{"id":12403,"date":"2024-05-17T12:16:15","date_gmt":"2024-05-17T12:16:15","guid":{"rendered":"https:\/\/heldersimbad.org\/?p=12403"},"modified":"2025-04-27T16:02:58","modified_gmt":"2025-04-27T16:02:58","slug":"erotismo-e-representacao-da-mulher-em-enviesada-rosa-de-helder-simbad","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/akweno.ao\/helder2\/2024\/05\/17\/erotismo-e-representacao-da-mulher-em-enviesada-rosa-de-helder-simbad\/","title":{"rendered":"Erotismo E Representac\u0327a\u0303o Da Mulher Em Enviesada Rosa De He\u0301lder Simbad"},"content":{"rendered":"<h2>Resumo<\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">O presente artigo visa compreender a forma como a Literatura utiliza a sexualidade feminina como instrumento de escrita, analisar as diversas formas que o autor usa para descrever a mulher e o que ela significa para ele. A nossa pesquisa e\u0301 qualitativa e, em termos de procedimentos, trabalha\u0301mos essencialmente com a pesquisa bibliogra\u0301fica e efetuamos uma entrevista ao autor para colhermos mais informac\u0327o\u0303es a respeito da obra.<\/p>\n<p><strong>Palavras chave<\/strong>: Rosa,Mulher,Erotismo,Representac\u0327ao ,Enviesada<\/p>\n<h2>Abstract<\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">This article aims to understand how Literature uses female sexuality as a writing tool ,to analyze the different ways the author uses to describe women and what this means to him .Our research is qualitative and in terms of producedures we, worked with the autor\u2019s bibliographical research and conducted na interview with the author to collect more information about the work .<\/p>\n<p><strong>Keywards<\/strong>: Skewed ,pink,woman,eroticism,representation<\/p>\n<h2>Introduc\u0327a\u0303o<\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">O presente trabalho tem como tema Erotismo e representac\u0327a\u0303o da mulher em Enviesada Rosa de Helder Simbad e visa abordar a forma como Helder Simbad usa o corpo da mulher como instrumento de escrita ero\u0301tica, as questo\u0303es socioculturais em volta ao erotismo e a forma como retrata em versos a sexualidade feminina. Para este fim, Enviesada Rosa, escrita por Helder Simbad, foi escolhida como objeto de ana\u0301lise, porque nos da\u0301 representac\u0327a\u0303o e caracterizac\u0327a\u0303o da mulher de uma forma real e ficcional. Partindo deste pressuposto, nosso objetivo e\u0301 compreender a forma como a escrita de<\/p>\n<p>Simbad representa cada parte do corpo da mulher e os significados que va\u0303o ganhando em detrimento dos contextos que sa\u0303o apresentados artisticamente falando e discorridos nos versos da obra, buscando, assim, averiguar a presenc\u0327a ou ause\u0302ncia do erotismo, uma heterogeneidade na representac\u0327a\u0303o da arte, em relac\u0327a\u0303o ao que geralmente e\u0301 divulgado e a\u0300s vezes confundido com o que pode vir a ser pornogra\u0301fico e disparati\u0301stico.<\/p>\n<p>Para se chegar ao objectivo deste estudo, e\u0301 necessa\u0301rio primeiro apresentar um referencial teo\u0301rico que servira\u0301 de base para a fundamentac\u0327a\u0303o da ana\u0301lise. Numa primeira insta\u0302ncia, sera\u0301 exprimido a relac\u0327a\u0303o entre mulher, o papel da mulher na Literatura. Por isso, recorremos a diferentes autores para expor a tema\u0301tica da construc\u0327a\u0303o e projecc\u0327a\u0303o das identidades e das representac\u0327o\u0303es do erostimo e da mulher nas sociedades. Tendo em vista que a robustez da mulher pode servir de instrumento de inspirac\u0327a\u0303o arti\u0301stica actuam como ferramentas de traduc\u0327a\u0303o, vamos apresentar as caracteri\u0301sticas que conferem a esses meios a\u0300 func\u0327a\u0303o de representac\u0327a\u0303o das sociedades.<\/p>\n<p>A escolha do presente tema foca-se no impulso pessoal, porquanto escrevo poesia ero\u0301tica e procurei um autor contempora\u0302neo que tem a mesma forma de expressa\u0303o arti\u0301stica que atrave\u0301s de suas lentes compreende o papel de Ninfa que as mulheres te\u0302m desempenhado e as suaves manifestac\u0327o\u0303es arti\u0301sticas culturais. E\u0301, tambe\u0301m, de bastante pertine\u0302ncia, para mostrar a\u0300 sociedade que o poder da mulher na\u0303o se limita ao seu o\u0301rga\u0303o genital. Com efeito, como pergunta de partida estabelecemos a seguinte: como caracterizar a construc\u0327a\u0303o do erotismo constante em \u201cEnviesada Rosa\u201d e como a mulher e\u0301 representada nela?<\/p>\n<p>Em termos globais, queremos compreender a forma como a Literatura utiliza a sexualidade feminina como instrumento de escrita, analisar as diversas formas que o autor usa para descrever a mulher e o que ela significa para ele. A nossa pesquisa e\u0301 qualitativa e, em termos de procedimentos, trabalha\u0301mos essencialmente com a pesquisa bibliogra\u0301fica e efectua\u0301mos uma entrevista ao autor para colhermos mais informac\u0327o\u0303es a\u0300 respeito da obra.<\/p>\n<p>Quanto a\u0300 sua estrutura, o arquivo aborda resumidamente os princi\u0301pios teo\u0301ricos sobre: o erotismo do ponto de vista teo\u0301rico poesia ero\u0301tica, a histo\u0301ria da poesia ero\u0301tica em Angola e a discussa\u0303o onde se fara\u0301 uma apresentac\u0327a\u0303o resumida do autor e analisaremos a sua obra do ponto de vista te\u0301cnico e as significac\u0327o\u0303es que a mulher toma.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Por fim, as considerac\u0327o\u0303es finais, onde apresentaremos em si\u0301ntese os resultados obtidos, acentuados para a importa\u0302ncia de continuar a investigac\u0327a\u0303o desenvolvida.<\/p>\n<h2>Erostismo<\/h2>\n<p>Seja como for, se o erotismo e\u0301 a atividade sexual do homem, o e\u0301 na medida em que<br \/>\nela difere da dos animais. A atividade sexual dos homens na\u0303o e\u0301 necessariamente ero\u0301tica. Ela o e\u0301 sempre que na\u0303o for rudimentar, que na\u0303o for simplesmente animal.(20)<\/p>\n<h2>Sobre o livro Enviesado Rosa e sobre o autor<\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>Enviesada Rosa (poesia ero\u0301tica africana)<\/em> e\u0301 uma obra de He\u0301lder Simbad, pseudo\u0302nimo de He\u0301lder Silvestre Andre\u0301, constitui\u0301da por 57 pa\u0301ginas, dentre as quais 39 sa\u0303o poemas. Foi publicada em 2017 pelo INIC em celebrac\u0327a\u0303o ao Pre\u0301mio Litera\u0301rio Anto\u0301nio Jacinto, que foi atribui\u0301da a mesma. Numa entrevista com o autor, descobrimos que o subti\u0301tulo &#8220;poesia ero\u0301tica africana\u201d tinha como objectivo a publicac\u0327a\u0303o da obra em Portugal, havendo essa necessidade de deixar expli\u0301cito que o autor recorre a si\u0301mbolos africanos para expressar de uma forma ero\u0301tico\/arti\u0301stico relac\u0327o\u0303es afectivas, ou como testemunho para passar mensagens subliminares de intervenc\u0327a\u0303o social, portanto o erotismo, na obra, so\u0301 e\u0301 usado como uma te\u0301cnica de escrita como deixaremos mais claro nas pro\u0301ximas pa\u0301ginas do nosso trabalho.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Embora seja um autor jovem, e\u0301 possi\u0301vel encontrar alguns trabalhos sobre o livro o qual nos servimos como objecto de estudo e de outros do autor. Neste a\u0302mbito, de acordo com Joa\u0303o Fernando Andre\u0301, cri\u0301tico litera\u0301rio da nova vaga, no poema\u0301rio, Enviesada Rosa, e\u0301 exaltada a pa\u0301tria angolana, sena\u0303o mesmo a ma\u0301tria A\u0301frica, sendo, portanto, uma obra que na\u0303o se le\u0302, mas sim que se sente. A Luso-Angolana Lui\u0301sa Fresta, sobre Enviesada Rosa, destaca desde logo uma este\u0301tica pro\u0301pria que corresponde a uma matriz defendida pelo Movimento Litteragris, do qual faz parte o autor, e que, desde ha\u0301 va\u0301rios anos, actua no campo das Letras com dinamismo crescente e de maneira diversificada. Em relac\u0327a\u0303o ao livro, vamos nos incidir na construc\u0327a\u0303o do erotismo e em como a mulher e\u0301 retratada na obra.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">He\u0301lder Simbad e\u0301 psedo\u0301nimo de He\u0301lder Silvestre Simba Andre\u0301, natural de Cabinda, nasceu aos 13 de Agosto de 1987. E\u0301 poeta, professor e cri\u0301tico litera\u0301rio. Venceu com o livro Enviesado Rosa o Pre\u0301mio Litera\u0301rio Anto\u0301nio Jacinto 2017 e tem publicado os livros Insurreic\u0327a\u0303o dos Signos no Brasil, Portugal e Angola. Igualmente uma prosa em formato digital, intitulada A Palanca dos Chifres Dourados. Tem livros e artigos<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">cienti\u0301ficos publicados nas a\u0301reas da literatura, traduc\u0327a\u0303o e filosofia. Integra o corpo de jurado da UCCLA,pre\u0301mio para novos talentos da lusofonia. E\u0301 cofundador do Movimento Litteragris e ideo\u0301logo do mesmo.<\/p>\n<h2>Construc\u0327a\u0303o do erotismo em Enviesada Rosa<\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">Para a construc\u0327a\u0303o da poesia do livro Enviesada Rosa, o autor recorre essencialmente a\u0300s seguintes te\u0301cnicas: a criac\u0327a\u0303o de um campo sema\u0302ntico, os trocadilhos e a agriste\u0301tica.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Campo sema\u0302ntico consiste em colocar no texto palavras do mesmo sistema de significac\u0327a\u0303o ou conceitos especi\u0301ficos de determinada a\u0301rea. Neste sentido, no texto <strong>SAARA<\/strong>, (p.24),o autor recorre a elementos da natureza para erotizar o corpo da mulher. Podemos constatar que ha\u0301 criac\u0327a\u0303o de um campo sema\u0302ntico por le\u0301xicos presentes no deserto usando como instrumento de escrita para simplesmente sexualizar\/erotizar o corpo da mulher:<\/p>\n<p style=\"padding-left: 160px;\">Navegar a beijos sobre o <strong>deserto<\/strong>(corpo) da <strong>Sara<\/strong><br \/>\nenfrentar a <strong>eo\u0301lica erosa\u0303o<\/strong><br \/>\ndescobrir <strong>Oasis<\/strong><br \/>\ncolocando-me na gruta dourada<br \/>\n<strong>pira\u0302mide<\/strong> invertida<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nota-se que todas essas palavras em negrito remetem para o deserto de Saara, localizado no Egipto e \u201cerosa\u0303o eo\u0301lica \u201ce\u201d Oasis&#8221; sa\u0303o feno\u0301menos que se da\u0303o exclusivamente no deserto. Embora grafe Sara, sabemos que a coincide\u0302ncia sonora e\u0301 que tera\u0301 levado o autor a buscar signos do deserto que alberga as grandes pira\u0302mides egi\u0301pcias. Por esse motivo, o ti\u0301tulo do poema e\u0301 Saara e na\u0303o Sara. Essa diferenc\u0327a, entretanto, pode indiciar alguma desatenc\u0327a\u0303o da parte do autor, se entendermos que este busca sempre a melhor harmonia no acto de construc\u0327a\u0303o dos seus textos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No texto Corpo de argila, (p.25), o autor recorre a\u0300 mesma te\u0301cnica para erotizar o corpo da mulher, no entanto, com elementos de simbologia africana. Ca\u0301, usa-se toda antiguidade e ancestralidade africana para explicar o corpo ou erotizar o corpo feminino.<\/p>\n<p style=\"padding-left: 160px;\"><strong>Koi-San<\/strong> de caneta carva\u0303o<br \/>\npor <strong>Tchitundo-Hulo<\/strong><br \/>\nverso do cancioneiro <strong>Kwanyama<\/strong><br \/>\naforismo da Filosofia <strong>Ibinda<\/strong><br \/>\ncorpo da <strong>argila<\/strong> modelada<br \/>\npor um <strong>soba da Lunda<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No texto a lua nas minhas cabec\u0327as, (p.30), o poema onde provavelmente esse conceito de campo e\u0301 melhor aplicado, o autor recorre a\u0300 conceitos da Astronomia, cie\u0302ncia que estuda o universo, para associar a um acto sexual em que os devaneios levam-nos a viagens co\u0301smicas conferida pela ilusa\u0303o do sentir:<\/p>\n<p style=\"padding-left: 160px;\">Meus olhos <strong>cometas<\/strong><br \/>\n<strong> pluniverso<\/strong><br \/>\n<strong> a velocidade da luz<\/strong><br \/>\numa cortina de <strong>astros<\/strong> desce <strong>infinita<\/strong><br \/>\n<strong> contornos lunares<\/strong><\/p>\n<p style=\"padding-left: 160px;\">\u00a0da cadeira da <strong>nuvem<\/strong><br \/>\nas <strong>luas<\/strong> das minhas cabec\u0327as<br \/>\nnum descendente <strong>movimento girato\u0301rio<\/strong><br \/>\nno <strong>buraco negro<\/strong><br \/>\n<strong> as vias la\u0301cteas<\/strong> que escorrem do teu sangue<br \/>\nno texto <strong>gestos de guerra<\/strong> (p.30)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Esta te\u0301cnica, a da criac\u0327a\u0303o de campo sema\u0302ntico, persegue o autor em va\u0301rios poemas, sendo uma das principais em toda a Enviesada Rosa. Dando seque\u0302ncia, parece- nos que a criac\u0327a\u0303o poe\u0301tica em He\u0301lder Simbad na\u0303o encontra barreira lingui\u0301stica. No texto abaixo, o autor usa o disfemismo (uma figura de linguagem que consiste no emprego de expresso\u0303es ou termos rudes, desagrada\u0301veis ou muito diretas no lugar de outra mais leve, branda e neutra), pois o autor usa o conhecimento que tem sobre uma guerra devastadora para explicar o sexo entre duas pessoas e num outro texto sem pensar em como diversas sensibilidades podem encarar o assunto brinca, por exemplo, com o tema da pedofilia, embora queira demonstrar a agressa\u0303o de quem lidera:<\/p>\n<p style=\"padding-left: 160px;\">depois do <strong>Kuito<\/strong><br \/>\n<strong> Kuanavale<\/strong> sobre montes<br \/>\nde mu\u0301sculos repousas<br \/>\ntranscendem <strong>o<\/strong> <strong>ce\u0301u de zinco<\/strong><br \/>\nque <strong>precipita episo\u0301dicos chuviscos p. 32<\/strong><\/p>\n<p style=\"padding-left: 160px;\"><strong>Pedo\u0301fila dor<\/strong><br \/>\nque <strong>me viola a infa\u0302ncia da\u0300lma<\/strong><br \/>\ncom herme\u0301tico erotismo<br \/>\n.<strong> p. 48<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nos textos das pa\u0301ginas 38, 41,45 e 54, ainda na esteira da noc\u0327a\u0303o de campo sema\u0302ntico, o autor usa elementos da cultura judaico-crista\u0303, o que seria profanac\u0327a\u0303o nesta<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">ordem religiosa, para explicar suas experie\u0302ncias sexuais. Nos dois poemas sinalizados abaixo serve-se dos dois primeiros entes do qual o mundo se procriou, de acordo com a cultura judaico-crista\u0303:<\/p>\n<p style=\"padding-left: 160px;\">animal nascido <strong>dEva<\/strong><br \/>\ne nesse evento me invento <strong>Ada\u0303o\u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0(p.38)<\/strong><\/p>\n<p style=\"padding-left: 160px;\">pregou <strong>EVA<\/strong>ngelho de caricias<br \/>\ne mais um <strong>Ada\u0303o<\/strong> fo(i)deu o mundo\u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0<strong>(p.54)<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A referida cultura religiosa e\u0301 construi\u0301da na oposic\u0327a\u0303o entre o bem e o mal. Entretanto, He\u0301lder Simbad na\u0303o distingue essas duas dimenso\u0303es morais e santifica o mal, tudo em prol do prazer sexual, evidencaindo o olhar hipnotizador da amada que chama para o acto sugere:<\/p>\n<p style=\"padding-left: 160px;\">em teus <strong>sata\u0302nicos divinolhos<\/strong><br \/>\nbrotam rosados e espinhosos miste\u0301rios<br \/>\nbem se pode dizer na\u0303o e\u0301s daqui\u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0<strong>(p.41)<\/strong><\/p>\n<p>Essa tende\u0302ncia de se diluir a fronteira entre as palavras que simbolizam o mal e o bem verifica-se igualmente no poema <strong>Pa\u0301tria Comum<\/strong>:<\/p>\n<p style=\"padding-left: 160px;\">toda a poesia numa cama acontece<br \/>\no sexo<br \/>\na cla\u0301ssica <strong>doutrina<\/strong><br \/>\nmistura <strong>celestial<\/strong><br \/>\nde carne de mel<br \/>\nde <strong>canc\u0327o\u0303es<\/strong><br \/>\nde <strong>anjos<\/strong><br \/>\n<strong> demo\u0302nios<\/strong><br \/>\nastros acesos sobre <strong>o ce\u0301u<\/strong> da cama<br \/>\na pa\u0301tria\u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0<strong>(p.45)<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Uma outra te\u0301cnica usada pelo poeta esta\u0301 associada aos trocadilhos que levam o autor a criar uma espe\u0301cie de falta de coesa\u0303o para encontrar novos sentidos nas palavras. No texto Cocktail africano(pa\u0301g.26), por exemplo, o autor faz uma associac\u0327a\u0303o do maruvo para explicar a relac\u0327a\u0303o do vinho,bebida ,com a virilidade e a fertilidade do homem.Tambe\u0301m usa o vinho, substantivo, como forma verbal, para exemplificar o trocadilho como te\u0301cnica de escrita.<\/p>\n<p style=\"padding-left: 160px;\">ela <strong>vinha<\/strong> numa sanga<br \/>\neu <strong>vinho<\/strong> de palmeira<br \/>\nou de volu\u0301pia<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Da agriste\u0301tica, He\u0301lder Simbad herda o ti\u0301tulo no final do poema que, de acordo com o manifesto do Movimento Litteragris sobre poesia, deriva da noc\u0327a\u0303o do<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">automatismo litera\u0301rio, inspirado na este\u0301tica surrealista. Os agristetistas sugerem que, se sa\u0303o guiados pela intuic\u0327a\u0303o e o ti\u0301tulo e\u0301 a u\u0301ltima coisa a ser pensada, enta\u0303o, este deve ser colocado no final do texto. Outra te\u0301cnica herdada e\u0301 a desfixac\u0327a\u0303o ou desmembramento, conceitos criado por Mabanza Kambaca e Alfredo Vinela Calala respectivamente, membro do Litteragris, de acordo com He\u0301lder Simbad, para se referir a separac\u0327a\u0303o de elementos de uma palavra que criam uma estrutura significativa. Por vezes, nessa separac\u0327a\u0303o, acrescentam-se elementos gra\u0301ficos para conferir o significado pretendido:<\/p>\n<p style=\"padding-left: 160px;\">Confessa teu crime<br \/>\nsobre gemidos<br \/>\nsobre fa\u0301lica <strong>vibra acc\u0327a\u0303o<\/strong><br \/>\n<strong> (p. 52)<\/strong><\/p>\n<p style=\"padding-left: 160px;\">destruiu doutrinas<br \/>\ne outros motivos este\u0301ticos <strong>trouxe eram<\/strong> poe\u0301ticas<br \/>\n<strong> p. 54<\/strong><\/p>\n<p style=\"padding-left: 160px;\">Solta teus tigres de sol<br \/>\ne me devora com fe\u0301 Lina paixa\u0303o<br \/>\n<strong> p.47<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Se por um lado separam elementos da palavra para atrave\u0301s do som buscarem novas significac\u0327o\u0303es ou ampliarem os significados, esse processo de busca de significados da\u0301-se tambe\u0301m com as ama\u0301lgamas, o oposto de desfixac\u0327a\u0303o ou desmembramento, onde &#8220;kizombandando surrealmente&#8221; significa andar danc\u0327ando o estilo kizomba durante o processo de excitac\u0327a\u0303o sexual; &#8221; O\u0301 mundo kwanzapitalista&#8221; remete para uma Angola dominada pela moeda nacional onde o dinheiro e\u0301 o mais importante nas relac\u0327o\u0303es amorosas; e &#8220;jardins de rosapinhos&#8221; revela um sentimento como o amor que causa dor a quem o sente:<\/p>\n<p style=\"padding-left: 160px;\">num poema natural<br \/>\n<strong> kizombandando<\/strong> surrealmente<br \/>\n<strong> p. 33<\/strong><\/p>\n<p style=\"padding-left: 160px;\">O\u0301 <strong>mundo kwanzapitalista<\/strong><br \/>\nsobre os olhos de Sa\u0303o Valentim<br \/>\na beleza te oferec\u0327o<br \/>\n<strong> p. 34<\/strong><\/p>\n<p style=\"padding-left: 160px;\">Enlouquecer nos <strong>jardins de rosapinhos<\/strong><br \/>\n<strong> p. 53<\/strong><\/p>\n<p style=\"padding-left: 160px;\"><strong>Atraverso<\/strong><br \/>\nas frias correntes do tempo<br \/>\n<strong> p. 48<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A crase induzida e\u0301 outro procedimento da agriste\u0301tica e consiste, segundo informou o autor, na fusa\u0303o de um vogal terminal com a vogal incial de uma palavra. Como numa crase normal, as vogais devem ser similares, ou seja, a+a,e+e , e por ai\u0301 fora:<\/p>\n<p style=\"padding-left: 160px;\">desenterro o ancestral<br \/>\nanimal nascido <strong>dEva<\/strong><br \/>\n<strong> p.38<\/strong><\/p>\n<p style=\"padding-left: 160px;\">os parafusos <strong>da\u0300marga<\/strong> paixa\u0303o<br \/>\n<strong> p. 53<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Quem ficar nas pa\u0301ginas desse livro apenas naquilo o que se julga aparente perde muitos aspectos da obra. O erotismo, em Enviesda Rosa, por vezes, e\u0301 so\u0301 um pretexto para se tocar em questo\u0303es sociais. No poema \u00abPATRIO\u0301TICO ORGASMO\u00bb, por exemplo, Je\u0301ssica Pitbul simboliza a perversa\u0303o na sociedade angolana legitimada e incentivada por poli\u0301ticas enviesadas:<\/p>\n<p style=\"padding-left: 160px;\"><strong>Je\u0301ssica Pitbul<\/strong><br \/>\ne\u0301 minha<br \/>\ne\u0301 nossa<br \/>\nenviesada rosa<br \/>\nde fogo e mel<br \/>\n<strong> fruto de a\u0301rvore sangrenta<\/strong><br \/>\nEfe\u0301mera promessa e\u0301 leito oral<br \/>\n<strong> p. 56<\/strong><\/p>\n<p>Para atacar as assimetrias sociais, o poeta em \u00abPA\u0301TRIA COMUM\u00bb, procura demonstrar que, pelo menos, durante o acto sexual, todos sa\u0303o iguais:<\/p>\n<p style=\"padding-left: 160px;\">Profetas poetas poli\u0301ticos<br \/>\nreligiosos mundanos cidada\u0303os<br \/>\nestendidos e entendidos<br \/>\nse faz sagrado o profano<br \/>\nquando do fogo da rosa inversa<br \/>\ncom pe\u0301talas de pirilampos<br \/>\nacende-se a luz de todas as pa\u0301trias<br \/>\n<strong> \u00abPA\u0301TRIA COMUM\u00bb p.45<\/strong><\/p>\n<p>Em \u00abHERME\u0301TICO EROTISMO\u00bb, Simbad expo\u0303e algo que vai para ale\u0301m do erostimo por conta da viole\u0302ncia que usa para descrever a falta que algue\u0301m faz que podera\u0301 ser um parente ou algue\u0301m que amou:<\/p>\n<p style=\"padding-left: 160px;\">Atraverso<br \/>\nas frias correntes do tempo<br \/>\ncravando com punhal da ause\u0302ncia<br \/>\num nome nas li\u0301ricas pa\u0301ginas<br \/>\nda dor.<br \/>\nPedo\u0301fia dor<br \/>\nque me viola a infa\u0302ncia da\u0300lma<br \/>\ncom herme\u0301tico erotismo<br \/>\n<strong>. p. 48<\/strong><\/p>\n<h2>Representac\u0327a\u0303o da mulher em Enviesada Rosa<\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">Desde os primo\u0301rdios do mundo que o papel da mulher na\u0303o se resume em \u201csatisfac\u0327a\u0303o sexual\u201d, pois o seu desempenho vai muito ale\u0301m de orgasmos: mulher e\u0301 progenitora, auxi\u0301lio do homem, e, nos u\u0301ltimos tempos te\u0302m se destacado em a\u0302mbitos poli\u0301ticos,sociais,econo\u0302micos e se elevado tambe\u0301m em cargos de renome ao redor do mundo.Grac\u0327as a evoluc\u0327a\u0303o dos tempos,as mulheres ja\u0301 te\u0302m sido permitidas demonstrar que o seu poder vai ale\u0301m dos seus o\u0301rga\u0303os genitais e transcende a limitac\u0327a\u0303o e submissa\u0303o que lhes foi atribui\u0301da,trazendo para aquilo que e\u0301 o meu corpus e objeto de ana\u0301lise, mulher ,em Enviesada Rosa,e\u0301 usada como inspirac\u0327a\u0303o para critica social,mostrar a insatisfac\u0327a\u0303o de como a mulher e\u0301 usada em algumas culturas,na\u0303o obstante, a obra ,num co\u0302mputo geral,tem a mulher como instrumento de satisfac\u0327a\u0303o sexual.Vejamos alguns extratos retirados da obra:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No texto \u00abMULHER IBINDA\u00bb , pa\u0301gina 19, a mulher e\u0301 usada como expressa\u0303o de uma cultura,especificamente,a cultura ibinda. Podemos observar, em todo poema, um certo entoar de endeusamento a\u0300 mulher ibinda, conterra\u0302neas do autor :<\/p>\n<p style=\"padding-left: 160px;\">Miss Cabinda<br \/>\nmwana Cabinda<br \/>\ninfinita deusa com rosto de flor<br \/>\nsegredo do Mayombe(&#8230;)<\/p>\n<p style=\"padding-left: 160px;\">Banhas-te no Mbanda<br \/>\ne renasces deusa<br \/>\nporque e\u0301s u\u0301nica<br \/>\nna imensa Angola<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Uma cultura marcada por va\u0301rios ritos. Um dele e\u0301 o Tchikumbi e\u0301 um ritual de iniciac\u0327a\u0303o ,de Cabinda,em que a menina e\u0301 levada para uma casa (casa de tintas) para ser orientada a ser mulher.<\/p>\n<p style=\"padding-left: 160px;\">Construi\u0301da na casa de tintas<br \/>\n(tchikumbi)<br \/>\nornada de natureza<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Este poema e\u0301 mais do que uma simples exaltac\u0327a\u0303o da mulher-mulher. E\u0301 tambe\u0301m um canto a mulher-terra e dos aspectos culturais que nela ocorrem. Exemplo disso seriam os bakamas, elementos da espiritualidade cabindense, homens espirituais<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\">que se revestem de um tecido de palha , que aparecem em actividades culturais e representam a cultura ibinda<\/p>\n<p style=\"padding-left: 160px;\">Vai o\u0301 mulher Ibinda<br \/>\nde Belize a Ntandunzizi<br \/>\nsobe as li\u0301ricas montanhas do Jika<br \/>\ndesfiando kintuene e<br \/>\nvarrera\u0303o os Bakamas<br \/>\nhomens de palhas<br \/>\nos espi\u0301ritos contra\u0301rios<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No texto \u00abOrgia\u00bb, pa\u0301gina 20,o autor apresenta a mulher mukubal como algue\u0301m que se oferece para ter sexo ,objetiva e sexualiza uma entidade cultural, que guardam os u\u0301ltimos vesti\u0301gios da nossa ancestralidade africana,mas que na sua concepc\u0327a\u0303o moderna,o autor, ao ver os seios fora, pensa exclusivamente em sexo.Coloca de lado a questa\u0303o cultural ,que na\u0303o e\u0301 um olhar sexual aos seios fora,mas a normalidade e identidade cultural especificamente para aquele povo da regia\u0303o do sul de Angola:<\/p>\n<p style=\"padding-left: 160px;\">Atmosfera de ri\u0301timos africanos<br \/>\nnos ce\u0301us das minhas cabec\u0327as<br \/>\nEgi\u0301pcias e mukubais<br \/>\nornadas de missangas<br \/>\ndese\u0301rticas mulheres<br \/>\nmostrando seios<br \/>\nEvento a\u0300 parte<br \/>\nnas costas da paradisi\u0301aca flresta<br \/>\no vai e vem de Gazela oferecida<br \/>\ne o furtivo olhar de cac\u0327ador estagia\u0301rio<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No texto <strong>\u00abINTE(R)RUPC\u0327A\u0303O\u00bb, pa\u0301gina 22<\/strong> ,o autor endeusa ou mitifica a mulher,mas olha simplesmente para ela como si\u0301mbolo de satisfac\u0327a\u0303o sexual.Mais uma vez podemos comprovar a limitac\u0327a\u0303o a que as mulheres sa\u0303o impostas e a percepc\u0327a\u0303o de que depois da cama,depois do prazer,as mulheres na\u0303o representam nada para os homens.<\/p>\n<p style=\"padding-left: 160px;\">\u00a0Quadrupla bebendo infinito<\/p>\n<p style=\"padding-left: 160px;\">aquoso espelho kianda<\/p>\n<p style=\"padding-left: 160px;\">Serpentina ma\u0303o<\/p>\n<p style=\"padding-left: 160px;\">\u00a0 afastando desejos leoninos<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O texto 23, o texto central da antologia,rosa de fogo representa o poder da mulher ,mas e\u0301 um poder que so\u0301 representa o poder que esta\u0301 entre as pernas da mulher.Ca\u0301 o autor usa a feminilidade ,o o\u0301rga\u0303o genital feminino como si\u0301mbolo de poder , quando ja\u0301 podemos observar mulheres a representarem altos cargos, como de lideres de<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\">pai\u0301ses, e a fazerem parte do executivo em va\u0301rios sectores,o que ,na\u0303o esta\u0301 ligado simplesmente ao libido. O poder feminino e\u0301 REAL E EXTENSIVO.<\/p>\n<p style=\"padding-left: 160px;\">Na\u0303o acredito<br \/>\nUm elefante ajoelhado<br \/>\nante o poderio<br \/>\nda saia kissonde<\/p>\n<p>ou um lea\u0303o derrotado<br \/>\npelo fogo da rosa<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Lendo os excertos acima, consegue-se observar tambe\u0301m uma cri\u0301tica social, sobre os homens que, socialmente, representam cargos de alto valor e que sa\u0303o rudes com os seus liderados, mas, que, perante as mulheres, quer seja essa a ma\u0303e ou a esposa, na\u0303o tem poder nenhum, e,que,indubitavelmente as mulheres sa\u0303o maiores que os homens, algo que tambe\u0301m encontramos no poema \u00abNA\u0303O E\u0301S DAQUI\u00bb.<\/p>\n<p style=\"padding-left: 160px;\">Em teus beijos descansam forc\u0327as sobrenaturais<br \/>\ntodo o hero\u0301i e\u0301 cobarde<br \/>\nante o fogo que trazes entre as pernas<br \/>\ntodo o homem e\u0301 crianc\u0327a a embalar em teus brac\u0327os<br \/>\nbem se pode dizer na\u0303o e\u0301s daqui<br \/>\n<strong> p.41<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No poema \u00abTALVEZ ORGIA\u00bb, pa\u0301gina 51, o poeta tece cri\u0301ticas a certas culturas ancestrais onde a mulher e\u0301 instrumentalizada sexualmente, usada como um objecto que pode ser emprestado ao vizinho, ao amigo, ao vizitante. No poema, o sujeito poe\u0301tico sugere uma troca de parceira(gazela por zebra), permuta institucionalizada pela cultura. O poeta procura demonstrar o perigo dessa pra\u0301tica cultural que objectifica a mulher:<\/p>\n<p style=\"padding-left: 160px;\">Otchiepo<br \/>\nda\u0301-me tua gazela<br \/>\neu te dou minha zebra<br \/>\nOtchiepo<br \/>\ncomerei tua <strong>gazela<\/strong><br \/>\ncomera\u0301s minha <strong>zebra<\/strong><br \/>\ncomeremos no mesmo prato<br \/>\ncom <strong>caras de pau<\/strong><br \/>\nnossas mulheres nossa <strong>tradic\u0327a\u0303o<\/strong><br \/>\nnossa singular forma de ver<br \/>\nOtchiepo<br \/>\nontem foi tua minha zebra!<br \/>\nOtchiepo<br \/>\nontem foi minha tua gazela!<br \/>\nhoje e\u0301 minha minha zebra&#8230;<br \/>\nhoje e\u0301 tua tua gazela&#8230;<br \/>\ne amanha\u0303?<br \/>\n<strong>\u00abTALVEZ ORGIA\u00bb<\/strong><\/p>\n<h2>Conclusa\u0303o<\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em suma, a mulher em Enviesada Rosa, talvez por ser um livro ero\u0301tico, sera\u0301 sempre apresentada no quadro da sexualidade. Quando simboliza poder, sera\u0301 atrave\u0301s do que tem nas pernas e na\u0303o pelo que vale, ou seja, a obra em si e\u0301 preenchida por uma sema\u0302ntica libidinosa, na\u0303o obstante, e\u0301 de louvar a forma criativa e ousada com que o autor se refugia ao erotismo para retratar as va\u0301rias situac\u0327o\u0303es associadas a mulher.<\/p>\n<h2>Refere\u0302ncias Bibliogra\u0301ficas<\/h2>\n<p>FERNANDES, Fa\u0301tima Sampaio. (2021 , dez.). <em>A mulher na poesia de Agostinho Neto<\/em>. Revista Internacional de Culturas, Li\u0301nguas Africanas e Brasileiras. Sa\u0303o Francisco do Conde (BA), 1 (Especial): 78-92;<\/p>\n<p>PADILHA, Laura Cavalcante. Paula Tavares e a semeadura das palavras. In: CAMPOS, Maria do Carmo Sepu\u0301lveda, SALGADO, Maria Teresa. (Org.). <em>A\u0301frica &amp; Brasil:<\/em> Letrasem lac\u0327os. Sa\u0303o Paulo: Atla\u0302ntica, 2000, p.287-302<\/p>\n<p>PEREIRA, E\u0301rica Antunes (2009). Secreta encruzilhada: duas vozes femininas que (se) (trans)formam (n)a poesia angolana. SCRIPTA, Belo Horizonte, v. 13, n. 25, p. 127-144 SIMBAD, He\u0301lder (2017), <em>Enviesada Rosa<\/em>, INIC:Luanda;<\/p>\n<p><em>ROSSINI, Tayza Cristina Nogueira. A CONSTRUC\u0327A\u0303O DO FEMININO NA LITERATURA: REPRESENTANDO A DIFERENC\u0327A ;<\/em><\/p>\n<p>Fresta, Lui\u0301sa. (2018). Enviesada Rosa \u2013 He\u0301lder Simbad. Disponi\u0301vel em https:\/\/artesecontextos.pt\/2018\/07\/enviesada-rosa-poesia-de-helder-simbad\/<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Resumo O presente artigo visa compreender a forma como a Literatura utiliza a sexualidade feminina como instrumento de escrita, analisar as diversas formas que o<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":13076,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[162],"tags":[166],"ppma_author":[174],"class_list":["post-12403","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-noticias","tag-fc-textos-e-links"],"aioseo_notices":[],"authors":[{"term_id":174,"user_id":2,"is_guest":0,"slug":"simbad","display_name":"H\u00e9lder Simbad","avatar_url":{"url":"https:\/\/akweno.ao\/helder2\/wp-content\/uploads\/2024\/02\/autor_hsimbad-n-1.png","url2x":"https:\/\/akweno.ao\/helder2\/wp-content\/uploads\/2024\/02\/autor_hsimbad-n-1.png"},"author_category":"1","first_name":"H\u00e9lder","last_name":"Simbad","user_url":"","job_title":"","description":""}],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/akweno.ao\/helder2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/12403","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/akweno.ao\/helder2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/akweno.ao\/helder2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/akweno.ao\/helder2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/akweno.ao\/helder2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=12403"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/akweno.ao\/helder2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/12403\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":13048,"href":"https:\/\/akweno.ao\/helder2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/12403\/revisions\/13048"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/akweno.ao\/helder2\/wp-json\/wp\/v2\/media\/13076"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/akweno.ao\/helder2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=12403"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/akweno.ao\/helder2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=12403"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/akweno.ao\/helder2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=12403"},{"taxonomy":"author","embeddable":true,"href":"https:\/\/akweno.ao\/helder2\/wp-json\/wp\/v2\/ppma_author?post=12403"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}