constitui\u00e7\u00e3o da Rep\u00fablica de Angola; (ii) Angola: um pa\u00eds lus\u00f3fono ou bant\u00fafono? \u2013 nesta sec\u00e7\u00e3o, inicialmente, discute-se os conceitos de lusofonia e bantufonia recorrendo-se \u00e0 pesquisa bibliogr\u00e1fica e a partir da observa\u00e7\u00e3o assistem\u00e1tica, que permitiu o registro de pron\u00fancias de algumas palavras contribuindo para an\u00e1lise da miscigena\u00e7\u00e3o fonol\u00f3gica da variante do portugu\u00eas falado em Angola. E, por fim, contribuir para a explicita\u00e7\u00e3o e estabelecimento da norma-padr\u00e3o do Portugu\u00eas Angolano (PA).<strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<h6 style=\"text-align: justify;\"><strong>Percurso hist\u00f3rico da L\u00edngua Portuguesa em Angola<\/strong><\/h6>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nenhum povo \u00e9 t\u00e3o forte sem a coopera\u00e7\u00e3o com os outros. Inicialmente, Angola era formado por reinos, e esses mantinham alguma rela\u00e7\u00e3o entre eles, embora cada reino usasse uma l\u00edngua que lhe viria caracterizar. Assim, de acordo com a Declara\u00e7\u00e3o Universal dos Direitos Lingu\u00edsticos (1996), a situa\u00e7\u00e3o de cada l\u00edngua, tendo em conta as considera\u00e7\u00f5es pr\u00e9vias, \u00e9 o resultado da conflu\u00eancia e da intera\u00e7\u00e3o de uma multiplicidade de fatores: pol\u00edtico-jur\u00eddicos; ideol\u00f3gicos e hist\u00f3ricos; demogr\u00e1ficos e territoriais; econ\u00f4micos e sociais; culturais; lingu\u00edsticos e sociolingu\u00edsticos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O percurso hist\u00f3rico da l\u00edngua portuguesa em Angola inicia com a chegada dos portugueses em 1482 (finais do s\u00e9culo XV). Em Angola, o processo da coloniza\u00e7\u00e3o trouxe um mal que veio para o bem: o Portugu\u00eas deixou de ser l\u00edngua estrangeira, l\u00edngua dos colonizadores, sendo declarado oficial (Art.19\u00ba da Constitui\u00e7\u00e3o da Rep\u00fablica de Angola), isto \u00e9, a \u00fanica l\u00edngua utilizada pela popula\u00e7\u00e3o em todos os interesses da vida p\u00fablica. Quivuna (2014, p.23) alerta que, \u201co enquadramento sociolingu\u00edstico do Portugu\u00eas, na popula\u00e7\u00e3o angolana acarreta, a partir da \u00e9poca colonial at\u00e9 ao momento atual do pa\u00eds, dificuldades de ordem oral\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Para a expans\u00e3o do portugu\u00eas no solo angolano deveu-se a tr\u00eas fatores: (i) inser\u00e7\u00e3o da l\u00edngua no sistema educacional, (ii) meio de evangeliza\u00e7\u00e3o e (iii) instrumento de comunica\u00e7\u00e3o da Administra\u00e7\u00e3o p\u00fablica. Quanto \u00e0 inser\u00e7\u00e3o do portugu\u00eas no sistema educacional, Zau (2002) apresenta um invent\u00e1rio de datas que revelam os caminhos pelos quais o processo de inser\u00e7\u00e3o passou, tais como:<\/p>\n<ul>\n<li>1605 \u2013 cria\u00e7\u00e3o da primeira escola de ler e escrever, em Luanda, uma das primeiras de toda a \u00c1frica negra.<\/li>\n<li>1845 \u2013 in\u00edcio do ensino oficial (decreto de 14 de Agosto). Surgimento de escolas de ler, escrever e contar em Luanda e Benguela.<\/li>\n<li>1921 \u2013 proibi\u00e7\u00e3o do ensino de l\u00ednguas africanas em escolas p\u00fablicas e miss\u00f5es religiosas: decreto n\u00ba 77 do governador provincial de Angola, Norton de Matos.<\/li>\n<\/ul>\n<p style=\"text-align: justify;\">A defini\u00e7\u00e3o de uma pol\u00edtica educacional para as col\u00f4nias portuguesas, atrav\u00e9s da qual pudesse ser desencadeada a difus\u00e3o sistem\u00e1tica do portugu\u00eas, s\u00f3 ocorreu efetivamente em 1930, tendo sido adotado o modelo assimilacionista franc\u00eas, segundo o qual a l\u00edngua colonial deveria ser a \u00fanica l\u00edngua de contacto no ensino e o instrumento que propicia a assimila\u00e7\u00e3o cultural.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O portugu\u00eas foi imposto aos angolanos desde os primeiros contactos com o Reino do Congo at\u00e9 a retirada dos portugueses \u2013 1482 a 1975. E \u201c\u00e9 interessante notar que, ao mesmo tempo em que os portugueses queriam for\u00e7ar os angolanos a absorver a sua cultura, eles os reprimiam, n\u00e3o lhes permitindo um conhecimento profundo da cultura portuguesa\u201d (Mingas, 2000, p.33). A intera\u00e7\u00e3o social entre angolanos e portugueses propiciou a permuta lexical\/ lingu\u00edstica e que se deu, inicialmente, por via da interfer\u00eancia e mais tarde por via da transfer\u00eancia lingu\u00edstica. Assim, \u201co contacto de dois povos de l\u00ednguas e culturas diferentes, cria condi\u00e7\u00f5es para o aparecimento de interfer\u00eancias na comunica\u00e7\u00e3o, porquanto cada uma das l\u00ednguas em causa apresenta caracter\u00edsticas diferentes\u201d (Chicuna, 2000).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Assim sendo, na vis\u00e3o de Sacanene (2016), a respeito dos tipos de transfer\u00eancias lingu\u00edsticas \u00e9 preciso referir que existe transfer\u00eancia positiva e negativa. Fala-se de transfer\u00eancia positiva quando o indiv\u00edduo transfere da sua l\u00edngua materna ou de outra l\u00edngua elementos iguais ou suficientemente similares na l\u00edngua que se quer. A ideia de transfer\u00eancia negativa, por sua vez, refere-se aos casos em que o transferido pelo indiv\u00edduo da l\u00edngua primeira para segunda, n\u00e3o coincide, ocasionando erros.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Segundo Sacanene (<em>idem<\/em>), entende-se por interfer\u00eancia o desvio das normas pr\u00f3prias de uma l\u00edngua em virtude de contactos com outra l\u00edngua. A interfer\u00eancia decorre do contacto de duas l\u00ednguas e pode ocorrer a n\u00edvel da fon\u00e9tica, da morfologia, da sintaxe, da sem\u00e2ntica ou do l\u00e9xico. Para este cap\u00edtulo, destacaremos apenas a interfer\u00eancia a n\u00edvel da fon\u00e9tica. Os principais tipos de interfer\u00eancias s\u00e3o:<\/p>\n<ol style=\"text-align: left;\">\n<li>Interfer\u00eancia fon\u00e9tica \u2013 considera-se aqui quatro casos:<\/li>\n<li>a) Intradiferencia\u00e7\u00e3o (ou desfonologiza\u00e7\u00e3o) \u2013 Ocorre quando, as duas l\u00ednguas em contacto, uma deixa de fazer sentir oposi\u00e7\u00e3o fonol\u00f3gica de que se utilizava, por influ\u00eancia da outra, que desconhece tal oposi\u00e7\u00e3o.<\/li>\n<li>b) A supradiferencia\u00e7\u00e3o (ou fonologiza\u00e7\u00e3o) d\u00e1-se quando uma l\u00edngua passa a fazer uma distin\u00e7\u00e3o fon\u00eamica, que n\u00e3o possu\u00eda, em virtude de contactos com outra l\u00edngua, onde tal diferencia\u00e7\u00e3o \u00e9 pertinente.<\/li>\n<li>c) A reinterpreta\u00e7\u00e3o (ou transfonologiza\u00e7\u00e3o) ocorre quando o falante bil\u00edngue reconhece no sistema f\u00f4nico de uma l\u00edngua B tra\u00e7os distintivos que nessa l\u00edngua s\u00e3o redundantes, mas que na l\u00edngua A s\u00e3o pertinentes.<\/li>\n<li>d) A substitui\u00e7\u00e3o f\u00f3nica consiste em realizar um fonema \u2013 que, dentro do sistema, \u00e9 o mesmo nas l\u00ednguas \u201cA\u201d e \u201cB\u201d \u2013, segundo as normas da outra l\u00edngua (o fonema \u201cB\u201d segundo a norma de A ou vice-versa).<\/li>\n<\/ol>\n<p style=\"text-align: justify;\">O estudo da Variante do Portugu\u00eas de Angola n\u00e3o \u00e9 assim t\u00e3o recente. Para Costa (2013, p.9), \u201csem sombra de d\u00favida, o que se fala hoje em Angola \u00e9 uma variante do Portugu\u00eas Europeu, resultante do contacto da L\u00edngua Portuguesa com as L\u00ednguas Nacionais maiorit\u00e1ria [sic]. Tal contacto d\u00e1 a esta variante uma caracter\u00edstica especial, com sotaque pr\u00f3prio, diferente do portugu\u00eas falado em Portugal e no Brasil. Por outro lado, o espa\u00e7o geogr\u00e1fico pode ser o elemento distintivo entre o Portugu\u00eas Angolano (PA) e Portugu\u00eas Europeu (PE). \u201cO contacto entre o Portugu\u00eas e as L\u00ednguas Angolanas deu origem a outra forma de falar o portugu\u00eas em Angola. Assim, os falantes de uma l\u00edngua s\u00e3o capazes de identificar, pela forma de falar de algu\u00e9m, a regi\u00e3o geogr\u00e1fica que representa\u201d (Ntondo, 2015, p.20). Da\u00ed Undolo (2016, p. 143) afirmar que, &#8220;para qualquer falante, independentemente do seu estatuto social, do seu n\u00edvel de escolaridade ou outros fatores, as diferen\u00e7as mais evidentes entre as variedades de uma l\u00edngua s\u00e3o de ordem fon\u00e9tica\u201d.<\/p>\n<h6 style=\"text-align: justify;\"><strong>Angola: um pa\u00eds lus\u00f3fono ou bant\u00fafono?<\/strong><\/h6>\n<p style=\"text-align: justify;\">Toda e qualquer l\u00edngua modifica-se e o espa\u00e7o geogr\u00e1fico pode ser um dos fatores, ou seja, a l\u00edngua sofre altera\u00e7\u00e3o nos n\u00edveis fonol\u00f3gico, morfol\u00f3gico, sint\u00e1tico e sem\u00e2ntico. A maneira como os angolanos pronunciam as palavras n\u00e3o \u00e9 igual \u00e0 dos portugueses pelo fato de a l\u00edngua sofrer altera\u00e7\u00e3o a n\u00edvel fonol\u00f3gico. A palavra lusofonia refere-se aos lusos ou reporta-se aos falantes da l\u00edngua portuguesa? Para Dias, Cordas e Mouta (2007, p.10),<\/p>\n<blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\">Um territ\u00f3rio lus\u00f3fono \u00e9 um espa\u00e7o geogr\u00e1fico onde se fala portugu\u00eas. Constituindo um ganho irrefut\u00e1vel para todos, a constru\u00e7\u00e3o da lusofonia representa simultaneamente um forte tra\u00e7o de uni\u00e3o e de respeito pela diversidade dos povos que, nos diferentes continentes, falam a nossa l\u00edngua. Os pa\u00edses lus\u00f3fonos do continente africano s\u00e3o genericamente designados por PALOP (Pa\u00edses Africanos de L\u00edngua Oficial Portuguesa).<\/p>\n<\/blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\">O que se depreende da posi\u00e7\u00e3o defendida pelas autoras \u00e9 puramente a perspectiva pol\u00edtica, descurando a possibilidade de existir outra forma de falar a l\u00edngua portuguesa, embora reconhe\u00e7am a exist\u00eancia da diversidade cultural entre os povos que constituem o grupo PALOP. De modo a reunir todos os pa\u00edses lus\u00f3fonos, criou-se a CPLP (Comunidade de Pa\u00edses de L\u00edngua Portuguesa) \u2013 uma organiza\u00e7\u00e3o internacional \u2013 a 17 de Julho de 1996, embora Ponso (s\/d, p.150) afirme que \u201cem 1989, por exemplo, criou-se a CPLP e sete anos depois, houve a cria\u00e7\u00e3o dos PALOP\u201d. Com sede em Lisboa, tem por finalidade reunir os pa\u00edses lus\u00f3fonos em torno de tr\u00eas objetivos gerais que se encontram definidos nos seus estatutos: (a) concerta\u00e7\u00e3o pol\u00edtico-diplom\u00e1tica entre os estados-membros; (b) coopera\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica, social, cultural, jur\u00eddica e t\u00e9cnico-cient\u00edfica;(c) promo\u00e7\u00e3o e defesa da l\u00edngua portuguesa.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Para Crist\u00f3v\u00e3o (2005), \u201clusofonia resulta da conjuga\u00e7\u00e3o de duas palavras: uma que se reporta a Luso \u2013 sin\u00f4nimo de lusitano\/Lusit\u00e2nia, ou seja, portugu\u00eas\/Portugal; e a fonia que prov\u00e9m do grego e refere-se \u00e0 l\u00edngua oral\u201d. Todavia, parece ser um espa\u00e7o lingu\u00edstico-cultural que se afirma ao n\u00edvel pol\u00edtico-institucional atrav\u00e9s da CPLP. Para Lopes (2007),<\/p>\n<blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\">A Lusofonia, como conceito, reveste-se de uma dupla faceta: 1) por um lado, surge como uma no\u00e7\u00e3o geral intelectualmente elaborada pelas elites, vivencialmente percepcionada e intu\u00edda por segmentos significativos das popula\u00e7\u00f5es e, em maior ou menor grau, explicitamente assumido pelos respons\u00e1veis pol\u00edticos na multiplicidade dos v\u00e1rios graus das estruturas pol\u00edticas dos v\u00e1rios Estados; e 2) por outro lado, \u00e9, inequivocamente, um conceito em processo hist\u00f3rico de constru\u00e7\u00e3o, em plena projec\u00e7\u00e3o para o futuro.<\/p>\n<\/blockquote>\n<p style=\"text-align: left;\">Segundo Undolo (2014, p. 183), o sistema voc\u00e1lico do portugu\u00eas apresenta algumas caracter\u00edsticas segundo os seguintes par\u00e2metros referentes ao trato vocal supralar\u00edngeo: (i) Estado do v\u00e9u palatino \u2013 oral e nasal; (ii) Zona longitudinal de articula\u00e7\u00e3o \u2013 palatal, central e velar; (iii) Abertura voc\u00e1lica \u2013 aberta, m\u00e9dia e fechada.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Por outro lado, Silva e Sakanene s\u00e3o de opini\u00e3o que Angola devia ser enquadrada nos pa\u00edses da bantufonia. Os autores defendem que a bantufonia \u00e9 \u201co processo pelo qual a l\u00edngua portuguesa falada em Angola passa a ter uma especificidade por influ\u00eancia das l\u00ednguas bantu, ou seja, quando a l\u00edngua portuguesa adquiri, na forma falada, algumas semelhan\u00e7as com as l\u00ednguas bantu, principalmente no n\u00edvel da pron\u00fancia\u201d (Silva e Sakanene, 2011, p.560).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A complexidade que o termo lusofonia acarreta, o termo bantufonia tamb\u00e9m apresenta. Ora, segundo a defini\u00e7\u00e3o de Silva e Sakanene, n\u00e3o se compreende melhor como o sotaque angolano adquiri semelhan\u00e7a com as l\u00ednguas bantu. Dito de outro modo, a defini\u00e7\u00e3o por si s\u00f3 encerra complexidade. Por exemplo, a palavra <strong>obrigado<\/strong>, fruto das observa\u00e7\u00f5es feitas, a maioria dos angolanos pronuncia \/<strong>\u00f2brig\u00e1du<\/strong>\/. A partir deste exemplo, percebe-se o hibridismo que o falante usa para pronunciar a palavra \u201cobrigado\u201d. Entretanto, o sotaque angolano \u00e9 h\u00edbrido. Ou seja, no sotaque angolano h\u00e1 miscigena\u00e7\u00e3o fonol\u00f3gica. Vale lembrar que os sistemas voc\u00e1licos s\u00e3o diferentes e essa diferen\u00e7a faz e far\u00e1 toda diferen\u00e7a na an\u00e1lise da pron\u00fancia das palavras selecionadas. Ntondo (2015, pp. 32-36) apresenta as seguintes caracter\u00edsticas do sistema voc\u00e1lico das l\u00ednguas bantu:<\/p>\n<p>[\/vc_column_text][\/vc_column][\/vc_row][vc_row][vc_column][vc_column_text]<\/p>\n<ol>\n<li>\n<h6><strong> O fonema \/e\/:<\/strong><\/h6>\n<\/li>\n<\/ol>\n<p>Posi\u00e7\u00e3o inicial: \/\u00e8\/<\/p>\n<p>Posi\u00e7\u00e3o interna: \/\u00e9\/<\/p>\n<p>Posi\u00e7\u00e3o final: \/\u00e9\/<\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<ol start=\"2\">\n<li>\n<h6><strong> O fonema \/a\/ <\/strong><\/h6>\n<\/li>\n<\/ol>\n<p>Posi\u00e7\u00e3o interna: \/a\/<\/p>\n<p>Posi\u00e7\u00e3o final: \/\u00e0\/<\/p>\n<ol start=\"3\">\n<li>\n<h6><strong> O fonema \/o\/<\/strong><\/h6>\n<\/li>\n<\/ol>\n<p>Posi\u00e7\u00e3o inicial:\u00a0 \/\u00f2\/<\/p>\n<p>Posi\u00e7\u00e3o interna: \/\u00f3\/<\/p>\n<p>Posi\u00e7\u00e3o final: \/\u00f2\/<\/p>\n<p>De modo a representar o sistema real fonol\u00f3gico do portugu\u00eas falado em Angola, apresentaremos algumas palavras para a devida an\u00e1lise, olhando sobretudo para o sistema voc\u00e1lico.<\/p>\n<h6 style=\"text-align: center;\"><strong>Quadro 1: <\/strong>Representa\u00e7\u00e3o fonol\u00f3gica da variedade angolana<\/h6>\n<table width=\"432\">\n<tbody>\n<tr>\n<td rowspan=\"15\" width=\"142\"><strong>Representa\u00e7\u00e3o fonol\u00f3gica<\/strong><\/td>\n<td width=\"142\"><strong>Palavras<\/strong><\/td>\n<td width=\"149\"><strong>Variedade Angolana<\/strong><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td width=\"142\">Administra\u00e7\u00e3o<\/td>\n<td width=\"149\">\/\u00e0dimini\u0283tr\u00e1s\u00e3u\/<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td width=\"142\">Obrigado<\/td>\n<td width=\"149\">\/\u00f2brig\u00e1du\/<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td width=\"142\">Como<\/td>\n<td width=\"149\">\/k\u00f3mu\/<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td width=\"142\">Beleza<\/td>\n<td width=\"149\">\/b\u00e8l\u00e9za\/<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td width=\"142\">Presidente<\/td>\n<td width=\"149\">\/pr\u00e9zid\u1ebdti\/<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td width=\"142\">Atropelar<\/td>\n<td width=\"149\">\/\u00e0tr\u00f3p\u00e9l\u00e1r\/<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td width=\"142\">Empobrecer<\/td>\n<td width=\"149\">\/\u1ebdp\u00f3br\u00e8c\u00e9r\/<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td width=\"142\">Mala<\/td>\n<td width=\"149\">\/m\u00e1l\u00e0\/<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td width=\"142\">Desgosto<\/td>\n<td width=\"149\">\/d\u00e9\u0283g\u00f3\u0283tu\/<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td width=\"142\">Morar<\/td>\n<td width=\"149\">\/m\u00f3r\u00e1r\/<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td width=\"142\">Namorar<\/td>\n<td width=\"149\">\/n\u00e0m\u00f3r\u00e1r\/<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td width=\"142\">Jogar<\/td>\n<td width=\"149\">\/j\u00f3g\u00e1r\/<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td width=\"142\">Falar<\/td>\n<td width=\"149\">\/f\u00e1l\u00e1r\/<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td width=\"142\">Casa<\/td>\n<td width=\"149\">\/k\u00e1z\u00e0\/<\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<p><strong>Fonte<\/strong>: Elaborado pelo autor<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Com base nos exemplos acima, podemos perceber o seguinte: (i) A realiza\u00e7\u00e3o fonol\u00f3gica \u00e9 h\u00edbrida, ou seja, usa-se os dois sistemas \u2013 lus\u00f3fono e bant\u00fafono; (ii) A vogal <strong>O <\/strong>somente \u00e9 fechada na posi\u00e7\u00e3o final na l\u00edngua portuguesa e n\u00e3o nas l\u00ednguas bantu; (iii) H\u00e1 maior probabilidade em abrir as vogais fechadas; (iv) A vogal <strong>A<\/strong> na posi\u00e7\u00e3o inicial, embora n\u00e3o pertencendo nem sendo s\u00edlaba t\u00f4nica, \u00e9 semiaberta; (v) as l\u00ednguas bantu s\u00e3o tonais e n\u00e3o t\u00eam s\u00edlabas t\u00f4nicas e \u00e1tonas. Ora, o que se percebe nos exemplos acima, temos palavras com mais de uma s\u00edlaba t\u00f4nica. Pelo fato de a variante do portugu\u00eas falado em Angola ser uma mistura por causa do contacto entre o portugu\u00eas e as l\u00ednguas angolanas de origem africana, ent\u00e3o, seria mais simp\u00e1tico chamarmos de uma l\u00edngua h\u00edbrida, ou seja miscigenada do ponto de vista fonol\u00f3gico.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h6><strong>Considera\u00e7\u00f5es finais<\/strong><\/h6>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ao longo do cap\u00edtulo, discutiu-se, inicialmente, sobre o percurso hist\u00f3rico da l\u00edngua portuguesa em Angola que teve in\u00edcio em finais do s\u00e9culo XV \u2013 1482. A l\u00edngua portuguesa foi consagrada como l\u00edngua oficial, segundo atesta a Constitui\u00e7\u00e3o da Rep\u00fablica de Angola no seu artigo 19, embora Quivuna alerte que, o enquadramento sociolingu\u00edstico do portugu\u00eas, na popula\u00e7\u00e3o angolana acarreta, a partir da \u00e9poca colonial at\u00e9 ao momento atual do pa\u00eds, dificuldades de ordem oral. A expans\u00e3o do portugu\u00eas no solo angolano deveu-se a tr\u00eas fatores: (i) inser\u00e7\u00e3o da l\u00edngua no sistema educacional, (ii) meio de evangeliza\u00e7\u00e3o e (iii) instrumento de comunica\u00e7\u00e3o da administra\u00e7\u00e3o p\u00fablica. Entretanto, quanto ao ensino oficial da l\u00edngua portuguesa, destaca-se a data de 1845.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na segunda sec\u00e7\u00e3o discutiu-se sobre os conceitos de lusofonia e bantufonia e, posteriormente, analisou-se a miscigena\u00e7\u00e3o fonol\u00f3gica da variante do portugu\u00eas falado em Angola. Lusofonia \u00e9 uma palavra resultante da conjuga\u00e7\u00e3o de luso e fonia, podendo ser entendida como um espa\u00e7o geogr\u00e1fico onde se fala portugu\u00eas, por\u00e9m, ainda \u00e9 um conceito em processo hist\u00f3rico de constru\u00e7\u00e3o. Por outro lado, Silva e Sakanene s\u00e3o de opini\u00e3o que Angola devia ser enquadrada nos pa\u00edses da bantufonia por apresentar uma pron\u00fancia influenciada pelas l\u00ednguas bantu ou por ter algumas semelhan\u00e7as fonol\u00f3gicas com as l\u00ednguas bantu.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A l\u00edngua como um sistema aberto vai sofrendo altera\u00e7\u00e3o ao longo dos tempos e a l\u00edngua n\u00e3o \u00e9 homog\u00eanea para todas as terras onde \u00e9 falada, da\u00ed que o sotaque angolano \u00e9 diferente a do portugu\u00eas. A complexidade que o termo lusofonia acarreta, o termo bantufonia tamb\u00e9m apresenta. Na defini\u00e7\u00e3o apresentada por Silva e Sakanene de bantufonia n\u00e3o se compreende melhor como o sotaque angolano adquiri semelhan\u00e7a com as l\u00ednguas bantu. Dito de outro modo, a defini\u00e7\u00e3o por si s\u00f3 encerra complexidade. Tom\u00e1mos como exemplo a palavra <strong>d<\/strong><strong>esgosto <\/strong>e fazendo uma an\u00e1lise da miscigena\u00e7\u00e3o fonol\u00f3gica, a pron\u00fancia \u00e9 \/<strong>d\u00e9\u0283g\u00f3\u0283tu<\/strong>\/. A partir deste exemplo, percebe-se a miscigena\u00e7\u00e3o fonol\u00f3gica na palavra \u201cdesgosto\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em suma, ao longo do cap\u00edtulo respondemos a quest\u00e3o se Angola \u00e9 um pa\u00eds lus\u00f3fono ou bant\u00fafono. Nisto, compreendeu-se que n\u00e3o \u00e9 lus\u00f3fono nem bant\u00fafono. Ou seja, pelo quadro apresentado, o portugu\u00eas angolano \u00e9 h\u00edbrido.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h6><strong>Refer\u00eancias bibliogr\u00e1ficas<\/strong><\/h6>\n<p>Chicuna, A. M. (2000), <em>Interfer\u00eancia do Portugu\u00eas na Antropon\u00edmia do Mayombe<\/em>, Monografia apresentada ao ISCED, Universidade Agostinho Neto, Luanda.<\/p>\n<p>Angola (2010). <em>Constitui\u00e7\u00e3o da Rep\u00fablica de Angola<\/em>, Luanda.<\/p>\n<p>Costa, T. M. C. J. (2013), <em>Os empr\u00e9stimos das l\u00ednguas Bantu no portugu\u00eas falado em Angola: um estudo lexicol\u00f3gico da variante angolana<\/em>, Luanda.<\/p>\n<p>Crist\u00f3v\u00e3o, F. (2005), Lusofonia. In Crist\u00f3v\u00e3o, F.; Amorim, M.\u00a0A.; Marques, M. L. G. &amp; Moita, S. B. (Org). Dicion\u00e1rio Tem\u00e1tico da lusofonia, Lisboa, Textos Editores e Associa\u00e7\u00e3o de Cultura Lus\u00f3fona, pp.652-656<\/p>\n<p>UNESCO (1996). <em>Declara\u00e7\u00e3o Universal dos Direitos Lingu\u00edsticos<\/em>, Barcelona.<\/p>\n<p>Dias, D.; Cordas, J. &amp; Mouta, M. (2007), <em>Em Portugu\u00eas? Claro!<\/em> Porto Editora, Porto.<\/p>\n<p>Gon\u00e7alves, P. (2013), <em>O portugu\u00eas em \u00c1frica<\/em>. In: Raposo, E. B. P. et al. (Org.), Gram\u00e1tica do Portugu\u00eas. Lisboa: Funda\u00e7\u00e3o Calouste Gulbenkian, I, pp. 157-178.<\/p>\n<p>Lopes, E. R. (2007), Lusofonia: Conceito e realidade. In Comunidade de Pa\u00edses de L\u00edngua Portuguesa, Not\u00edcias CPLP, ano 1, n.\u00ba1, Dossier Especial Express\u00e3o, Julho-Agosto, p.4.<\/p>\n<p>Mingas, A. A. (2000), <em>Interfer\u00eancia do kimbundu no portugu\u00eas falado em Lwanda<\/em>, Luanda, Ch\u00e1 de Caxinde.<\/p>\n<p>Ntondo, Z. (2015), <em>Fonologia e Morfologia do Oshikwanyama<\/em>, Luanda, Editora Mayamba.<\/p>\n<p>Ponso, L. C. (s\/d), <em>O Portugu\u00eas no Contexto Multil\u00edngue de Angola<\/em>, Universidade Federal Fluminense. p.147-162<\/p>\n<p>Quivuna, M. (2014), <em>Lexicologia aplicada ao ensino do l\u00e9xico em portugu\u00eas l\u00edngua n\u00e3o materna<\/em>, Lisboa, Edi\u00e7\u00f5es Colibri.<\/p>\n<p>Sacanene, B. S. (2016), <em>Angolaniza\u00e7\u00e3o do Portugu\u00eas: perspectivas para uma variedade Angolana<\/em>. Disserta\u00e7\u00e3o de Mestrado apresentado \u00e0 Faculdade de Letras da Universidade Agostinho Neto, Luanda.<\/p>\n<p>Silva, J. F. &amp; Sakanene, B. S. (2011), <em>A bantufonia na variedade angolana do portugu\u00eas.\u00a0 In <\/em>Simp\u00f3sio Internacional sobre L\u00edngua Portuguesa, S\u00e3o Paulo. p. 560-568.<\/p>\n<p>Sousa Galito, M. (2012), Conceito de lusofonia. CI-CPRI, AI, n.\u00ba16. pp. 1- 21.<\/p>\n<p>Undolo, M. (2014). Caracteriza\u00e7\u00e3o do sistema voc\u00e1lico do portugu\u00eas culto falado em Angola. <em>Revista de Filolog\u00eda Rom\u00e1nica<\/em>, Madrid. vol. 31, n\u00fam. 2, p.181-187.<\/p>\n<p>Undolo, M. (2016), <em>A norma do Portugu\u00eas em Angola:<\/em> subs\u00eddios para o seu estudo. Caxito, ESP-Bengo.<\/p>\n<p>Zau, F. (2002). <em>Angola:<\/em> Trilhos para o desenvolvimento, Lisboa, Universidade Aberta.<\/p>\n<p>[\/vc_column_text][\/vc_column][\/vc_row][vc_row][vc_column][\/vc_column][\/vc_row]<\/p>\n<\/div>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O dom\u00ednio de uma l\u00edngua implica a utiliza\u00e7\u00e3o, de forma proficiente, da fala e da escrita para que o ser humano se comunique com os demais. Logo, a sua aprendizagem corresponde a um processo de desenvolvimento lento, gradual e perfect\u00edvel ao longo de <\/p>\n","protected":false},"author":35,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"_themeisle_gutenberg_block_has_review":false,"footnotes":""},"categories":[42],"tags":[45],"ppma_author":[77],"class_list":["post-1189","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-outros","tag-estudos-linguisticos","author-antonio-januario-b-pedro"],"acf":[],"authors":[{"term_id":77,"user_id":35,"is_guest":0,"slug":"antonio-januario-b-pedro","display_name":"Ant\u00f3nio Janu\u00e1rio B. Pedro","avatar_url":"https:\/\/secure.gravatar.com\/avatar\/4660ef68e36c49feb20b4d89e6c80dd1132bfc1f09393a238a4101824457c12c?s=96&d=mm&r=g","author_category":"","first_name":"","last_name":"","user_url":"","first_name_2":"","last_name_2":"","job_title":"","description":""}],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/akweno.ao\/ulitteragris\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1189","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/akweno.ao\/ulitteragris\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/akweno.ao\/ulitteragris\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/akweno.ao\/ulitteragris\/wp-json\/wp\/v2\/users\/35"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/akweno.ao\/ulitteragris\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1189"}],"version-history":[{"count":12,"href":"https:\/\/akweno.ao\/ulitteragris\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1189\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":1201,"href":"https:\/\/akweno.ao\/ulitteragris\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1189\/revisions\/1201"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/akweno.ao\/ulitteragris\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1189"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/akweno.ao\/ulitteragris\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1189"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/akweno.ao\/ulitteragris\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1189"},{"taxonomy":"author","embeddable":true,"href":"https:\/\/akweno.ao\/ulitteragris\/wp-json\/wp\/v2\/ppma_author?post=1189"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}