{"id":12732,"date":"2024-02-18T16:21:10","date_gmt":"2024-02-18T16:21:10","guid":{"rendered":"https:\/\/heldersimbad.org\/?p=11587"},"modified":"2025-04-27T15:43:09","modified_gmt":"2025-04-27T15:43:09","slug":"inseparabilidade-entre-a-natureza-e-a-cultura-analise-antropofilosofica-da-fotografia-de-gino-sacramento","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/akweno.ao\/helder2\/2024\/02\/18\/inseparabilidade-entre-a-natureza-e-a-cultura-analise-antropofilosofica-da-fotografia-de-gino-sacramento\/","title":{"rendered":"Inseparabilidade Entre A Natureza E A Cultura: An\u00e1lise Antropofilos\u00f3fica Da Fotografia De Gino Sacramento."},"content":{"rendered":"\t\t<div data-elementor-type=\"wp-post\" data-elementor-id=\"12732\" class=\"elementor elementor-12732\">\n\t\t\t\t<div class=\"elementor-element elementor-element-4176777 e-flex e-con-boxed e-con e-parent\" data-id=\"4176777\" data-element_type=\"container\">\n\t\t\t\t\t<div class=\"e-con-inner\">\n\t\t\t\t<div class=\"elementor-element elementor-element-93e9e29 elementor-widget elementor-widget-image\" data-id=\"93e9e29\" data-element_type=\"widget\" data-widget_type=\"image.default\">\n\t\t\t\t<div class=\"elementor-widget-container\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t<figure class=\"wp-caption\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t<img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/heldersimbad.org\/wp-content\/uploads\/2024\/02\/banner-art2a.png\" title=\"\" alt=\"\" loading=\"lazy\" \/>\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t<figcaption class=\"widget-image-caption wp-caption-text\">Figura 1: Fotografia de Gino Sacramento<\/figcaption>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t<\/figure>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<div class=\"elementor-element elementor-element-c0ab214 elementor-widget elementor-widget-text-editor\" data-id=\"c0ab214\" data-element_type=\"widget\" data-widget_type=\"text-editor.default\">\n\t\t\t\t<div class=\"elementor-widget-container\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t<p>O t\u00edtulo deste artigo configura, \u00e0 partida, um paradoxo, na medida em que, implicitamente, convoca duas realidades (tradi\u00e7\u00e3o e modernidade) antag\u00f3nicas que<\/p><p>induziram a um reducionismo da simploque entre Natureza e Cultura,\u00a0 ou seja, duas realidades insepar\u00e1veis, como se pode verificar na fotografia que motivou este estudo e no nosso dia-a-dia, dependendo da maneira como olhamos para as coisas .<\/p><p>Nesse trabalho, tal como Ramos (2009), entendemos a fotografia \u201ccomo uma express\u00e3o art\u00edstica\u201d e toda obra de arte como uma constru\u00e7\u00e3o humana, que, para al\u00e9m da disciplina art\u00edstica que a acomoda em termos te\u00f3ricos e anal\u00edticos, pode ser avaliada sob um vi\u00e9s de v\u00e1rios dom\u00ednios cient\u00edficos. Assim, para este trabalho, elegemos a fotografia do poeta Gino Sacramento, a qual interpretaremos \u00e0 luz da Antropofilosofia.<\/p><p>A fotografia de Sacramento \u00e9 uma obra de arte que nasceu de uma performance art\u00edstica e surge num contexto de reivindica\u00e7\u00e3o social resultante da excessiva aglomera\u00e7\u00e3o de res\u00edduos s\u00f3lidos em lugares p\u00fablicos, em que os citadinos da capital, Luanda, reclamam sobretudo atrav\u00e9s da arte da fotografia, tendo havido mesmo um grupo de activistas que criou uma p\u00e1gina onde v\u00e1rios intervenientes das Redes Sociais publicam fotografias com amontoados de lixos por tr\u00e1s de sujeitos bem apresentados, nos termos daquilo que a sociedade consagra culturalmente como \u201c\u00e0 rigor\u201d. Nestes termos, a fotografia \u00e9 assim encarada como uma forma de reivindica\u00e7\u00e3o social mais contundente e de maior visibilidade em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s outras artes.<\/p><p>A primeira grande quest\u00e3o remete para a dimens\u00e3o da cultura, que cria uma natureza de ser, ou seja, uma forma de estar, que \u00e9 naturalmente cultural. Os cidad\u00e3os podem evitar colocar lixo nas bermas ou em outros locais p\u00fablicos, existindo v\u00e1rios procedimentos paliativos para atenuar esse aglomerado. Todavia, o problema \u00e9 que h\u00e1 uma ordem estabelecida, consubstanciada num contrato social e cultural entre a lei e\u00a0 cidad\u00e3o, em que este deposita o lixo pagando uma taxa; e aquele recolhe por via de institui\u00e7\u00f5es que ele mesmo contrata para o efeito, facto que se tem revelado ineficaz.<\/p><p>A imagem de Gino Sacramento encerra um invent\u00e1rio de informa\u00e7\u00f5es acerca da realidade da Capital de Angola e uma narrativa milenar de como as culturas humanas procuraram ser hegem\u00f3nicas, destruindo a natureza e como esta resiste at\u00e9 hoje.<\/p><p>O acto de destrui\u00e7\u00e3o implica, na verdade, sobretudo para as sociedades tidas\u00a0 como modernas e tecnologicamente avan\u00e7adas, uma separa\u00e7\u00e3o e supera\u00e7\u00e3o inequ\u00edvoca entre natureza, sociedade e cultura. C\u00e1, entre n\u00f3s, sobretudo, na capital, Luanda, por essa maior predomin\u00e2ncia de infraestruturas em rela\u00e7\u00e3o aos \u201cespa\u00e7os verdes\u201d h\u00e1 uma clara tend\u00eancia de se designar o \u201coutro\u201d como sendo \u201c o do mato\u201d, sobretudo aqueles que n\u00e3o v\u00eam das provinciais do litoral, ou seja, a cultura citadina estereotipa tudo o que n\u00e3o entra na sua ordem supostamente moderna.<\/p><p>A fotografia foi feita com um telem\u00f3vel de marca Androide e apresenta uma resolu\u00e7\u00e3o de imagem que nos permite descrev\u00ea-la com a maior exatid\u00e3o poss\u00edvel. H\u00e1 nela a imagem on\u00edrica de vegeta\u00e7\u00e3o derrubada constru\u00edda pela mem\u00f3ria, na medida em que, hipoteticamente, se pode dizer que toda esta terra agora preenchida de lixo-humano j\u00e1 foi preenchida por vegeta\u00e7\u00e3o; imagens de \u00e1rvores, agora reais, transformadas em postes de alta tens\u00e3o, atravessados por cabos el\u00e9tricos; ao fundo, v\u00ea-se as constru\u00e7\u00f5es prec\u00e1rias de uma sociedade assim\u00e9trica, de casas de chapas e de blocos sem respeitarem os crit\u00e9rios actuais de urbanismo, o que \u00e9 cultural entre n\u00f3s, talvez por nossa morfologia africana de aproxima\u00e7\u00e3o ao outro ou apenas por uma quest\u00e3o de extrema pobreza; por cima de outra \u00e1rvore derrubada est\u00e1 sentado o homem, simulando escrever um poema; e, sobrevoando a atmosfera polu\u00edda, as cegonhas, aves n\u00e3o-domestic\u00e1veis, demonstrando o estado de hibridismo a que Bruno Latour se refere em <em>Nem todos fomos modernos<\/em>. A grande quest\u00e3o seria: quem invadiu o espa\u00e7o do outro? Invas\u00e3o ou coexist\u00eancia natural?<\/p><p>L\u00e9vi-strauss (1982, p. 41) observou que \u201cde todos os princ\u00edpios propostos pelos precursores da sociologia nenhum sem d\u00favida foi repudiado com tanta firmeza quanto o que diz respeito \u00e0 distin\u00e7\u00e3o entre estado de natureza e estado de sociedade\u201d e, procurando elucidar os defensores da teoria do\u00a0 homos natural, sentencia que \u201cn\u00e3o se pode, fazer refer\u00eancia sem contradi\u00e7\u00e3o a uma fase da evolu\u00e7\u00e3o da humanidade durante a qual esta, na aus\u00eancia de toda organiza\u00e7\u00e3o social, nem por isso tivesse deixado de desenvolver formas de atividade que s\u00e3o parte integrante da cultura\u201d (idem). Quer-se com isso dizer que, ao transformar o meio, o homem sempre produziu cultura.<\/p><p>Para L\u00e9vi-Strauss (1982), a origem do fen\u00f3meno social estaria na passagem da natureza para a cultura e a oposi\u00e7\u00e3o entre o natural e o cultural tem um valor meramente metodol\u00f3gico. Uma abstrac\u00e7\u00e3o que n\u00e3o se pode transformar num dualismo que nos coloca num estado de cegueira conceptual. Em Angola, este processo de transi\u00e7\u00e3o foi radicalmente imposto pelo colonizador, porquanto, a fronteira entre as sociedades humanas e a natureza propriamente dita era uma linha t\u00e9nue e pouco significativa. Com o homem europeu forjou-se o que se chamou de civiliza\u00e7\u00e3o, que implicava a destrui\u00e7\u00e3o sistem\u00e1tica do espa\u00e7o\u00a0 natural e consequentemente o cultural, o processo que continua at\u00e9 aos nossos dias. Facto que nos permite postular que as culturas humanas transformam-se pela ac\u00e7\u00e3o humana sobre a natureza. O asfalto e as cidades urbanizadas imp\u00f5em comportamentos aos indiv\u00edduos. A ideia de horta, por exemplo, s\u00f3 pode ser pensada em espa\u00e7os em que o terreno favorece a pr\u00e1tica. Que nomes n\u00e3o receberia um sujeito que ousasse criar uma horta nos jardins da Centralidade do Kilamaba?<\/p><p>A\u00a0 ac\u00e7\u00e3o\u00a0 cultural do homem sobre a\u00a0 natureza\u00a0 por\u00a0 vezes tem consequ\u00eancias devastadoras. Os estados de desfloresta\u00e7\u00e3o do Zango, por exemplo, \u00e9 apontado por especialistas\u00a0 na\u00a0 mat\u00e9ria, como a raz\u00e3o das altas temperaturas nesse espa\u00e7o. A constru\u00e7\u00e3o de v\u00e1rias habita\u00e7\u00f5es sem a redefini\u00e7\u00e3o do curso normal das \u00e1guas que derivam das quedas pluviom\u00e9tricas atrav\u00e9s de constru\u00e7\u00e3o de uma rede de esgoto eficaz, tem levado a v\u00e1rios cen\u00e1rios de inunda\u00e7\u00f5es. Quando chove, nos lugares onde o homem n\u00e3o interveio ainda, as \u00e1guas conhecem o seu curso natural e desembocam geralmente num rio ou formam um lago natural.<\/p><p>A desvincula\u00e7\u00e3o entre natureza e cultura d\u00e1-se por for\u00e7a das barreiras epistemol\u00f3gicas criadas pelo monismo que gerou o binarismo entre ci\u00eancias naturais e ci\u00eancias humanas, em que, por exemplo, Biologia e Antropologia se exclu\u00edam quando, na verdade, se complementam. O processo de evolu\u00e7\u00e3o da esp\u00e9cie humana pode ser explicado sob um vi\u00e9s antropol\u00f3gico e biol\u00f3gico, porque o metabolismo ocorreu, segundo a Hist\u00f3ria, muito por for\u00e7a de pr\u00e1ticas culturais sistem\u00e1ticas e cont\u00ednuas que propiciaram a evolu\u00e7\u00e3o f\u00edsica do homem at\u00e9 ao est\u00e1gio homossapiens. Essa verdade epistemol\u00f3gica sobre a interdisciplinaridade entre campos categoriais tidos como incomunic\u00e1veis rompe dialecticamente com a polariza\u00e7\u00e3o entre Ci\u00eancias Naturais e Ci\u00eancias Humanas. Contudo, \u00e9 importante referir que essa multidisciplinaridade n\u00e3o abala a exist\u00eancia de campos categoriais considerados fechados. Na verdade, os campos categoriais, embora determinem objectos espec\u00edficos, podem oferecer ferramentas para explica\u00e7\u00e3o de fen\u00f3menos que s\u00e3o transversais. Mendes &amp; N\u00f3brega (2004, p. 126), \u201cat\u00e9 os anos de 1950, a biologia restringia-se \u00e0 fisiologia, uma vez que se mantinha fechada para o universo f\u00edsico-qu\u00edmico, consequentemente, fechada para o fen\u00f3meno social\u201d.<\/p><p>Felipe S\u00fcssekind (2018, p. 236) enfatiza que \u00e9 \u201cbem conhecido o facto de que a antropologia, em suas vertentes cl\u00e1ssicas, se caracteriza por estabelecer uma grande divis\u00e3o entre natureza e cultura, a qual inclui a demarca\u00e7\u00e3o de diversas oposi\u00e7\u00f5es complementares: corpo e alma, ambiente e civiliza\u00e7\u00e3o, facto e valor, animal e humano, entre outras\u201d.<\/p>\t\t\t\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t<div class=\"elementor-element elementor-element-40c7723 e-flex e-con-boxed e-con e-parent\" data-id=\"40c7723\" data-element_type=\"container\">\n\t\t\t\t\t<div class=\"e-con-inner\">\n\t\t\t\t<div class=\"elementor-element elementor-element-b320981 elementor-widget elementor-widget-text-editor\" data-id=\"b320981\" data-element_type=\"widget\" data-widget_type=\"text-editor.default\">\n\t\t\t\t<div class=\"elementor-widget-container\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t<p>Ingold (2000)\u00a0 apud\u00a0 S\u00fcssekind (2018, p. 239) defende que a \u201coposi\u00e7\u00e3o entre a natureza e cultura \u00e9 seguida pelo contraste entre o moderno e o tradicional, sendo este \u00faltimo par tratado em termos de sistemas de valores e o primeiro em termos de sistemas de fatos\u201d. \u201cA natureza compreende (engloba, possibilita e em certa medida determina) a cultura; esta \u00e9 parte e uma certa modalidade de express\u00e3o da natureza, (Lima,1998, p.3)\u201d.<\/p><p>\u201cDesse modo, em vez de ser considerada em posi\u00e7\u00e3o\u00a0 antag\u00f3nica \u00e0 natureza, a cultura emerge da natureza e retroage sobre ela. Natureza e cultura, apesar de serem conceitos diferenciados, comunicam-se sem oposi\u00e7\u00f5es\u201d (Mendes; N\u00f3brega, 2004, p. 130). Isto explica a coexist\u00eancia entre o que se designou por homens e n\u00e3o-homens na fotografia em an\u00e1lise. O homem destruiu parte da natureza para construir uma cidade historicamente conhecida por Luanda. Deixou alguns espa\u00e7os verdes ex\u00edguos, cada vez menos abundantes. Entretanto, a cidade continua a ser habitada por elementos que n\u00e3o entram naquilo que seria a ordem estipulada. Homens na cidade e animais na mata, permitindo-se apenas o conv\u00edvio com animais domestic\u00e1veis. Outro problema mais cultural do que natural. Todo o animal pode ser domestic\u00e1vel, adestrado, mas \u00e9 uma habilidade\u00a0 de\u00a0 grupos\u00a0 sociais\u00a0 muito\u00a0 diminuto.\u00a0 Na\u00a0 fotografia\u00a0 ,\u00a0 v\u00ea-se\u00a0 um\u00a0 bando\u00a0 de cegonhas a voarem sobre a cabe\u00e7a do homem.<\/p><p>A cegonha n\u00e3o entra na ordem da domestica\u00e7\u00e3o. \u00c9, deste ponto de vista, um elemento perdido, pois, a biologia ensina-nos que o seu habitat s\u00e3o locais como campos abertos, margens de lagos e lagoas, zonas pantanosas, prados h\u00famidos, v\u00e1rzeas, p\u00e2ntanos, etc. Entretanto, com a suposta separa\u00e7\u00e3o entre o homem e a natureza, a Cegonha, um elemento que entraria na ordem dos animais selvagens, fruto do dualismo entre animais dom\u00e9sticos e animais selvagens, passou a ter tamb\u00e9m as\u00a0 cidades como seu habitat, sobretudo povoando lugares em que \u00e1guas paradas e res\u00edduos s\u00f3lidos formam um ambiente nauseabundo como se pode verificar na fotografia de Gino Sacramento. As sociedades culturais s\u00e3o h\u00edbridas, em termos latourianos, e existem dentro da natureza, por isso s\u00e3o invadidos por elementos os quais se v\u00eam na obriga\u00e7\u00e3o de expulsar. Esses elementos entram na ordem das pragas e devem ser radicalmente combatidos por sua condi\u00e7\u00e3o de agentes patog\u00e9nicos (ratos, baratas, moscas, mosquitos, etc.).<\/p><p>Para Derrida (2002), a no\u00e7\u00e3o de animal resulta da contra-produ\u00e7\u00e3o da ideia de humanidade no pensamento moderno, remetendo sempre a uma aus\u00eancia ou falta daquilo que caracteriza o humano: raz\u00e3o, linguagem, etc.<\/p><p>\u00a0<\/p><p>Nos \u00faltimos trinta anos, aproximadamente, como vimos, tanto as discuss\u00f5es\u00a0 antropol\u00f3gicas sobre colectivos ind\u00edgenas quanto aquelas voltadas para os campos da ci\u00eancia e da t\u00e9cnica t\u00eam revelado liga\u00e7\u00f5es cada vez mais intrincadas entre humanos e n\u00e3o humanos. Os sentidos do animal, seu estatuto e lugar passaram, desde ent\u00e3o, a ser revistos nos debates te\u00f3ricos da antropologia a partir de um questionamento amplo sobre a separa\u00e7\u00e3o moderna entre os dom\u00ednios da natureza e da cultura, ou do sujeito e do objeto (S\u00fcssekind, 2018, p. 245).<\/p><p>\u00a0<\/p><p>A ideia da\u00a0 separa\u00e7\u00e3o das sociedades e a natureza est\u00e1 na base de muitas atitudes ignorantes desencadeadas pelo homem. Por exemplo, se todos tivessem a no\u00e7\u00e3o que a terra \u00e9 um lugar natural, n\u00e3o deixariam sobre ela amontoados de lixos que se podem verificar nessa fotografia e em v\u00e1rios lugares da cidade capital. \u00c9 por demais sabido que a produ\u00e7\u00e3o exagerada de lixo sem nenhum tratamento est\u00e1 entre as principais raz\u00f5es da polui\u00e7\u00e3o e degrada\u00e7\u00e3o do solo e, entre as consequ\u00eancias, h\u00e1 o desequil\u00edbrio ecol\u00f3gico que condiciona a vida de outros seres viventes e do pr\u00f3prio homem. Como resposta paliativa por parte dos cidad\u00e3os que vivem nos arredores, adoptam-se medidas como a queimada, agravando um quadro ambiental j\u00e1 enfermo.<\/p><p>\u00c0 guisa de conclus\u00e3o, postula-se que natureza, cultura e sociedade s\u00e3o estruturas insepar\u00e1veis e, nesse sentido, e no que se refere \u00e0s ideias canonizadas pela antropologia, segundo\u00a0 S\u00fcssekind (2018,p. 240) \u201cao longo do tempo, a ordem da natureza pode ser definida como uma esp\u00e9cie de suporte material para os projetos, universos conceituais e organiza\u00e7\u00f5es sociais humanos\u201d. O pr\u00f3prio homem que rejeita a natureza \u00e9 um ser biol\u00f3gico e ao mesmo tempo um individuo social, como sustentaria L\u00e9vi-Strauss (1982). O acto de dar \u00e0 luz \u00e9 natural, a maneira como se d\u00e1 \u00e0 luz \u00e9 cultural. A necessidade de se alimentar \u00e9 natural, o modo como nos alimentamos e o que nos alimentamos resulta de um processo de sele\u00e7\u00e3o cultural.<\/p><p>\u00a0<\/p>\t\t\t\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t<div class=\"elementor-element elementor-element-82b2665 e-flex e-con-boxed e-con e-parent\" data-id=\"82b2665\" data-element_type=\"container\">\n\t\t\t\t\t<div class=\"e-con-inner\">\n\t\t\t\t<div class=\"elementor-element elementor-element-7a530e1 elementor-widget elementor-widget-heading\" data-id=\"7a530e1\" data-element_type=\"widget\" data-widget_type=\"heading.default\">\n\t\t\t\t<div class=\"elementor-widget-container\">\n\t\t\t\t\t<h2 class=\"elementor-heading-title elementor-size-default\">Refer\u00eancias\n<\/h2>\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<div class=\"elementor-element elementor-element-70329eb elementor-widget elementor-widget-text-editor\" data-id=\"70329eb\" data-element_type=\"widget\" data-widget_type=\"text-editor.default\">\n\t\t\t\t<div class=\"elementor-widget-container\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t<p>Derrida, J. (2002). <em>O animal que logo sou<\/em>. S\u00e3o Paulo, UNESP.<\/p><p>Interse\u00e7\u00f5es[Rio de Janeiro] v. 20 n. 1, p. 236-254, jun. 2018 \u2013 S\u00dcSSEKIND, <em>Natureza <\/em><\/p><p><em>e Cultura: Sentidos da diversidad<\/em>e.<\/p><p>Latour, B.(2005 ). <em>Jamais Fomos Modernos<\/em> &#8211; Ensaios de Antropologia Sim\u00e9trica. S\u00e3o<\/p><p>Paulo,Editora 34.<\/p><p>L\u00e9vi-strauss ,C. (1990) . <em>O pensamento selvagem<\/em>.Campinas, Papirus<\/p><p>_______ (2013). Jean-Jacques Rousseau, fundador das ci\u00eancias do homem.<\/p><p><em>Antropologia estrutural dois<\/em>. Tradu\u00e7\u00e3o de Beatriz Perrone-Mois\u00e9s. S\u00e3o Paulo, Cosac<\/p><p>Naify. p. 45-55.<\/p><p>_______ (1982) <em>As Estruturas elementares do parentesco<\/em>.tradu\u00e7\u00e3o de Mariano<\/p><p>Ferreira. Petr\u00f3polis, Vozes, 1982<\/p><p>Lima, T. S. (1998). Para uma teoria etnogr\u00e1fica da distin\u00e7\u00e3o natureza e cultura na cosmologia juruna. XXII\u00ba Encontro Anual da ANPOCS GT Etnologia Ind\u00edgena (Sess\u00e3o: Formas\u00a0 de\u00a0 Sociabilidade\u00a0 e\u00a0 Filosofias\u00a0 Ind\u00edgenas\u00a0 da\u00a0 Alteridade).Coordena\u00e7\u00e3o: Dominique Gallois &amp; Denise Fajardo.<\/p><p>Mendes, M. I. B. S. ; N\u00f3brega, T. P.(2014). <em>Corpo, natureza e cultura: contribui\u00e7\u00f5es para a educa\u00e7\u00e3o<\/em>. Universidade Federal do Rio Grande do Norte, Programa de P\u00f3sGradua\u00e7\u00e3o em Educa\u00e7\u00e3o. Revista Brasileira de Educa\u00e7\u00e3o. Set \/Out \/Nov \/Dez 2004 N\u00ba 27.<\/p><p>Ramos, M. M. (2009). <em>Fotografia e arte: demarcando fronteiras<\/em>. In: Contempor\u00e2nea, Sorocaba, n.12, p. 129-142, 2009<\/p>\t\t\t\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Figura 1: Fotografia de Gino Sacramento O t\u00edtulo deste artigo configura, \u00e0 partida, um paradoxo, na medida em que, implicitamente, convoca duas realidades (tradi\u00e7\u00e3o e<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[163],"tags":[167],"ppma_author":[174],"class_list":["post-12732","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-tambem-e-filosofia","tag-tambem-e-filosofia"],"aioseo_notices":[],"authors":[{"term_id":174,"user_id":2,"is_guest":0,"slug":"simbad","display_name":"H\u00e9lder Simbad","avatar_url":{"url":"https:\/\/akweno.ao\/helder2\/wp-content\/uploads\/2024\/02\/autor_hsimbad-n-1.png","url2x":"https:\/\/akweno.ao\/helder2\/wp-content\/uploads\/2024\/02\/autor_hsimbad-n-1.png"},"author_category":"1","first_name":"H\u00e9lder","last_name":"Simbad","user_url":"","job_title":"","description":""}],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/akweno.ao\/helder2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/12732","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/akweno.ao\/helder2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/akweno.ao\/helder2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/akweno.ao\/helder2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/akweno.ao\/helder2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=12732"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/akweno.ao\/helder2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/12732\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":13058,"href":"https:\/\/akweno.ao\/helder2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/12732\/revisions\/13058"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/akweno.ao\/helder2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=12732"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/akweno.ao\/helder2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=12732"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/akweno.ao\/helder2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=12732"},{"taxonomy":"author","embeddable":true,"href":"https:\/\/akweno.ao\/helder2\/wp-json\/wp\/v2\/ppma_author?post=12732"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}