{"id":758,"date":"2025-05-07T19:42:25","date_gmt":"2025-05-07T18:42:25","guid":{"rendered":"https:\/\/akweno.ao\/sempa\/?p=758"},"modified":"2026-06-28T19:43:41","modified_gmt":"2026-06-28T18:43:41","slug":"jornalismo-engajado-a-voz-que-a-africa-nao-pode-silenciar","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/akweno.ao\/sempa2\/2025\/05\/07\/jornalismo-engajado-a-voz-que-a-africa-nao-pode-silenciar\/","title":{"rendered":"Jornalismo Engajado: A Voz que a \u00c1frica N\u00e3o Pode Silenciar"},"content":{"rendered":"<div class=\"wpb-content-wrapper\"><p>[vc_row][vc_column][vc_column_text css=&#8221;&#8221;]<\/p>\n<div class=\"page\" title=\"Page 2\">\n<div class=\"layoutArea\">\n<div class=\"column\">\n<p style=\"text-align: justify;\">Fazer jornalismo em A\u0301frica nunca foi uma missa\u0303o neutra. Desde os tempos coloniais ate\u0301 os regimes po\u0301s-independe\u0302ncia, a imprensa sempre caminhou entre a vigila\u0302ncia e a resiste\u0302ncia, entre a censura e a coragem. E hoje, num continente ainda marcado por desigualdades, manipulac\u0327o\u0303es poli\u0301ticas e fragilidades institucionais, o jornalismo engajado torna-se na\u0303o apenas necessa\u0301rio, mas vital.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Jornalismo engajado na\u0303o e\u0301 milita\u0302ncia partida\u0301ria. E\u0301 compromisso com a verdade. E\u0301 recusar o sile\u0302ncio diante da injustic\u0327a. E\u0301 estar do lado do povo &#8211; na\u0303o como palanque de emoc\u0327o\u0303es, mas como farol de lucidez. Informar, em A\u0301frica, na\u0303o e\u0301 apenas relatar os fatos. E\u0301 iluminar conscie\u0302ncias. E\u0301 provocar pensamento. E\u0301 defender a dignidade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Pai\u0301ses como Burkina Faso, Senegal, A\u0301frica do Sul e ate\u0301 o Gana mostraram que a imprensa livre pode ser catalisadora de mudanc\u0327as profundas. Onde o jornalismo atua com coragem, a democracia respira. Onde o jornalista e\u0301 respeitado, o povo e\u0301 ouvido. Onde a imprensa e\u0301 engajada, os corruptos se inquietam. O jornalismo e\u0301, sim, o Quinto Poder &#8211; o poder que vigia os outros, o poder que questiona, o poder que acorda a sociedade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Jornalistas na\u0303o sa\u0303o membros de partidos. O nosso partido e\u0301 o jornalismo. E\u0301 essa independe\u0302ncia que garante a credibilidade da nossa profissa\u0303o. E e\u0301 essa independe\u0302ncia que hoje esta\u0301 em risco &#8211; sobretudo nos meios pu\u0301blicos, onde muitos colegas se veem amarrados pelo medo, pela obedie\u0302ncia cega ou pela autocensura.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Aos meus irma\u0303os e irma\u0303s da imprensa estatal angolana: o sile\u0302ncio pode proteger o sala\u0301rio, mas<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"page\" title=\"Page 3\">\n<div class=\"layoutArea\">\n<div class=\"column\">\n<p style=\"text-align: justify;\">mata a missa\u0303o. Ser jornalista na\u0303o e\u0301 repetir o que se quer ouvir. E\u0301 dizer o que precisa ser dito, com e\u0301tica, responsabilidade e coragem. Sempre ha\u0301 uma forma de fazer jornalismo com verdade, mesmo dentro das limitac\u0327o\u0303es. Na\u0303o deixem que o medo enterre o vosso papel.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Precisamos de uma imprensa que investigue, que denuncie, que proponha. Que va\u0301 aos bairros, a\u0300s aldeias, aos tribunais, a\u0300s escolas, aos mercados. Precisamos de jornalistas que se levantem quando todos se ajoelham. Que se guiem pela conscie\u0302ncia e na\u0303o por agendas. Que na\u0303o vendam a sua caneta por aplausos ou favores.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em muitos pai\u0301ses, ser jornalista e\u0301 um risco. Mas esse risco e\u0301 a prova do impacto. Porque onde ha\u0301 medo do jornalista, ha\u0301 algo a esconder. E onde ha\u0301 jornalistas livres, ha\u0301 povo desperto. O jornalismo engajado na\u0303o e\u0301 um luxo. E\u0301 uma urge\u0302ncia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Escrevo esta tribuna como jornalista e como africano. Como algue\u0301m que acredita que a construc\u0327a\u0303o de um continente forte passa pela liberdade de expressa\u0303o, pela coragem de informar, pelo compromisso de esclarecer. O jornalismo e\u0301 mais do que uma profissa\u0303o. E\u0301 uma missa\u0303o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A A\u0301frica &#8211; e Angola &#8211; na\u0303o precisa de jornalistas famosos. Precisa de jornalistas comprometidos. Jornalistas que sejam ponte entre o povo e o poder. Jornalistas que na\u0303o tenham medo de errar, mas que se recusem a calar.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Se quisermos uma Angola justa, consciente e livre, devemos comec\u0327ar por fortalecer a imprensa. E fortalecer a imprensa e\u0301 devolver-lhe a sua esse\u0302ncia: servir ao povo com verdade e coragem.<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<p>[\/vc_column_text][\/vc_column][\/vc_row]<\/p>\n<\/div>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>[vc_row][vc_column][vc_column_text css=&#8221;&#8221;] Fazer jornalismo em A\u0301frica nunca foi uma missa\u0303o neutra. 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