{"id":977,"date":"2025-04-30T05:28:19","date_gmt":"2025-04-30T04:28:19","guid":{"rendered":"https:\/\/akweno.ao\/sempa\/?p=977"},"modified":"2025-04-30T05:28:19","modified_gmt":"2025-04-30T04:28:19","slug":"rdc-ruanda-tres-decadas-de-acordos-ingerencias-e-traicoes-diplomaticaspor-sempa-sebastiao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/akweno.ao\/sempa2\/2025\/04\/30\/rdc-ruanda-tres-decadas-de-acordos-ingerencias-e-traicoes-diplomaticaspor-sempa-sebastiao\/","title":{"rendered":"RDC\u2013Ruanda: Tr\u00eas d\u00e9cadas de acordos, inger\u00eancias e trai\u00e7\u00f5es diplom\u00e1ticasPor Sempa Sebasti\u00e3o"},"content":{"rendered":"<div class=\"wpb-content-wrapper\"><p>[vc_row][vc_column][vc_column_text css=&#8221;&#8221;]<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Uma diplomacia de apar\u00eancia, uma domina\u00e7\u00e3o estrutural<br \/>\nDesde os anos 1990, a Rep\u00fablica Democr\u00e1tica do Congo vive uma crise estrutural frequentemente disfar\u00e7ada sob o nome de \u201ccoopera\u00e7\u00e3o regional\u201d. No entanto, o que o mundo chama de \u201cacordos de paz\u201d tem sido, para o povo congol\u00eas, uma sucess\u00e3o de correntes diplom\u00e1ticas e armadilhas estrat\u00e9gicas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Assinaram-se muitos acordos. Mas poucos foram respeitados e menos ainda serviram verdadeiramente aos interesses da RDC.<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\">Acordos de paz ou pactos de capitula\u00e7\u00e3o?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">1. Acordos de Lusaka (1999)<br \/>\nFirmados para p\u00f4r fim \u00e0 Segunda Guerra do Congo, estabeleceram um cessar-fogo entre a RDC e os pa\u00edses envolvidos no conflito, incluindo o Ruanda. No entanto, esses acordos tornaram-se rapidamente um escudo legal para a perman\u00eancia de tropas estrangeiras em solo congol\u00eas, sob o pretexto de \u201cseguran\u00e7a regional\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">2. Acordos de Pret\u00f3ria (2002)<br \/>\nTinham como objetivo oficializar a retirada das tropas ruandesas do territ\u00f3rio congol\u00eas. Contudo, apesar dos compromissos formais, a presen\u00e7a ruandesa nunca cessou de fato. Ela continuou por outras vias: apoio a grupos armados, controle econ\u00f4mico de zonas mineiras estrat\u00e9gicas\u2026<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">3. Acordo de Nair\u00f3bi (2007)<br \/>\nCriado para resolver o problema do CNDP, um movimento apoiado por Kigali. Paradoxalmente, permitiu a integra\u00e7\u00e3o de elementos pr\u00f3-ruandeses nas For\u00e7as Armadas da RDC (FARDC), comprometendo por dentro a soberania militar do pa\u00eds.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">4. Acordo-quadro de Adis Abeba (2013)<br \/>\nApoiado pela ONU e por v\u00e1rias pot\u00eancias estrangeiras incluindo os Estados Unidos , prometia o fim do grupo rebelde M23. Mais uma vez, os patrocinadores do acordo fracassaram (ou se recusaram) a impor san\u00e7\u00f5es aos principais promotores da guerra, especialmente ao Ruanda.<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\">O papel silencioso dos padrinhos estrangeiros: Washington, Londres, Bruxelas<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Por tr\u00e1s de cada assinatura, est\u00e1 a presen\u00e7a discreta mas decisiva de diplomatas e representantes ocidentais, em particular norte-americanos. Apresentados como \u201cfacilitadores\u201d ou \u201cgarantes\u201d, atuaram muitas vezes como arquitetos de uma ordem geopol\u00edtica orientada por interesses estrat\u00e9gicos e minerais.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Sob o disfarce de combate ao terrorismo ou de estabiliza\u00e7\u00e3o regional, os EUA favoreceram uma presen\u00e7a duradoura da influ\u00eancia ruandesa no leste do Congo. O sil\u00eancio face \u00e0s viola\u00e7\u00f5es documentadas pelos relat\u00f3rios da ONU revela uma cumplicidade antiga e profunda.<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\">Uma paz sempre imposta de fora, nunca constru\u00edda de dentro<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nenhum desses acordos foi fruto de um verdadeiro di\u00e1logo nacional congol\u00eas. Foram impostos por pot\u00eancias estrangeiras, assinados por elites afastadas das realidades do povo, e interpretados segundo os interesses de for\u00e7as externas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O resultado? Uma paz sem justi\u00e7a. Uma estabilidade aparente que encobre um saque sistem\u00e1tico.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A hora do despertar pol\u00edtico congol\u00eas<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A an\u00e1lise dessa situa\u00e7\u00e3o n\u00e3o pode mais se limitar a explica\u00e7\u00f5es \u201c\u00e9tnicas\u201d ou \u201clocais\u201d. Trata-se de um sistema geopol\u00edtico de explora\u00e7\u00e3o, disfar\u00e7ado de diplomacia, sustentado pelas grandes pot\u00eancias.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Hoje, a juventude congolesa, os intelectuais e as vozes livres come\u00e7am a questionar essa arquitetura artificial de paz. E \u00e9 essa consci\u00eancia que representa uma verdadeira amea\u00e7a para os que lucram com esse caos programado.<\/p>\n<p>[\/vc_column_text][vc_column_text css=&#8221;&#8221;]<\/p>\n<blockquote><p><strong>Cita\u00e7\u00e3o<\/strong>:<br \/>\n\u201cN\u00e3o se constr\u00f3i a paz com acordos ditados de fora. A verdadeira soberania se reconstr\u00f3i com a mem\u00f3ria das feridas e com a vontade dos povos de nunca mais se tra\u00edrem a si mesmos.\u201d<\/p><\/blockquote>\n<p>[\/vc_column_text][\/vc_column][\/vc_row]<\/p>\n<\/div>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>[vc_row][vc_column][vc_column_text css=&#8221;&#8221;] Uma diplomacia de apar\u00eancia, uma domina\u00e7\u00e3o estrutural Desde os anos 1990, a Rep\u00fablica Democr\u00e1tica do Congo vive uma crise estrutural frequentemente disfar\u00e7ada sob o nome de \u201ccoopera\u00e7\u00e3o regional\u201d. No entanto, o que o mundo chama de \u201cacordos de paz\u201d tem sido, para o povo congol\u00eas, uma sucess\u00e3o de correntes diplom\u00e1ticas e armadilhas estrat\u00e9gicas. 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