{"id":917,"date":"2025-05-20T14:36:34","date_gmt":"2025-05-20T13:36:34","guid":{"rendered":"https:\/\/akweno.ao\/sempa\/?p=917"},"modified":"2025-05-20T14:36:34","modified_gmt":"2025-05-20T13:36:34","slug":"sudao-quando-os-generais-roubam-o-estado-e-o-povo-paga-com-sangue","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/akweno.ao\/sempa2\/2025\/05\/20\/sudao-quando-os-generais-roubam-o-estado-e-o-povo-paga-com-sangue\/","title":{"rendered":"Sud\u00e3o: Quando os Generais Roubam o Estado e o Povo Paga com Sangue"},"content":{"rendered":"<div class=\"wpb-content-wrapper\"><p>[vc_row][vc_column][vc_column_text css=&#8221;&#8221;]<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O Sud\u00e3o \u00e9 hoje o espelho mais cruel de um continente que, em muitas partes, continua ref\u00e9m da brutalidade dos seus pr\u00f3prios generais. A guerra iniciada em abril de 2023 entre Abdel Fattah al-Burhan (chefe do ex\u00e9rcito) e Mohamed Hamdan Dagalo, o Hemeti (l\u00edder das For\u00e7as de Apoio R\u00e1pido), n\u00e3o \u00e9 um conflito por ideias. \u00c9 uma guerra entre dois homens pelo trono de um Estado vazio, onde o povo \u00e9 o combust\u00edvel da destrui\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">N\u00e3o \u00e9 exagero: mais de 150 mil mortos, cerca de 14 milh\u00f5es de deslocados, hospitais bombardeados, escolas destru\u00eddas, fam\u00edlias sem p\u00e3o, sem teto e sem voz. O Sud\u00e3o transformou-se num campo de batalha onde os generais disputam ru\u00ednas, e o povo paga com o corpo aquilo que nunca lhe foi oferecido com dignidade: o direito de viver em paz.<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\"><strong>Quando a promessa de democracia virou golpe militar<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Depois da queda de Omar al-Bashir em 2019, o mundo saudou o \u201crenascimento democr\u00e1tico\u201d do Sud\u00e3o. Mas o que houve foi um sequestro. A transi\u00e7\u00e3o civil foi abortada por Burhan e Hemeti, que chegaram ao poder abra\u00e7ados e logo depois come\u00e7aram a se matar n\u00e3o com palavras, mas com metralhadoras e massacres. O povo, que tinha enchido as pra\u00e7as de esperan\u00e7a, foi mais uma vez tra\u00eddo.<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\"><strong>A guerra que devora o povo em nome de nada<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os dados s\u00e3o obscenos: mais de 30 milh\u00f5es de sudaneses precisam de assist\u00eancia humanit\u00e1ria, e 25 milh\u00f5es enfrentam fome extrema. Darfur, que j\u00e1 foi ferida por genoc\u00eddios no passado, volta a ser palco de limpezas \u00e9tnicas contra os Masalit, em sil\u00eancio c\u00famplice da comunidade internacional.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O mundo assiste, os grandes analistas escrevem relat\u00f3rios, mas quem morre s\u00e3o os mesmos: mulheres violadas, crian\u00e7as com fome, jovens sem futuro. O que os generais oferecem ao povo? Nada al\u00e9m de bala, ru\u00ednas e promessas mortas.<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\"><strong>A interfer\u00eancia externa: ouro, armas e sil\u00eancio diplom\u00e1tico<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A guerra no Sud\u00e3o n\u00e3o \u00e9 apenas interna. H\u00e1 interesses transnacionais: o Ir\u00e3 fornece drones \u00e0 SAF, os Emirados \u00c1rabes Unidos s\u00e3o acusados de apoiar a RSF, e pot\u00eancias globais silenciam, porque o ouro sudan\u00eas continua fluindo. Os campos de batalha escondem minas ricas e rotas estrat\u00e9gicas. No xadrez internacional, o povo sudan\u00eas \u00e9 s\u00f3 um pe\u00e3o descart\u00e1vel.<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\"><strong>A resist\u00eancia esquecida: o povo sudan\u00eas que n\u00e3o se ajoelha<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mesmo esmagado, o povo resiste. Comunidades civis criam redes de ajuda, cl\u00ednicas improvisadas, abrigos solid\u00e1rios. Artistas denunciam, mulheres sustentam fam\u00edlias inteiras, jovens organizam alternativas fora do alcance das armas. O povo sudan\u00eas n\u00e3o \u00e9 apenas v\u00edtima \u00e9 her\u00f3i silencioso de uma p\u00e1tria esfacelada.<\/p>\n<p>[\/vc_column_text][vc_column_text css=&#8221;&#8221;]<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\"><strong>Um apelo africano: o que o Sud\u00e3o nos ensina<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Como jornalista africano e pan-africano, n\u00e3o posso calar diante de uma trag\u00e9dia que n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 do Sud\u00e3o \u00e9 da \u00c1frica inteira. O que se passa em Cartum ou em Darfur tem ra\u00edzes que tocam a todos n\u00f3s: a militariza\u00e7\u00e3o do poder, a fragilidade institucional, a heran\u00e7a colonial mal resolvida, a indiferen\u00e7a continental.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Quantas vezes a juventude africana ter\u00e1 que sangrar para que entendamos que nenhuma p\u00e1tria \u00e9 vi\u00e1vel quando os generais pensam que o povo \u00e9 tropa?<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\"><strong>Conclus\u00e3o: o futuro s\u00f3 vir\u00e1 com justi\u00e7a e mem\u00f3ria<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O Sud\u00e3o \u00e9 hoje a ferida aberta da \u00c1frica. N\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel falar de democracia, de desenvolvimento ou de paz enquanto dois generais decidem, com apoio externo, quem vai mandar num pa\u00eds que est\u00e1 a morrer. O povo precisa de voz, de Estado, de justi\u00e7a. E acima de tudo: de mem\u00f3ria. Porque a reconstru\u00e7\u00e3o n\u00e3o vir\u00e1 das armas, mas da consci\u00eancia.<\/p>\n<p>[\/vc_column_text][vc_column_text css=&#8221;&#8221;]<\/p>\n<h6>Cita\u00e7\u00e3o<\/h6>\n<blockquote><p>\u00a0\u201cQuando os generais se tornam mais poderosos que a Constitui\u00e7\u00e3o, o povo desaparece da Hist\u00f3ria ou reescreve-a com coragem.\u201d<br \/>\nSempa Sebasti\u00e3o<\/p><\/blockquote>\n<p>&#8220;Do sil\u00eancio nasce a luz[\/vc_column_text][\/vc_column][\/vc_row]<\/p>\n<\/div>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>[vc_row][vc_column][vc_column_text css=&#8221;&#8221;] O Sud\u00e3o \u00e9 hoje o espelho mais cruel de um continente que, em muitas partes, continua ref\u00e9m da brutalidade dos seus pr\u00f3prios generais. 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