{"id":1173,"date":"2024-04-24T22:12:32","date_gmt":"2024-04-24T22:12:32","guid":{"rendered":"https:\/\/akweno.ao\/ulitteragris\/?p=1173"},"modified":"2024-04-29T23:12:27","modified_gmt":"2024-04-29T23:12:27","slug":"influencia-da-lingua","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/akweno.ao\/ulitteragris\/2024\/04\/24\/influencia-da-lingua\/","title":{"rendered":"Influ\u00eancia Da L\u00edngua Kimbundu No Portugu\u00eas Falado Em Angola"},"content":{"rendered":"<div class=\"wpb-content-wrapper\"><p>[vc_row][vc_column][vc_column_text]<\/p>\n<h6 style=\"text-align: justify;\"><strong>Resumo <\/strong><\/h6>\n<p style=\"text-align: justify;\">A l\u00edngua Kimbundu tem mantido uma influ\u00eancia no Portugu\u00eas falado em Angola dando, desta forma, uma marca t\u00edpica Angolana. Esta influ\u00eancia deve-se pelo contacto das duas l\u00ednguas no territ\u00f3rio angolano. Pois, para a realidade angolana, h\u00e1 falantes que t\u00eam a l\u00edngua Kimbundu como a l\u00edngua primeira e outros como a l\u00edngua segunda e o mesmo acontecem com a l\u00edngua portuguesa, fruto disso, alguns falantes trazem a estrutura do Kimbundu no portugu\u00eas falado em Angola.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Palavras-chave:<\/strong> influ\u00eancia, Kimbundu, Portugu\u00eas, prefixo nominal<\/p>\n<h6><strong>Introdu\u00e7\u00e3o <\/strong><\/h6>\n<p style=\"text-align: justify;\">O contacto entre povos e suas l\u00ednguas \u00e9 um processo inevit\u00e1vel na realidade humana; ocorre sempre numa situa\u00e7\u00e3o em que uma sociedade ou um indiv\u00edduo utiliza consoante a circunst\u00e2ncia do processo migrat\u00f3rio das pessoas. Assim, na realidade africana o contacto entre os dois povos come\u00e7ou propriamente no s\u00e9culo XV, com a chegada de Diogo C\u00e3o e a sua tripula\u00e7\u00e3o a foz do rio Zaire \u201cNzadi\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Considerar que, no caso do contacto existente entre o portugu\u00eas e as l\u00ednguas nacionais de Angola, o mesmo \u00e9 permanente, tendo provocado algumas mudan\u00e7as assinal\u00e1veis nalguns paradigmas gramaticais do Portugu\u00eas, facto que conduziu ao ponto de se ter uma fei\u00e7\u00e3o nitidamente angolana, sinal mais do que evidente da mudan\u00e7a lingu\u00edstica ou varia\u00e7\u00e3o, fruto deste contacto.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Considerando o processo colonial em Angola, o portugu\u00eas tornou-se a l\u00edngua oficial da actual Rep\u00fablica de Angola, como se pode conferir na Constitui\u00e7\u00e3o da Rep\u00fablica de Angola no seu artigo 19\u00ba na alinha n\u00ba 1 quando afirma que \u201ca l\u00edngua oficial da Republica de Angola \u00e9 o Portugu\u00eas\u201d.<\/p>\n<ol style=\"text-align: justify;\">\n<li>\n<h6><strong>O contacto da l\u00edngua Kimbundu com portugu\u00eas <\/strong><\/h6>\n<\/li>\n<\/ol>\n<p style=\"text-align: justify;\">O contacto do Kimbundu com o Portugu\u00eas ou vice-versa fez com que surgisse v\u00e1rios fen\u00f3menos lingu\u00edsticos e transforma\u00e7\u00e3o na fala de muitos locutores da l\u00edngua Kimbundu e da l\u00edngua portuguesa.<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\">O Kimbundu \u00e9 uma l\u00edngua de Angola falada pelo grupo \u00e9tnico-lingu\u00edstico Ambundu. Os Ambundu s\u00e3o oriundos dos bantu e, por sua vez, os bantu s\u00e3o oriundos dos proto-bantu. Assim, Os falantes desta l\u00edngua s\u00e3o chamados de ambundu (Pl), (Sg, mumbundu).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No territ\u00f3rio angolano, os Ambundu entraram pela parte norte e fixaram-se nas prov\u00edncias de Malanje, Kwanza Norte, Luwanda, Bengu e o norte do Kwanza Sul como se pode conferir em Mingas (2000). Assim, segundo Fernandes e Zavoni (2002:43), \u201cO grupo vive numa grande extens\u00e3o do territ\u00f3rio nacional, que se estende entre o mar e o rio Kwangu ultrapassando o curso deste para leste. O mesmo seguiu para o sul abrangendo o baixo e o m\u00e9dio Kwanza\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">De acordo com os dados apresentados pelo CENSO realizado em 2014, podemos constatar os dados actualizados sobre o total de falantes das v\u00e1rias l\u00ednguas de Angola, o caso espec\u00edfico de Kimbundu que apresenta uma percentagem de 7,82%, sendo considerada como a segunda l\u00edngua mais falada em Angola, depois do Umbundu.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Segundo Fernandes e Zavoni (2002:46), esta l\u00edngua faz fronteia com as seguintes l\u00ednguas: ao norte o Kikongo, ao sul Umbundu e este o Cokwe, partilhando desta forma a zona (H), com a l\u00edngua Kikongo. Segundo a classifica\u00e7\u00e3o de Malcolm Guthrie apud SANTIAGO (2013), coloca-se a l\u00edngua Kimbundu na zona H20. Portanto, a l\u00edngua Kimbundu, em Angola, \u00e9 a l\u00edngua primeira e segunda de muitos falantes.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O prtugu\u00eas em Angola assume-se como a l\u00edngua oficial, para todos os angolanos, e l\u00edngua primeira para um grupo de angolanos, pois, segundo alguns estudos, afirma-se que o portugu\u00eas, at\u00e9 ao presente momento, n\u00e3o \u00e9 l\u00edngua de primeiro contacto de alguns falantes. \u00a0Para Galisson e Coste (1983:442), \u201ca l\u00edngua primeira \u00e9 assim chamada porque \u00e9 aprendida como primeiro instrumento de comunica\u00e7\u00e3o, desde a mais tenra idade e \u00e9 utilizada no pa\u00eds de origem do sujeito falante\u201d. Apegamdo-se na ideia destes autores, \u00e9 possivel concordarmos com o que os pesquisadores afirmam, pois, em muitos casos, s\u00e3o as l\u00ednguas nacionais a sumirem o papel de l\u00edngua primeira.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Considerando os resultados preliminares do Censo 2014, mostram que a popula\u00e7\u00e3o residente em Angola era de 24,3 milh\u00f5es de habitantes, sendo 11,8 milh\u00f5es do sexo masculino (48%) e 12,5 milh\u00f5es do sexo feminino (52%). Considerando os resultados acima presentados a que dizer que para as l\u00ednguas que se falam em Angola, o portugu\u00eas ocupa um n\u00famero considerado de 16.090.741, tendo como percentagem de 71,15%. Assim, observando estes dados e comparando com os dados da l\u00edngua Kimbundu, podemos concluir que o portugu\u00eas \u00e9 hoje l\u00edngua primeira de muitos angolanos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os pa\u00edses colonizados pelos portugueses, inicialmente, n\u00e3o tinham o portugu\u00eas como l\u00edngua materna, mas estrangeira como afirma Quivuna (2014:40). Deste modo, o portugu\u00eas era l\u00edngua do dom\u00ednio dos portugueses e duma minoria de habitantes aut\u00f3ctones que habitavam nas cidades, no caso de Luanda, essa ideia \u00e9 partilhada por Mingas (2000), pois depois das independ\u00eancias e do processo de escolariza\u00e7\u00e3o, a l\u00edngua portuguesa ganhou um estatuto de l\u00edngua oficial e de escolariza\u00e7\u00e3o fazendo com que muitos aut\u00f3ctones adquirissem essa l\u00edngua como primeira em fun\u00e7\u00e3o do seu desenvolvimento lingu\u00edstico.<\/p>\n<ol style=\"text-align: left;\" start=\"2\">\n<li>\n<h6><strong>A caracteriza\u00e7\u00e3o da estrutura da l\u00edngua Kimbundu<\/strong><\/h6>\n<\/li>\n<\/ol>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nas l\u00ednguas bantu e em particular o Kimbundu, as classes de prefixos constituem a categoria b\u00e1sica na qual as formas se encontram flexionadas. Numa l\u00edngua bantu, cada substantivo situa-se dentro de uma s\u00e9rie juntamente com os outros substantivos que compartilham o mesmo classificador que \u00e9 um prefixo nominal (PN) que regem a concord\u00e2ncia das palavras dependentes (adjetivos, pronomes, verbos) atrav\u00e9s da repeti\u00e7\u00e3o do classificador sob a forma de prefixos adjetivais (PA), pronominais (PP) ou infixos (IN). As classes agrupam-se duas a duas para expressar o singular e o plural sem esquecer a exist\u00eancia de outros sistemas (substantivos monocl\u00e1ssicos e pluricl\u00e1ssicos, etc), ou seja, os prefixos nominais se repetem no decorrer de toda a frase para assim fazer a concord\u00e2ncia com as outras palavras relacionadas a eles. Quanto a n\u00famero das classes, a l\u00edngua Kimbundu tem 18 classes, na qual 15 s\u00e3o prefixos nominais (PN) e outros 3 s\u00e3o locativos.<\/p>\n<p>[\/vc_column_text][\/vc_column][\/vc_row][vc_row][vc_column][vc_column_text]<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Estes prefixos funcionam para indicar o g\u00e9nero, o n\u00famero e at\u00e9 mesmo o grau aumentativo e diminutivo dos substantivos. Um prefixo nominal \u00e9 catalisador de todos os acordos e \u00e9 presente em todas as circunst\u00e2ncias. Os prefixos nominais regem o funcionamento tanto para o singular quanto para o plural e o sentido de concord\u00e2ncia em todas as l\u00ednguas Bantu.<\/p>\n<h6><strong>Classes nominais da l\u00edngua Kimbundu<\/strong><\/h6>\n<table width=\"354\">\n<tbody>\n<tr>\n<td width=\"71\">Classes<\/td>\n<td width=\"71\">PN<\/td>\n<td width=\"71\">PP<\/td>\n<td width=\"71\">PA<\/td>\n<td width=\"71\">PV<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td width=\"71\">1<\/td>\n<td width=\"71\">mu-<\/td>\n<td width=\"71\">mu-<\/td>\n<td width=\"71\">mu-<\/td>\n<td width=\"71\">mu-<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td width=\"71\">2<\/td>\n<td width=\"71\">a-<\/td>\n<td width=\"71\">a-<\/td>\n<td width=\"71\">a-<\/td>\n<td width=\"71\">a-<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td width=\"71\">3<\/td>\n<td width=\"71\">mu-<\/td>\n<td width=\"71\">mu-<\/td>\n<td width=\"71\">mu-<\/td>\n<td width=\"71\">mu-<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td width=\"71\">4<\/td>\n<td width=\"71\">mi-<\/td>\n<td width=\"71\">mi-<\/td>\n<td width=\"71\">mi-<\/td>\n<td width=\"71\">mi-<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td width=\"71\">5<\/td>\n<td width=\"71\">di-<\/td>\n<td width=\"71\">di-<\/td>\n<td width=\"71\">di-<\/td>\n<td width=\"71\">di-<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td width=\"71\">6<\/td>\n<td width=\"71\">ma-<\/td>\n<td width=\"71\">ma-<\/td>\n<td width=\"71\">ma-<\/td>\n<td width=\"71\">ma-<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td width=\"71\">7<\/td>\n<td width=\"71\">ki-<\/td>\n<td width=\"71\">ki-<\/td>\n<td width=\"71\">ki-<\/td>\n<td width=\"71\">ki-<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td width=\"71\">8<\/td>\n<td width=\"71\">i-<\/td>\n<td width=\"71\">i-<\/td>\n<td width=\"71\">i-<\/td>\n<td width=\"71\">i-<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td width=\"71\">9<\/td>\n<td width=\"71\">i-, \u00d8<\/td>\n<td width=\"71\">i-<\/td>\n<td width=\"71\">i-<\/td>\n<td width=\"71\">i-<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td width=\"71\">10<\/td>\n<td width=\"71\">ji-<\/td>\n<td width=\"71\">ji-<\/td>\n<td width=\"71\">ji-<\/td>\n<td width=\"71\">ji-<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td width=\"71\">11<\/td>\n<td width=\"71\">lu-<\/td>\n<td width=\"71\">lu-<\/td>\n<td width=\"71\">lu-<\/td>\n<td width=\"71\">lu-<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td width=\"71\">12<\/td>\n<td width=\"71\">ka-<\/td>\n<td width=\"71\">ka-<\/td>\n<td width=\"71\">ka-<\/td>\n<td width=\"71\">ka-<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td width=\"71\">13<\/td>\n<td width=\"71\">tu-<\/td>\n<td width=\"71\">tu-<\/td>\n<td width=\"71\">tu-<\/td>\n<td width=\"71\">tu-<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td width=\"71\">14<\/td>\n<td width=\"71\">u-<\/td>\n<td width=\"71\">u-<\/td>\n<td width=\"71\">u-<\/td>\n<td width=\"71\">u-<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td width=\"71\">15<\/td>\n<td width=\"71\">ku-<\/td>\n<td width=\"71\">ku-<\/td>\n<td width=\"71\">ku-<\/td>\n<td width=\"71\">ku-<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td width=\"71\">16<\/td>\n<td width=\"71\">bhu-<\/td>\n<td width=\"71\"><\/td>\n<td width=\"71\"><\/td>\n<td width=\"71\"><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td width=\"71\">17<\/td>\n<td width=\"71\">ku-<\/td>\n<td width=\"71\"><\/td>\n<td width=\"71\"><\/td>\n<td width=\"71\"><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td width=\"71\">18<\/td>\n<td width=\"71\">mu-<\/td>\n<td width=\"71\"><\/td>\n<td width=\"71\"><\/td>\n<td width=\"71\"><\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<p>[\/vc_column_text][\/vc_column][\/vc_row][vc_row][vc_column][vc_column_text]<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Sistema foi fundado na reparti\u00e7\u00e3o de nomes em classes na base de emparelhamento singular\/plural. Esse emparelhamento que determina o n\u00famero atribuido a cada classe, atribui-se geralmente os n\u00fameros \u00edmpares as classes do singular e os n\u00fameros pares as classes do plural. Cada classe plural recebe o n\u00famero par, segundo o n\u00famero da classe singular a qual ela responde. Mas \u00e9 preciso prestar bastante aten\u00e7\u00e3o \u00e0 classe 14 que forma o seu plural com a classe 2 ou 6 e classe 15 que representa o prefixo verbal (PV) e quando se refere ao sujeito, cria o plural com a classe 6.<\/p>\n<p><strong>Classe 1<\/strong> (singular) \u00e9 representada pelo prefixo <em>-mu<\/em>, este serve para referir-se aos seres humanos. Como exemplo temos: mutu (pessoa), muhatu (mulher), muloji (feiticeiro). Quanto ao plural, a classe 1 faz com a classe 2.<\/p>\n<p><strong>Classe 2<\/strong> (plural) \u00e9 representada pelo prefixo <em>a-<\/em>, como exemplos temos: atu (pessoas), ahatu (mulheres), aloji (feiticeiros).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Classe 3<\/strong> (singular) \u00e9 representada pelo prefixo <em>mu-<\/em>, tamb\u00e9m serve para indica nomes de pessoas, partes do corpo humano e animal, plantas, criaturas m\u00edsticas, astros e v\u00e1rios objectos. Para exemplificar: muzangala (jovem, rapaz), muxitu (selva), mukixi (ser m\u00edstico), mwanya (sol), muzumbu (l\u00e1bio), A classe 3 faz o plural com a classe 4.<\/p>\n<p><strong>Classe 4<\/strong> (plural) \u00e9 representada pelo prefixo <em>m-i<\/em>. Exemplos: mizangala (jovens, rapazes), mixitu (selvas), mikixi (seres m\u00edsticos).<\/p>\n<p><strong>Classe 5<\/strong> (singular) \u00e9 representada pelo prefixo <em>di-<\/em>, tamb\u00e9m serve para indicar alguns nomes de humanos e seres m\u00edsticos, nomes qualquer, v\u00e1rios objectos, astros, animais e partes do corpo. Exemplos: diyala (homem, rapaz), dikamba (amigo), dikota (mais velho).<\/p>\n<p><strong>Classe 6<\/strong> (plural) \u00e9 representada pelo prefixo <em>ma-<\/em>. Exemplos: mayala (homens, rapazes), makamba (amigos), makota (mais velhos).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Classe 7<\/strong> (singular) \u00e9 representada pelo prefixo <em>Ki-<\/em>, serve para indicar nomes de pessoas e lugares, substantivos abstratos, partes do corpo, objectos e serve tamb\u00e9m para fazer o aumentativo dos nomes. Temos como exemplo: kilumba (mo\u00e7a, rapariga), kitanda (pra\u00e7a ou mercado informal), Kitembo (vento), Kinama (perna), Kyala (unha). A classe 7 faz o seu plural com a classe 8.<\/p>\n<p><strong>Classe 8<\/strong> (Plural) \u00e9 representada pelo prefixo <em>i-<\/em>. Exemplos: ilumba (mo\u00e7as, raparigas), itanda (pra\u00e7as), inama (pernas), isuxi (ombros), iyala (unhas).<\/p>\n<p><strong>Classe 9 <\/strong>(singular) \u00e9 representada pelo prefixo <em>i-<\/em> ou pelo morfema zero (\u00d8), na aus\u00eancia do prefixo da palavra. Serve para indicar nomes divinos, de animais e abstratos, partes do corpo, objectos e astros. Exemplos: Nzambi (Deus), Nzumbi (espirito), sanji (galinha). O seu plural \u00e9 feito com a classe 10.<\/p>\n<p><strong>Classe 10<\/strong> (Plural) \u00e9 representada pelo prefixo <em>Ji-<\/em>. Exemplo: Jinzambi (deuses), jinzumbi (esp\u00edritos), jisanji (galinhas).<\/p>\n<p><strong>Classe 11<\/strong> (singular) \u00e9 representada pelo prefixo <em>lu-<\/em>. Serve para indicar partes do corpo, objectos e astros. Exemplos: lukwaku (bra\u00e7o), lungoji (corda pequena). A classe 11 o seu plural \u00e9 feito com as classes 6. Exemplo: makwaku (bra\u00e7os).<\/p>\n<p><strong>Classe 12<\/strong> (singular) \u00e9 representada pelo prefixo <em>ka-<\/em>. Serve para indicar nomes diversos e para formar o diminutivo dos nomes e tamb\u00e9m a realiza\u00e7\u00e3o da nega\u00e7\u00e3o. Exemplo: Kalunga (mar), Kadikalu (carrito). Para fazer o seu plural, a casse 12 junta-se a classe 13. Por exemplo, tulunga (mares).<\/p>\n<p><strong>Classe 14<\/strong> (singular) \u00e9 representada pelo prefixo <em>u-<\/em>. Serve para indicar substantivos abstratos e outros, e objectos. Exemplos: uta (arma). A classe 14, tamb\u00e9m \u00e9 isolada, n\u00e3o tem par como as outras classes, por esta raz\u00e3o, o seu plural \u00e9 feito com a classe 6.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Classe 15<\/strong>, representada pelo prefixo <em>Ku-<\/em>, serve para indicar o infinitivo dos verbos. Por exemplo: Kutanga (ler), Kudya (comer), kuzeka (dormir). Mas esta classe pode tamb\u00e9m servir-se de verbo-nominal, quando este faz o papel de nome. Quando isso acontce, faz-se o plural coma classe 6. Por exemplo: Kudya (comida); madya (comidas).<\/p>\n<p><strong>Classe 16<\/strong> (locativa) representada pelo prefixo <em>bhu-<\/em>, \u00e9 uma classe. Serve para indica lugar externo, proximidade ou distancia, encima de algo e tamb\u00e9m dire\u00e7\u00e3o. Exemplos: bhumwanya (no sol), bhudilonga (no prato).<\/p>\n<p><strong>Classe 17<\/strong> (locativa) \u00e9 representada pelo prefixo <em>ku-<\/em>. Serve para indica lugar externo, proximidade ou distancia, encima de algo e dire\u00e7\u00e3o. Exemplos: Kumabya (na lavra), kulukwaku (no bra\u00e7o).<\/p>\n<p><strong>Calasse 18<\/strong> (locativa) \u00e9 representada pelo prefixo <em>mu-<\/em>. Serve para indicar lugar interno. Exemplos: mudikalo (dentro do carro), monzo (dentro de casa), mudyulu (no c\u00e9u).<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h6><strong>3. Interfer\u00eancia na pluraliza\u00e7\u00e3o <\/strong><\/h6>\n<p>A l\u00edngua portuguesa, no que toca \u00e0 pluraliza\u00e7\u00e3o, consiste no processo de sufixa\u00e7\u00e3o que, por norma, faz-se o acrescimo da letra (s) no final de uma palavra na sua forma singular, com excep\u00e7\u00e3o dos nomes invari\u00e1veis em n\u00fameros.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O Kimbundu \u00e9 uma l\u00edngua prefixial em que os nones se agrupam num certo n\u00famero de classes que se colocam no seu princ\u00edpio para dar-lhes a no\u00e7\u00e3o de Singular ou Plural. Para a l\u00edngua Kimbundu, os prefixos nominais regem o funcionamento tanto para o singular, quanto para o plural e o sentido de concord\u00e2ncia em todas as frases. O plural, para a l\u00edngua Kimbundu, faz-se no princ\u00edpio do nome num processo de prefixa\u00e7\u00e3o, ao passo que para a l\u00edngua portuguesa d\u00e1-se o contr\u00e1rio, faz-se no fim dos nomes (sufixa\u00e7\u00e3o). Dando est\u00e1 oposi\u00e7\u00e3o aos falantes do Kimbundu, que tamb\u00e9m s\u00e3o falantes da l\u00edngua portuguesa como l\u00edngua segunda, tendem \u00e0 altera\u00e7\u00e3o da norma da l\u00edngua portuguesa, para um portugu\u00eas com caracter\u00edsticas da l\u00edngua Kimbundu. Como exemplos, apresentamos v\u00e1rias frases selecionadas do portugu\u00eas que se tem falado por alguns indiv\u00edduos em Angola.<\/p>\n<p>1 &#8211; Portugu\u00eas Europeu: \u00c9 a dona dos cabritos;<\/p>\n<p>Portugu\u00eas falando em Angola: \u00c9 a dona dos cabrito;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>2 \u2013 Portugu\u00eas Europeu: temos muitas casas;<\/p>\n<p>Portugu\u00eas falado em Angola: temos muitas casa;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>3 \u2013 Portugu\u00eas europeu: tenho tr\u00eas p\u00e3es;<\/p>\n<p>Portugu\u00eas falado em Angola: tenho tr\u00eas p\u00e3o;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 not\u00f3ria a altera\u00e7\u00e3o da norma atrav\u00e9s do posicionamento da letra (s) em vez de colocar-se no fim da palavra, ela \u00e9 sumida na flex\u00e3o. Estes casos denotam uma clara interfer\u00eancia da l\u00edngua Kimbundu, pois, nos exemplos 1, 2 e 3 apresentam, claramente, as caracter\u00edsticas da norma do kimbundu no portugu\u00eas falado em Angola;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Esses desvios da norma do plural da l\u00edngua portuguesa por alguns falantes do portugu\u00eas em Angola \u00e9 fruto de uma fiel tradu\u00e7\u00e3o da l\u00edngua Kimbundu para a l\u00edngua portuguesa, pois, para o Kimbundu, a pluraliza\u00e7\u00e3o, como j\u00e1 dissemos acima, \u00e9 feita por um processo de prefixa\u00e7\u00e3o e isso influencia naquilo que \u00e9 o falar do portugu\u00eas em Angola, como podemos ilustrar nos exemplos abaixo:<\/p>\n<ul>\n<li>Muhatu wami (minha mulher)<\/li>\n<\/ul>\n<p>Ahatu ami (minhas mulheres)<\/p>\n<p>O (mu-) \u00e9 um prefixo nominal de classe 1 indica o singular e o (hatu) \u00e9 o base nominal. Para realizar o plural junta-se o prefixo nominal de classe 2 (a-) \u00e0 base nominal (hatu) logo temos o Plural na l\u00edngua Kimbundu. Para clarificar, vamos apresentar a segmenta\u00e7\u00e3o morfol\u00f3gica das frases acima:<\/p>\n<p>Ex: muhatu wami<\/p>\n<p>Mu &#8211; hatu + u \u2013 a &#8211; ami<\/p>\n<p>Pn1<a href=\"#_ftn1\" name=\"_ftnref1\">[1]<\/a> \u2013 Bn<a href=\"#_ftn2\" name=\"_ftnref2\">[2]<\/a> + pp1<a href=\"#_ftn3\" name=\"_ftnref3\">[3]<\/a> \u2013 vc<a href=\"#_ftn4\" name=\"_ftnref4\">[4]<\/a> \u2013 B.poss<a href=\"#_ftn5\" name=\"_ftnref5\">[5]<\/a><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Ex: Ahatu ami<\/p>\n<p>A \u2013 hatu + a \u2013 \u00d8 \u2013 ami<\/p>\n<p>Pn2\u00a0 \u2013 Bn + pp2\u00a0 \u2013 vc\u00a0 \u2013 B.poss<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h6><strong>4. Influ\u00eancia quanto ao g\u00e9nero<\/strong><\/h6>\n<p>No que tange \u00e0 concord\u00e2ncia do g\u00e9nero, a l\u00edngua Kimbundu apresenta uma diverg\u00eancia com a l\u00edngua portuguesa. Por serem l\u00ednguas de fam\u00edlias diferentes, apresentam, claro, estruturas diferentes, tal como j\u00e1 mencionamos a partir dos pontos acima. Por exemplo, as express\u00f5es <em>Mona<\/em> (singular) e <em>Ana<\/em> (plural) da l\u00edngua Kimbundu t\u00eam os significados de filho\/a ou filhos\/as.<\/p>\n<p>Alguns falantes do portugu\u00eas em Angola t\u00eam feito passar essa tradu\u00e7\u00e3o literal ao portugu\u00eas com as seguintes express\u00f5es: <em>filho de homem e filha de mulher<\/em> em vez de <em>filho<\/em> ou <em>filha<\/em>, em casos para elucidar de quem se trata, ou seja, o sexo do referido. Para a l\u00edngua Kimbundu, para a distin\u00e7\u00e3o do g\u00e9nero, acrescentam-se os substantivos <em>Diyala<\/em> (homem) e <em>Muhatu<\/em> (mulher) aos substantivos. Mas que n\u00e3o se adequa ao portugu\u00eas, porque sendo uma l\u00edngua n\u00e3o Bantu e que possui regras diferentes, mas que tem acontecido. Em seguida, temos alguns exemplos em Kimbundu e Portugu\u00eas:<\/p>\n<ol>\n<li>Mona diyala (filho\/a + homem = filho de homem)<\/li>\n<\/ol>\n<p>mona wa muhatu ( filho\/a + mulher = filha de mulher)<\/p>\n<p>Para melhor compreens\u00e3o da sua estrutura morfol\u00f3gica, apresentaremos abaixo a sua an\u00e1lise:<\/p>\n<p>Ex: mona wa dyala<\/p>\n<p>Mu \u2013 ana + u \u2013 a + di &#8211; yala (filho de homem)<\/p>\n<p>Pn1 \u2013 Bn + Pp \u2013 Vc + Pn5 \u2013 Bn<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Ex: mona wa muhatu (filha de mulher)<\/p>\n<p>Mu \u2013 ana + u \u2013 a + mu &#8211; hatu<\/p>\n<p>Pn1 \u2013 Bn + Pp \u2013 Vc + Pn5 \u2013 Bn<\/p>\n<p>Estes exemplos ajudam-nos a perceber claramente algumas influ\u00eancias que se registam no portugu\u00eas falado em Angola. O Kimbundu, ao contr\u00e1rio do portugu\u00eas, as distin\u00e7\u00f5es sexuais n\u00e3o s\u00e3o importantes, pois em nenhuma classe nomial desta l\u00edngua apresenta prefixos nominais destinados para a distin\u00e7\u00e3o de sexo masculino ou feminino. Desta forma, os falantes podem apresentar uma incapacidade de estabelecer na l\u00edngua portuguesa a diferen\u00e7a entre o acordo do determinante com um nome do g\u00e9nero masculino ou feminino.<\/p>\n<p>Geralmente, para a l\u00edngua Kimbundu, o substantivo, por si s\u00f3, na\u00f5 define o gen\u00e9ro, \u00e9 necess\u00e1rio a que se unem outros substantivos como \u201chomem\u201d ou \u201cmulher\u201d para indicar o g\u00e9nero e isto \u00e9 not\u00e1vel quando os falantes usam o portuu\u00eas para comunicarem-se.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref1\" name=\"_ftn1\">[1]<\/a> Prefixo nominal<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref2\" name=\"_ftn2\">[2]<\/a> Base nominal<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref3\" name=\"_ftn3\">[3]<\/a> Prefixo pronominal<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref4\" name=\"_ftn4\">[4]<\/a> Vogal conectiva<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref5\" name=\"_ftn5\">[5]<\/a> Base possessiva[\/vc_column_text][vc_column_text]<\/p>\n<h6><strong>5. Influ\u00eancia quanto ao diminutivo e o aumentativo das palavras<\/strong><\/h6>\n<p>A forma muito comum, em l\u00edngua portuguesa, para o caso do diminutivo \u00e9 o sufixo <em>\u201cinho\u201d<\/em> e para o aumentativo \u00e9 o sufixo <em>\u201c\u00e3o\u201d <\/em>quando se pretende diminuir ou aumentar o grau do substantivo. \u00a0Para a l\u00edngua Kimbundu, recorre-se \u00e0 ao prefixo nominal da classe 12 <em>ka<\/em> para diminuir o grau do substantivo e ao prefixo nomial da classe 7 <em>ki<\/em> para aumentar o grau do substantivo. Esta caracter\u00edstica da l\u00edngua Kimbundu est\u00e1 grandemente marcada na fala do portugu\u00eas falado em Angola apontando, assim, influ\u00eancias de ordem lexical, como nos ilustram os exemplos abaixo:<\/p>\n<ol>\n<li>N\u00e3o estou bem com esse kalugar.<\/li>\n<li>N\u00e3o estou bem com esse lugarzinho.<\/li>\n<\/ol>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<ol start=\"2\">\n<li>Esse kap\u00e3o n\u00e3o me vai chegar.<\/li>\n<\/ol>\n<p>Esse p\u00e3ozinho n\u00e3o me vai chegar.<\/p>\n<p>As frases identificam o linguajar observado nos falantes, denunciando uma situa\u00e7\u00e3o de influ\u00eancia do Kimbundu na forma\u00e7\u00e3o do diminutivo do portugu\u00eas falado em Angola. Essa influ\u00eancia deu-se a partir de uma adapta\u00e7\u00e3o da estrutura do Kimbundu para o portugu\u00eas.\u00a0 Para clarificar, vamos apresentar um exemplo em Kimbundu com a sua respectiva an\u00e1lise morfol\u00f3gica.<\/p>\n<p>Kamuhatu (mulherzinha)<\/p>\n<p>Ka \u2013 mu \u2013 hatu<\/p>\n<p>Pn12 + Pn1 + Bn<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Neste exemplo apresentado acima, percebemos que o prefixo nominal <em>ka-<\/em> une-se ao substantivo <em>muhatu<\/em> para diminuir o seu grau. O mesmo processo \u00e9 not\u00e1vel quando os falantes usam o portugu\u00eas para comunicarem-se, levam as marcas da estrutura do Kimbundu para o portugu\u00eas.<\/p>\n<p>Quanto ao aumentativo, ao contr\u00e1rio da l\u00edngua portuguesa, a l\u00edngua Kimbundu observa-se no posicionamento do prefixo nominal <em>ki-<\/em> antes dos substantivos da classe 7. A presen\u00e7a do <em>Ki-<\/em> como aumentativo \u00e9 not\u00e1vel nos falantes do portugu\u00eas falado em Angola como podemos ver nos exemplos ilustrados abaixo:<\/p>\n<ol>\n<li>Esse kicarro \u00e9 do meu tio.<\/li>\n<\/ol>\n<p>Esse carr\u00e3o \u00e9 do meu tio.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<ol start=\"2\">\n<li>Ele comprou um kisapato bem bonito.<\/li>\n<\/ol>\n<p>Ele comprou um sapat\u00e3o bem bonito.<\/p>\n<p>Tal como no diminutivo, no aumentativo as frases identificam o linguajar observado nos falantes, denunciando uma situa\u00e7\u00e3o de influ\u00eancia do Kimbundu na forma\u00e7\u00e3o do aumentativo do portugu\u00eas falado em Angola. Essa influ\u00eancia deu-se a partir de uma adapta\u00e7\u00e3o da estrutura do Kimbundu para o portugu\u00eas.\u00a0 Para clarificar, vamos apresentar um exemplo em Kimbundu com a sua respectiva an\u00e1lise morfol\u00f3gica.<\/p>\n<p>Kidikalu (carr\u00e3o)<\/p>\n<p>Ki \u2013 di \u2013 kalu<\/p>\n<p>Pn7 \u2013 Pn5 &#8211; Bn<\/p>\n<p>No exemplo apresentado acima, percebemos que o prefixo nominal <em>ki-<\/em> une-se ao substantivo <em>dikalu<\/em> para aumentar o seu grau. O mesmo processo \u00e9 not\u00e1vel quando os falantes usam o portugu\u00eas para comunicarem-se, levam as marcas da estrutura do Kimbundu para o portugu\u00eas.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h6><strong>6. <\/strong><strong>Considera\u00e7\u00f5es finais <\/strong><\/h6>\n<p>O contacto entre l\u00ednguas \u00e9 um processo inevit\u00e1vel entre os homens e isto \u00e9 feito por diversos factores, como factores sociais, pol\u00edticos, econ\u00f3micos ou mesmo cultural. Para a realidade de Angola, um pa\u00eds multilingue, haver\u00e1 sempre o contacto entre as l\u00ednguas, entre o portugu\u00eas com a l\u00edngua Kimbundu ou com as demais l\u00ednguas Bantu de Angola.<\/p>\n<p>O portugu\u00eas falado em Angola vai assumindo marcas pr\u00f3prias e diferenciando-se cada vez mais do portugu\u00eas europeu devido ao contacto permanente que tem com o Kimbundu e com as demais l\u00ednguas Bantu de Angola. Por enquanto, como se percebe, estas particularidaddes s\u00e3o, apenas, visiveis na fala e n\u00e3o na grafia. A grafia procura-se ao m\u00e1ximo adequar-se \u00e0 norma europeia, embora, nalguns casos, verificam-se alguns desvios.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h6><strong>Refer\u00eancias bibliogr\u00e1ficas<\/strong><\/h6>\n<p>COSTA, Jo\u00e3o, <em>Gram\u00e1tica Moderna da L\u00edngua Portuguesa<\/em>, escolar editora, 2\u00aa ed., 2012.<\/p>\n<p>DIARRA, Boubacar, <em>Gram\u00e1tica de Kikongo<\/em>, Luanda, Instituto de L\u00ednguas Nacional, 1989.<\/p>\n<p>DIARRA, Boubacar, <em>Gram\u00e1tica de Kimbundu<\/em>, Luanda, Intituto de L\u00ednguas Nacionais, 1990.<\/p>\n<p>FERNANDES, J. e ZAVONI, Ntondo, <em>Angola Povo e L\u00ednguas<\/em>, 1\u00aa Edi\u00e7\u00e3o, Editora Nzila, 2002.<\/p>\n<p>MINGAS, A. Am\u00e9lia, <em>Interfer\u00eancia do Kimbundu no Portugu\u00eas Falado em Luwanda<\/em>, 1\u00aa Edi\u00e7\u00e3o, Caxinde editora e Livraria, 2000.<\/p>\n<p>MINGAS, A. Arlete, <em>Ensino da L\u00edngua Portuguesa no Contexto Angolano \u2013 In: Uma pol\u00edtica de l\u00edngua para o portugu\u00eas, <\/em>Edi\u00e7\u00f5es Colibri, p. 47. S\/L, 2002.<\/p>\n<p>PETTER, Margarida, <em>Introdu\u00e7\u00e3o \u00e0 Lingu\u00edstica Africana<\/em>. Editora contexto, 2015.<\/p>\n<p>SANTIAGO, Joana de Lima, \u00a0<em>Zoonomia Hist\u00f3rico-comparativa Bantu<\/em>, Revista eletr\u00f3nica l\u00edngua viva, 2013 n\u00famero 5, Site: http:\/\/www.revistalinguaviva.unir.br . E-mail: revistalinguaviva@gmail.com[\/vc_column_text][\/vc_column][\/vc_row][vc_row][vc_column][\/vc_column][\/vc_row]<\/p>\n<\/div>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A l\u00edngua Kimbundu tem mantido uma influ\u00eancia no Portugu\u00eas falado em Angola dando, desta forma, uma marca t\u00edpica Angolana. Esta influ\u00eancia deve-se pelo contacto das duas l\u00ednguas no territ\u00f3rio angolano. 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