{"id":1269,"date":"2025-05-29T13:15:02","date_gmt":"2025-05-29T12:15:02","guid":{"rendered":"https:\/\/akweno.ao\/sempa\/?p=1269"},"modified":"2025-05-29T13:15:02","modified_gmt":"2025-05-29T12:15:02","slug":"a-dor-silenciosa-da-diaspora-um-apelo-a-dignidade-dos-angolanos-em-franca","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/akweno.ao\/sempa2\/2025\/05\/29\/a-dor-silenciosa-da-diaspora-um-apelo-a-dignidade-dos-angolanos-em-franca\/","title":{"rendered":"A dor silenciosa da di\u00e1spora: um apelo \u00e0 dignidade dos angolanos em Fran\u00e7a"},"content":{"rendered":"<div class=\"wpb-content-wrapper\"><p>[vc_row][vc_column][vc_column_text css=&#8221;&#8221;]<\/p>\n<h6>1. Durante a minha presen\u00e7a em Paris<\/h6>\n<p style=\"text-align: justify;\">Durante a minha presen\u00e7a em Paris, onde participei na Cimeira da Sa\u00fade Europa-\u00c1frica, tive a oportunidade de me encontrar com v\u00e1rios irm\u00e3os angolanos residentes aqui em Fran\u00e7a. Em diferentes momentos, alguns aproximaram-se de mim n\u00e3o por acaso, mas movidos por dor e necessidade.<br \/>\nFalaram comigo como se fala com algu\u00e9m de confian\u00e7a. Falaram como se estivessem \u00e0 espera de algu\u00e9m que os ouvisse.<br \/>\nE eu ouvi.<br \/>\nOuvi com aten\u00e7\u00e3o. Dei-lhes tempo. E, mais importante: dei-lhes escuta.<\/p>\n<p>N\u00e3o se tratou de um encontro pol\u00edtico, nem de uma entrevista formal. Foi um gesto humano.<br \/>\nE o que ouvi foi profundo: angolanos cansados, angustiados, desorientados e desamparados.<\/p>\n<h6>2. As queixas e as dores da comunidade<\/h6>\n<p>O motivo principal? As dificuldades constantes na Embaixada de Angola em Fran\u00e7a para tratar documentos b\u00e1sicos, como:<\/p>\n<p>Renova\u00e7\u00e3o do cart\u00e3o consular;<\/p>\n<p>Declara\u00e7\u00f5es de nacionalidade;<\/p>\n<p>Reemiss\u00e3o de passaportes;<\/p>\n<p>Apoio para regressar ao pa\u00eds, no caso de quem perdeu o titre de s\u00e9jour (t\u00edtulo de resid\u00eancia);<\/p>\n<p>E, em muitos casos, falta de orienta\u00e7\u00e3o m\u00ednima e de acolhimento respeitoso.<\/p>\n<p>Relatos de pessoas que est\u00e3o h\u00e1 meses a tentar resolver simples processos.<br \/>\nPessoas que choram, que voltam para casa de m\u00e3os vazias depois de filas e esperas.<br \/>\nPessoas que vivem um sentimento profundo de abandono institucional.<\/p>\n<h6>3. Um apelo que n\u00e3o \u00e9 acusa\u00e7\u00e3o, mas um dever de consci\u00eancia<\/h6>\n<p style=\"text-align: justify;\">O que trago aqui n\u00e3o \u00e9 um ataque.<br \/>\nN\u00e3o \u00e9 uma den\u00fancia vazia.<br \/>\n\u00c9 um apelo com base em testemunhos reais, feitos por cidad\u00e3os que pediram, inclusive, para que seus nomes n\u00e3o fossem mencionados, por receio de repres\u00e1lias ou constrangimentos futuros.<\/p>\n<p>Falaram comigo com confian\u00e7a e esperan\u00e7a. Esperan\u00e7a de que algu\u00e9m, ao menos, escrevesse.<br \/>\nE aqui estou a cumprir o papel do jornalista: ouvir onde ningu\u00e9m quer escutar, e falar onde muitos se calam.<\/p>\n<h6>4. A fun\u00e7\u00e3o da embaixada n\u00e3o \u00e9 decorar o pa\u00eds, \u00e9 proteger o seu povo<\/h6>\n<p>A Embaixada de Angola em Fran\u00e7a \u00e9 uma extens\u00e3o do Estado.<br \/>\nN\u00e3o \u00e9 apenas uma representa\u00e7\u00e3o pol\u00edtica ou diplom\u00e1tica &#8211; \u00e9 uma casa do povo angolano no exterior.<br \/>\nLogo, o seu dever \u00e9 servir, proteger e orientar os cidad\u00e3os, especialmente aqueles que se encontram em situa\u00e7\u00f5es fr\u00e1geis ou de risco legal e humanit\u00e1rio.<\/p>\n<p>Um cart\u00e3o consular n\u00e3o \u00e9 apenas um papel &#8211; \u00e9 dignidade.<br \/>\nUm atendimento claro n\u00e3o \u00e9 apenas protocolo \u00e9 respeito.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h6>5. O que pedimos \u00e0s autoridades<\/h6>\n<p>Pedimos que olhem com mais seriedade para a situa\u00e7\u00e3o dos angolanos na di\u00e1spora, sobretudo aqui em Fran\u00e7a.<br \/>\nPedimos que haja:<\/p>\n<p>Melhoria no funcionamento dos servi\u00e7os consulares;<\/p>\n<p>Clareza nos procedimentos;<\/p>\n<p>Atendimento humano e acess\u00edvel;<\/p>\n<p>Abertura de canais reais de escuta e apoio;<\/p>\n<p>E, acima de tudo, respeito institucional por quem representa a bandeira fora da p\u00e1tria.<\/p>\n<h6>6. Conclus\u00e3o: o sil\u00eancio do povo e o peso do Estado<\/h6>\n<p>\u00c9 duro ver cidad\u00e3os a sofrer por algo que \u00e9 seu por direito.<br \/>\n\u00c9 doloroso saber que, muitas vezes, quem est\u00e1 longe da p\u00e1tria sofre mais por parte da pr\u00f3pria p\u00e1tria do que dos estrangeiros.[\/vc_column_text][vc_column_text css=&#8221;&#8221;]<\/p>\n<blockquote><p>Nenhum cidad\u00e3o deve ser deixado para tr\u00e1s muito menos fora da sua p\u00e1tria.<\/p><\/blockquote>\n<p>[\/vc_column_text][vc_column_text css=&#8221;&#8221;]Que esta tribuna seja recebida com esp\u00edrito de responsabilidade.<br \/>\nN\u00e3o para julgar, mas para despertar.<br \/>\nN\u00e3o para ofender, mas para corrigir.<\/p>\n<p>Porque uma Angola justa come\u00e7a tamb\u00e9m pelo modo como cuida dos seus filhos onde quer que eles estejam.[\/vc_column_text][\/vc_column][\/vc_row]<\/p>\n<\/div>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>[vc_row][vc_column][vc_column_text css=&#8221;&#8221;] 1. 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