{"id":12236,"date":"2019-12-18T21:45:22","date_gmt":"2019-12-18T21:45:22","guid":{"rendered":"https:\/\/heldersimbad.org\/?p=12236"},"modified":"2025-04-27T15:42:27","modified_gmt":"2025-04-27T15:42:27","slug":"entrevista-ao-poeta-helder-simbad","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/akweno.ao\/helder2\/2019\/12\/18\/entrevista-ao-poeta-helder-simbad\/","title":{"rendered":"Entrevista Ao Poeta H\u00e9lder\u00a0Simbad"},"content":{"rendered":"\t\t<div data-elementor-type=\"wp-post\" data-elementor-id=\"12236\" class=\"elementor elementor-12236\">\n\t\t\t\t<div class=\"elementor-element elementor-element-4cf5bbf e-flex e-con-boxed e-con e-parent\" data-id=\"4cf5bbf\" data-element_type=\"container\">\n\t\t\t\t\t<div class=\"e-con-inner\">\n\t\t\t\t<div class=\"elementor-element elementor-element-9bd762c elementor-widget elementor-widget-text-editor\" data-id=\"9bd762c\" data-element_type=\"widget\" data-widget_type=\"text-editor.default\">\n\t\t\t\t<div class=\"elementor-widget-container\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t<p><em>\u201cEnquanto n\u00e3o industrializarmos as nossas artes e n\u00e3o educarmos as pessoas que a arte \u00e9 condi\u00e7\u00e3o indispens\u00e1vel para o desenvolvimento sociocultural, continuaremos a ter problemas que at\u00e9 certo ponto s\u00e3o transversais. Porque a arte encerra outras dimens\u00f5es para al\u00e9m da est\u00e9tica e sociocultural, cognitiva, curativa e outras\u201d.<\/em><\/p>\t\t\t\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t<div class=\"elementor-element elementor-element-9c38f7f e-flex e-con-boxed e-con e-parent\" data-id=\"9c38f7f\" data-element_type=\"container\">\n\t\t\t\t\t<div class=\"e-con-inner\">\n\t\t\t\t<div class=\"elementor-element elementor-element-a1d7c91 elementor-widget elementor-widget-heading\" data-id=\"a1d7c91\" data-element_type=\"widget\" data-widget_type=\"heading.default\">\n\t\t\t\t<div class=\"elementor-widget-container\">\n\t\t\t\t\t<h2 class=\"elementor-heading-title elementor-size-default\">Biografia\n<\/h2>\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<div class=\"elementor-element elementor-element-5aed1e1 elementor-widget elementor-widget-text-editor\" data-id=\"5aed1e1\" data-element_type=\"widget\" data-widget_type=\"text-editor.default\">\n\t\t\t\t<div class=\"elementor-widget-container\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Ibinda Kayambu<\/strong>\u00a0ou talvez\u00a0<strong>H\u00e9lder Simbad<\/strong>\u00a0\u00e9 heter\u00f3nimo de Helder Silvestre Simba Andr\u00e9, nasceu aos 13 de Agosto de 1987, na prov\u00edncia de Cabinda, em Angola. \u00c9 estudante do 4\u00aa ano do curso de L\u00ednguas, Tradu\u00e7\u00e3o e Administra\u00e7\u00e3o da Universidade Cat\u00f3lica de Angola; professor de L\u00edngua Portuguesa e de Literatura Africana no ICRA. Come\u00e7ou a sua actividade art\u00edstica entre 1997 e 1998, escrevendo poesia. \u00c9 Coordenador Geral e membro co-fundador do Movimento Litteragris. Tem poemas, contos e artigos publicados na revista Palavra&amp;Arte, no Jornal Cultura Angolana, no Blogg brasileiro poemario-prosaeverso.blogspot.com e na Revista Tunda Vala.<\/p>\t\t\t\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t<div class=\"elementor-element elementor-element-e2d7934 e-flex e-con-boxed e-con e-parent\" data-id=\"e2d7934\" data-element_type=\"container\">\n\t\t\t\t\t<div class=\"e-con-inner\">\n\t\t\t\t<div class=\"elementor-element elementor-element-8fe0307 elementor-widget elementor-widget-heading\" data-id=\"8fe0307\" data-element_type=\"widget\" data-widget_type=\"heading.default\">\n\t\t\t\t<div class=\"elementor-widget-container\">\n\t\t\t\t\t<h2 class=\"elementor-heading-title elementor-size-default\">ENTREVISTA AO POETA HELDER SIMBAD<\/h2>\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<div class=\"elementor-element elementor-element-d6fe6f0 elementor-widget elementor-widget-text-editor\" data-id=\"d6fe6f0\" data-element_type=\"widget\" data-widget_type=\"text-editor.default\">\n\t\t\t\t<div class=\"elementor-widget-container\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t<p style=\"text-align: left;\"><strong>MW: Como se deu a tua entrada para o mundo da literatura?<\/strong><\/p><p style=\"text-align: justify;\"><strong>HS:<\/strong>\u00a0Foi um processo natural. Estava com onze ou com doze anos. Estava apaixonado por uma menina mais velha que eu. Ela gostava de versos que na verdade eram quadras, ou poemetos, em que predominavam a rima. Tinha de cor alguns. Quem n\u00e3o os tinha naquela altura sendo adolescente?! Circulavam de caderno a caderno na escola. Certo dia ofereci-lhe um (poemeto) que para mim soava in\u00e9dito e descobri que a minha prima-irm\u00e3 j\u00e1 o tinha, a colega de carteira tamb\u00e9m. Decidi come\u00e7ar a escrever meus pr\u00f3prios \u00abversos\u00bb. Mas intuitivamente os meus versos come\u00e7aram a ganhar uma extens\u00e3o nada a ver com o habitual. Certo dia encontrei um livro de Jo\u00e3o Melo e descobri que o que estava a escrever chamava-se poesia tamb\u00e9m. Eu, na altura, n\u00e3o sabia que as poesias pudessem falar de amor. J\u00e1 lia Agostinho Neto, Ant\u00f3nio Jacinto e outros, mas nunca algu\u00e9m que escrevesse sobre o amor at\u00e9 a\u00ed. Os meus tios tinham mais poesias da \u00abmensagem\u00bb do que qualquer outra. Vivia num quintal tipicamente bantu. V\u00e1rios irm\u00e3os com esposas e todos eles tinha livros sobre marxismos e poesia da mensagem, mas \u00e9 o Apocalipse do novo testamento que sempre me motivou, o surrealismo de Jo\u00e3o.<\/p>\t\t\t\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<div class=\"elementor-element elementor-element-7dff21f elementor-widget elementor-widget-text-editor\" data-id=\"7dff21f\" data-element_type=\"widget\" data-widget_type=\"text-editor.default\">\n\t\t\t\t<div class=\"elementor-widget-container\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t<p style=\"text-align: left;\"><strong>MW: Identifica-se com algum g\u00e9nero em particular?<\/strong><\/p><p style=\"text-align: justify;\"><strong>HS:\u00a0<\/strong>Com todos. Mas\u00a0tenho mais propens\u00e3o para o l\u00edrico e o narrativo (Romance e conto). N\u00e3o me familiarizei com o dram\u00e1tico. Li muito poucas obras deste g\u00e9nero: Frei Lu\u00eds de Sousa de Almeida Garrett, Ana Z\u00e9 e os Escravos (nem terminei) de Jos\u00e9 Mena Abrantes, A Morte de J\u00falio C\u00e9sar de Shakespeare e mais uma de Miguel Torga cujo t\u00edtulo n\u00e3o me recordo. Mas gosto de fundir g\u00e9neros. As teorias de Benedeto Croce, fil\u00f3sofo e cr\u00edtico italiano, contra a fiel obedi\u00eancia aos g\u00e9neros influenciaram-me bastante. Quando escrevo um romance coloco elementos dos tr\u00eas g\u00e9neros. Por vezes na poesia tamb\u00e9m fundo g\u00e9neros\u2026<\/p>\t\t\t\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<div class=\"elementor-element elementor-element-bc5b75b elementor-widget elementor-widget-text-editor\" data-id=\"bc5b75b\" data-element_type=\"widget\" data-widget_type=\"text-editor.default\">\n\t\t\t\t<div class=\"elementor-widget-container\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t<p style=\"text-align: left;\"><strong>MW: Quais foram \u00e0s influ\u00eancias que determinaram a sua op\u00e7\u00e3o pela literatura e n\u00e3o para outra vertente art\u00edstica? E por qu\u00ea?<\/strong><\/p><p style=\"text-align: justify;\"><strong>HS:<\/strong>\u00a0Entro para a Literatura de forma espont\u00e2nea. N\u00e3o tive influ\u00eancias. Mas para permanecer muitas pessoas estenderam-me as m\u00e3os. A come\u00e7ar pelo meu irm\u00e3o menor que assina pelo nome de Kolokota Ken\u00e9 com quem fundei um colectivo de arte. Ao longo dessa caminhada que se advinha eterna, tive alguns apoios importantes: Jos\u00e9 Lu\u00eds Mendon\u00e7a, Lopito Feij\u00f3, Osvaldo Silva (CEIC- Universidade Cat\u00f3lica). Mas como h\u00e1 sempre altos e baixos em toda a actividade humana, tive um interregno de quatro anos (2003 a 2007). Comecei a cantar Rap e j\u00e1 n\u00e3o queria saber de literatura. Mas desde que retornei sinto que nasci para ELA.<\/p>\t\t\t\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<div class=\"elementor-element elementor-element-9f66fe4 elementor-widget elementor-widget-text-editor\" data-id=\"9f66fe4\" data-element_type=\"widget\" data-widget_type=\"text-editor.default\">\n\t\t\t\t<div class=\"elementor-widget-container\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t<p style=\"text-align: left;\"><strong>MW: Como foi fazer parte da cria\u00e7\u00e3o do movimento Litteragris? Quais foram os objectivos tra\u00e7ados, aquando da sua cria\u00e7\u00e3o?<\/strong><\/p><p style=\"text-align: justify;\"><strong>HS:<\/strong>\u00a0Fazer parte da cria\u00e7\u00e3o do Litteragris foi dos factos liter\u00e1rios mais sublimes que vivenciei. O Movimento Litteragris nasce de uma vontade colectiva de pessoas que advogavam uma ideoest\u00e9tica comum. Viemos de diferentes grupos. Conhec\u00edamo-nos.\u00a0 Por vezes, apesar de n\u00e3o pertencermos aos mesmos grupos, reun\u00edamos. E quando os nossos ex-grupos j\u00e1 n\u00e3o nos satisfaziam, criamos o nosso movimento. Mas antes houve muitos debates e certezas.<\/p><p style=\"text-align: left;\">N\u00e3o temos muitos objectivos, sen\u00e3o trazer um novo paradigma \u00e0 est\u00e1tica Institui\u00e7\u00e3o Literatura Angolana, atrav\u00e9s de um manifesto de arte vanguardista e por via de uma Cr\u00edtica Liter\u00e1ria que olha para o fen\u00f3meno liter\u00e1rio com outros olhos, longe da Academia e de outras institui\u00e7\u00f5es afins. Posso afirmar sem medo que n\u00e3o h\u00e1 uma organiza\u00e7\u00e3o liter\u00e1ria juvenil em Angola a estudar o fen\u00f3meno liter\u00e1rio como n\u00f3s.<\/p>\t\t\t\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<div class=\"elementor-element elementor-element-4377823 elementor-widget elementor-widget-text-editor\" data-id=\"4377823\" data-element_type=\"widget\" data-widget_type=\"text-editor.default\">\n\t\t\t\t<div class=\"elementor-widget-container\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t<p style=\"text-align: left;\"><strong>MW: Como tem sido a vossa inser\u00e7\u00e3o no mercado nacional?<\/strong><\/p><p style=\"text-align: justify;\"><strong>HS:<\/strong>\u00a0A melhor poss\u00edvel. Em um ano de actua\u00e7\u00e3o, conseguimos muitas coisas. Produzimos duas revistas liter\u00e1rias. Agris Magazine e Tunda Vala. A primeira, para algumas pessoas entendidas na mat\u00e9ria, foi at\u00e9 ao ano da publica\u00e7\u00e3o (2015) o melhor livro entre os nov\u00edssimos; a segunda gerou tr\u00eas artigos cr\u00edticos: \u00abAlgo novo na Literatura Angolana\u00bb foi o artigo publicado no jornal de Angola pelo escritor e jornalista Ezequiel Cori e pode ser encontrado por via da Google. O Luefe, coordenador editorial da Revista Palavra&amp;Arte, tamb\u00e9m escreveu sobre a obra e um estudante da Faculdade de Letras produziu de igual modo um artigo. Dizem os mais velhos, os mais atentos, que a tend\u00eancia Litteragris \u00e9 at\u00e9 aqui a mais coesa e com mais argumentos para vincar entre os nov\u00edssimos. Veem-se algumas pessoas a incorporarem a nossa po\u00e9tica na sua produ\u00e7\u00e3o. S\u00f3 posso dizer que a nossa inser\u00e7\u00e3o \u00e9 das mais positivas.<\/p>\t\t\t\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<div class=\"elementor-element elementor-element-ca4e35f elementor-widget elementor-widget-text-editor\" data-id=\"ca4e35f\" data-element_type=\"widget\" data-widget_type=\"text-editor.default\">\n\t\t\t\t<div class=\"elementor-widget-container\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t<p style=\"text-align: left;\"><strong>MW: Sei que faz cr\u00edtica liter\u00e1ria. Como tem sido esse exerc\u00edcio?<\/strong><\/p><p style=\"text-align: justify;\"><strong>HS:<\/strong>\u00a0Tem sido um exerc\u00edcio sofrido porque um cr\u00edtico tem de ter muitos materiais \u00e0 disposi\u00e7\u00e3o. Nesta car\u00eancia,\u00a0tenho tido ajuda de alguns irm\u00e3os brasileiros que me t\u00eam fornecido muitos livros em pdf e por vezes em formato f\u00edsico. D\u00e3o-se o gratuito trabalho de scanearem um livro completo s\u00f3 para me poder ajudar. Mas ainda assim \u00e9 fant\u00e1stico ser-se Cr\u00edtico Liter\u00e1rio.<\/p>\t\t\t\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<div class=\"elementor-element elementor-element-5aad6e9 elementor-widget elementor-widget-text-editor\" data-id=\"5aad6e9\" data-element_type=\"widget\" data-widget_type=\"text-editor.default\">\n\t\t\t\t<div class=\"elementor-widget-container\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t<p style=\"text-align: left;\"><strong>MW: Qual tem sido a reac\u00e7\u00e3o das pessoas sobre os teus pontos de vista.<\/strong><\/p><p style=\"text-align: justify;\"><strong>HS:<\/strong>\u00a0H\u00e1 muitos equ\u00edvocos entre os v\u00e1rios c\u00edrculos de escritores angolanos. Confunde-se Cr\u00edtica Liter\u00e1ria com pontos de vistas cr\u00edticos. Relativamente aos pontos de vistas cr\u00edticos, nem sempre fa\u00e7o com a pedagogia que se exige e \u00e9 normal surgirem certas reac\u00e7\u00f5es menos positivas. Por vezes temos de ser extremistas para nos poderem ouvir. \u00a0No que concerne \u00e0 Cr\u00edtica Liter\u00e1ria, a metodologia \u00e9 outra, a abordagem \u00e9 mais rigorosa e procuro ocultar os meus tra\u00e7os pessoais. As obras dizem-me coisas que me levam a m\u00faltiplas investiga\u00e7\u00f5es. As pessoas l\u00eaem-me a partir de outros pontos da lusofonia. Muita gente mesmo. Conhe\u00e7o professores universit\u00e1rios e escritores que decidiram escrever sobre determinados assuntos baseando-se em algumas mat\u00e9rias abordadas por mim. Mas sei que tenho de continuar e crescer a cada dia e ler muito para poder chegar um dia ao n\u00edvel de um Francisco Soares, Lu\u00eds Kandjimbo e de tantos outros, poucos.<\/p>\t\t\t\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<div class=\"elementor-element elementor-element-b50be8e elementor-widget elementor-widget-text-editor\" data-id=\"b50be8e\" data-element_type=\"widget\" data-widget_type=\"text-editor.default\">\n\t\t\t\t<div class=\"elementor-widget-container\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t<p style=\"text-align: left;\"><strong>MW: Dentro do Litteragris faz parte do C\u00edrculo De Estudos Liter\u00e1rios E Lingu\u00edsticos, como tem sido o vosso trabalho nesse particular?<\/strong><\/p><p style=\"text-align: justify;\"><strong>HS:<\/strong>\u00a0O CELL \u00e9 o que nos fez constituir o Litteragris. Quer\u00edamos fundir os poetas e os pesquisadores na mesma casa. Antes de n\u00f3s s\u00f3 havia pretens\u00f5es. E n\u00f3s fizemos parte dessas tentativas de se criar um n\u00facleo de Cr\u00edticos Liter\u00e1rios. \u00c9ramos de grupos diferentes. N\u00e3o deu certo. Quando surgiu essa brecha n\u00e3o olhamos para tr\u00e1s. Provocamos rupturas nos grupos em que faz\u00edamos parte e fundamos o Litteragris com o c\u00edrculo de estudo.<\/p><p style=\"text-align: left;\">O nosso trabalho \u00e9 feito de investiga\u00e7\u00f5es no campo da Literatura, fundamentalmente, e da Lingu\u00edstica. Estamos a produzir um livro com o t\u00edtulo \u00abDa Teoria e Cr\u00edtica Liter\u00e1rias \u00e0 Literatura Angolana Contempor\u00e2nea\u00bb. Temos j\u00e1 alguns artigos no dom\u00ednio da Literatura e Lingu\u00edstica publicados no Jornal Cultura e na Revista Palavra&amp;Arte.<\/p>\t\t\t\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<div class=\"elementor-element elementor-element-f67d11d elementor-widget elementor-widget-text-editor\" data-id=\"f67d11d\" data-element_type=\"widget\" data-widget_type=\"text-editor.default\">\n\t\t\t\t<div class=\"elementor-widget-container\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t<p style=\"text-align: left;\"><strong>MW: Qual \u00e9 a sua opini\u00e3o sobre o ensino das artes nas escolas angolanas?<\/strong><\/p><p style=\"text-align: justify;\"><strong>HS:<\/strong>\u00a0Somos um pa\u00eds novo nesse aspecto, precisando evoluir urgentemente. Come\u00e7am a surgir felizmente mais espa\u00e7os. Criam-se funda\u00e7\u00f5es de artes, galerias e alguns espa\u00e7os multiculturais. Sei de algumas que t\u00eam promovido semin\u00e1rios de cria\u00e7\u00e3o art\u00edstica. Mas quase todas, relativamente ao ensino de artes, est\u00e3o mais voltadas \u00e0s artes pl\u00e1sticas e algumas \u00e0s c\u00e9nicas. No que toca a Literatura, as coisas, ao que me parece, n\u00e3o t\u00eam acompanhado o mesmo ritmo das outras artes. A Faculdade de Letras vale-se pela sua dimens\u00e3o acad\u00e9mica. Seu foco \u00e9 o estudo do fen\u00f3meno liter\u00e1rio. Mesmo n\u00e3o sendo do ponto de vista ontol\u00f3gico-estrutural sua obriga\u00e7\u00e3o, poderia promover mais semin\u00e1rios de escrita Criativa com vista a estimular os estudantes \u00e0 cria\u00e7\u00e3o liter\u00e1ria. Relativamente \u00e0s outras artes, sei da exist\u00eancia da Escola Nacional de Arte e do Instituto Superior. Tais estruturas permitem que no dom\u00ednio das artes pl\u00e1sticas e musicais surjam muitos artistas e com talento. Outrossim, estabelecendo um estudo comparativo entre a m\u00fasica e a literatura, v\u00ea-se um melhor interc\u00e2mbio cultural inter-geracional entre os m\u00fasicos, a passagem de testemunho \u00e9 mais eficiente, sem enigmas. A UEA deveria fazer mais.<\/p><p style=\"text-align: left;\">Tenho pouco a dizer sobre a dan\u00e7a e teatro. Penso que vivem os mesmos problemas da literatura.\u00a0 Poder-se-ia falar de aus\u00eancia de profissionalismo. Mas acredito que as entidades competentes fazem muito pouco pelas artes. Enquanto n\u00e3o industrializarmos as nossas artes e n\u00e3o educarmos as pessoas que a arte \u00e9 condi\u00e7\u00e3o indispens\u00e1vel para o desenvolvimento sociocultural, continuaremos a ter problemas que at\u00e9 certo ponto s\u00e3o transversais. Porque a arte encerra outras dimens\u00f5es para al\u00e9m da est\u00e9tica e sociocultural, cognitiva, curativa e outras.<\/p>\t\t\t\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<div class=\"elementor-element elementor-element-1a89ea5 elementor-widget elementor-widget-text-editor\" data-id=\"1a89ea5\" data-element_type=\"widget\" data-widget_type=\"text-editor.default\">\n\t\t\t\t<div class=\"elementor-widget-container\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t<p style=\"text-align: left;\"><strong>MW: Sobre a literatura de l\u00edngua portuguesa, que livros recomenda para leitura obrigat\u00f3ria e por qu\u00ea?<\/strong><\/p><p style=\"text-align: justify;\"><strong>HS:<\/strong>\u00a0No dom\u00ednio da prosa, \u201cTerra Son\u00e2mbula\u201d de Mia Couto. Apesar de apresentar um tema dif\u00edcil que \u00e9 o drama da guerra civil em Mo\u00e7ambique, \u00e9 uma obra saborosa constituindo-se como uma exemplar li\u00e7\u00e3o sobre a arte milenar de contar hist\u00f3rias. A hist\u00f3ria do velho (Tuahir) e do menino (Muidinga) que na sua dif\u00edcil caminhada avistam um autocarro que passa a ser o principal espa\u00e7o dieg\u00e9tico dentro do qual encontra os Cadernos de Kindzu, outra v\u00edtima dos conflitos, contando sua historia desde pequeno.\u00a0<strong>A segunda<\/strong>\u00a0\u00e9 a de Izequiel Cori com a obra \u201cO \u00daltimo Recuo\u201d. Tamb\u00e9m trata o tema da guerra civil, mas em Angola. Um capit\u00e3o (acho que seja esta a patente dele) das for\u00e7as armadas \u00e9 tra\u00eddo pelos seus superiores. Vai para a pris\u00e3o, perde a esposa, o enredo transforma-o em bagageiro, alco\u00f3latra e termina professor. Esta obra permite entender as tramas ocultas das guerras civis.\u00a0 Aconselharia de igual modo os \u00abContos de Morte\u00bb de Pepetela. Do mais simples ao mais complexo, Pepetela d\u00e1-nos em \u00abConto de Morte\u00bb verdadeiras aulas de como construir um texto narrativo. Sem falar das propostas tem\u00e1ticas e da valoriza\u00e7\u00e3o e respeito das culturas alheias. Para quem estiver a come\u00e7ar e quiser apresentar-se como um escritor acima da m\u00e9dia aconselharia a ler Luaia Gomes Perreira em \u00abTodos N\u00f3s fomos Distantes\u00bb. Existem muitas obras de \u00c1gualusa, Pepetela, Manuel Rui e de outros que eu poderia aconselhar.<\/p><p>No dom\u00ednio da poesia aconselhava a ler a obra de Herberto Helder \u201cPoemas Completos\u201d, surrealistas, porque por vezes \u00e9 importante conhecer outras realidades, al\u00e9m da concreta.<\/p><p>Como s\u00e3o tantas as obras vou procurar apresentar uma lista de escritores que se valem pelo conjunto das suas obras e que aconselharia:<\/p><p>Angola (Agostinho Neto, David Mestre, Lopito Feij\u00f3o, Jos\u00e9 Lu\u00eds Mendon\u00e7a, Jo\u00e3o Tala, Jo\u00e3o Maimona e Ana Paula Tavares \u2013 cada um apresenta um tipo de poesia que deve ser estudada de forma isolada);<\/p><p>Brasil (Morilo Mendes, Drummond de Andrade, M\u00e1rio Quintana, Cec\u00edlia Meireles\u2026)<\/p><p>Mo\u00e7ambique (Craveirinha, Edgar White e a jovem Hirondina);<\/p><p>Portugal (Herberto Helder, Jos\u00e9 R\u00e9gio Sophia de Mello Breyner etc)<\/p><p>Ainda n\u00e3o mantive um contacto directo com a literatura de outros pontos da lusofonia, por isso, n\u00e3o mencionei mais poetas.<\/p>\t\t\t\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<div class=\"elementor-element elementor-element-d29fbb0 elementor-widget elementor-widget-text-editor\" data-id=\"d29fbb0\" data-element_type=\"widget\" data-widget_type=\"text-editor.default\">\n\t\t\t\t<div class=\"elementor-widget-container\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t<p style=\"text-align: left;\"><strong>MW:\u00a0Fale-nos da literatura contempor\u00e2nea angolana?<\/strong><\/p><p style=\"text-align: justify;\"><strong>HS:<\/strong>\u00a0H\u00e1 de facto uma literatura angolana contempor\u00e2nea: novos intervenientes, outras formas de sentir, pressup\u00f5e sempre altera\u00e7\u00f5es significativas no sistema semi\u00f3tico liter\u00e1rio. Mas \u00e9 ainda muito incipiente\u2026 est\u00e1 na sua fase m\u00e9dia em termos de est\u00e1gio de evolu\u00e7\u00e3o.<\/p><p style=\"text-align: justify;\">Tal altera\u00e7\u00e3o tem se dado de forma acentuada mais no plano da poesia l\u00edrica por se acreditar equivocamente que a poesia \u00e9 o g\u00e9nero mais f\u00e1cil de concretizar. E podemos falar nesta sede de essencialmente tr\u00eas tend\u00eancias liter\u00e1rias a emergir:<\/p><p style=\"text-align: justify;\">\u2013 A poesia-dita, assim classificada porque s\u00e3o textos produzidos com finalidade prim\u00e1ria para serem declamados, quilom\u00e9tricos porque se quer permanecer alguns minutos em palco, n\u00e3o h\u00e1 tanta preocupa\u00e7\u00e3o com a est\u00e9tica porque se quer buscar empatia imediata com o audit\u00f3rio, por isso a incorpora\u00e7\u00e3o de termos que \u00abbatem\u00bb, seu meio de publica\u00e7\u00e3o ideal seria o cd, entraria no \u00e2mbito daquilo que o professor Carlos Reis classificou de \u00e1udio-poesia no \u00e2mbito da poesia experimental em o \u201cConhecimento da Literatura\u201d;<\/p><p style=\"text-align: justify;\">\u2013 O fridolinismo, uma proposta de reforma s\u00f3cio-pol\u00edtica praticada pelos seguidores do poeta e declamador Fridolin. A sua poesia algumas vezes ganha o tom da poesia-dita, sabe-se que a dada altura o pr\u00f3prio precursor desse tipo de poesia, que \u00e9 na verdade poesia da \u00abMensagem\u00bb dos nossos tempos, com outro rosto, optou por uma linguagem mais clara, a chamada poesia circunstancial. Penso que os seus seguidores em termos ideo-est\u00e9ticos n\u00e3o o acompanham na plenitude e s\u00e3o movidos pela lei do menor esfor\u00e7o em termos estil\u00edsticos a favor da \u00abMensagem\u00bb que pretendem transmitir, a reforma, mudan\u00e7a, diga-se.<\/p><p>\u2013 A agrist\u00e9tica, a tend\u00eancia do Movimento Litteragris fundada no Surrealismo no Ohandanji e Kix\u00edmbula.<\/p><p>No entanto, existem eventualmente outras tend\u00eancias.<\/p><p>Na prosa h\u00e1 poucas novidades. Das que li s\u00f3 destacaria a obra \u00abTodos N\u00f3s Fomos Distantes\u00bb de Luaia Gomes Pereira.<\/p>\t\t\t\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<div class=\"elementor-element elementor-element-caad4b6 elementor-widget elementor-widget-text-editor\" data-id=\"caad4b6\" data-element_type=\"widget\" data-widget_type=\"text-editor.default\">\n\t\t\t\t<div class=\"elementor-widget-container\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t<p style=\"text-align: left;\"><strong>MW: Em termos de produ\u00e7\u00e3o o que se pode dizer da literatura angolana?<\/strong><\/p><p style=\"text-align: justify;\"><strong>HS:<\/strong>\u00a0Muita vaidade, muita produ\u00e7\u00e3o, por\u00e9m pouca qualidade e falta de verdades. Muitos equ\u00edvocos partem dos escritores, passam pela academia, pelos Cr\u00edticos Liter\u00e1rios e terminam na imprensa. N\u00e3o s\u00e3o s\u00f3 os jovens a escreverem com pouca qualidade. Temos uma comunidade acad\u00e9mica que pouco faz para que isto melhore. Parecem fil\u00f3logos os nossos Cr\u00edticos Liter\u00e1rios e te\u00f3ricos da literatura (temo-los?!). Acreditam que a Literatura Angolana se circunscreve a um determinado est\u00e1gio e \u00e9 est\u00e1tica. J\u00e1 li ensaios excepcionais, escritos em mais de tr\u00eas p\u00e1ginas de jornal, sobre obras de pouco valor est\u00e9tico que s\u00e3o engrandecidas. Portanto, muita produ\u00e7\u00e3o e pouca qualidade. H\u00e1 muito tempo que esperamos por mais presen\u00e7a ou ac\u00e7\u00f5es concretas por parte da Uni\u00e3o dos Escritores Angolanos e nada.<\/p>\t\t\t\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<div class=\"elementor-element elementor-element-1663099 elementor-widget elementor-widget-text-editor\" data-id=\"1663099\" data-element_type=\"widget\" data-widget_type=\"text-editor.default\">\n\t\t\t\t<div class=\"elementor-widget-container\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t<p style=\"text-align: left;\"><strong>MW:\u00a0Qual \u00e9 a import\u00e2ncia da literatura de tradi\u00e7\u00e3o oral no contexto atual e num mundo cada vez mais globalizado?<\/strong><\/p><p style=\"text-align: justify;\"><strong>HS:<\/strong>\u00a0Uma pergunta complexa. A literatura da tradi\u00e7\u00e3o oral, pelo menos aquela que foi registada em livros vai se configurando cada vez mais, em termos filol\u00f3gico-antropol\u00f3gicos, como documento hist\u00f3rico. Os novos articuladores do discurso liter\u00e1rio parece-me que a desconhecem ou a ignorem. Para os escritores com miss\u00e3o e que pautam por uma Literatura Angolana vern\u00e1cula servem-se dela para a concretiza\u00e7\u00e3o do seu discurso. Como fala desse mundo cada vez mais globalizado, ela serviria para mostrarmos a Angola que ainda existe que n\u00e3o se perdeu com o Colonialismo e resiste contra essa era de intensa acultura\u00e7\u00e3o. Tomemos como exemplos David Mestre, Lopito Feij\u00f3o e Botelho, escritores que incorporam na sua poesia prov\u00e9rbios africanos, justificando-se com o novo fazer cria\u00e7\u00e3o, como se n\u00e3o fosse poss\u00edvel outra tonifica\u00e7\u00e3o.<\/p>\t\t\t\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<div class=\"elementor-element elementor-element-b390086 elementor-widget elementor-widget-text-editor\" data-id=\"b390086\" data-element_type=\"widget\" data-widget_type=\"text-editor.default\">\n\t\t\t\t<div class=\"elementor-widget-container\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t<p style=\"text-align: left;\"><strong>MW:\u00a0O que se lhe oferece dizer sobre a c\u00e9lebre express\u00e3o de Hampat\u00e9 B\u00e2, \u00abEm \u00c1frica, quando morre um velho, desaparece uma biblioteca\u00bb?\u00a0<\/strong><\/p><p style=\"text-align: justy;\"><strong>HS:<\/strong>\u00a0Esta frase, c\u00e9lebre como disse, por um lado, revela a sabedoria dos mais velhos que, mesmo se lhes faltando dentes, t\u00eam sempre alguma coisa s\u00e1bia a dizer; por outro, numa perspectiva hist\u00f3rica, o poder da tradi\u00e7\u00e3o oral como forma de aquisi\u00e7\u00e3o de conhecimento durante um determinado est\u00e1gio e por fim a capacidade que estes t\u00eam de assimilar e preservar a mem\u00f3ria colectiva.<\/p>\t\t\t\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<div class=\"elementor-element elementor-element-e34cd87 elementor-widget elementor-widget-text-editor\" data-id=\"e34cd87\" data-element_type=\"widget\" data-widget_type=\"text-editor.default\">\n\t\t\t\t<div class=\"elementor-widget-container\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t<p><strong>MW: Enquanto poeta e escritor, que mensagem deixaria para a juventude angolana?<\/strong><\/p><p><strong>HS:<\/strong>\u00a0S\u00f3 chega a ser um grande escritor aquele que muito l\u00ea. Conhecereis a import\u00e2ncia da leitura e a leitura libertar-te-\u00e1 de todas as formas de escravatura. Obrigado pela entrevista e desej\u00e1vamos voltar com outros factos liter\u00e1rios.<\/p>\t\t\t\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<div class=\"elementor-element elementor-element-1706418 elementor-widget elementor-widget-button\" data-id=\"1706418\" data-element_type=\"widget\" data-widget_type=\"button.default\">\n\t\t\t\t<div class=\"elementor-widget-container\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-button-wrapper\">\n\t\t\t\t\t<a class=\"elementor-button elementor-button-link elementor-size-sm\" href=\"https:\/\/mweto.wordpress.com\/2017\/03\/17\/entrevista-ao-poeta-helder-simbad\/\">\n\t\t\t\t\t\t<span class=\"elementor-button-content-wrapper\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t<span class=\"elementor-button-text\">Visitar fonte<\/span>\n\t\t\t\t\t<\/span>\n\t\t\t\t\t<\/a>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u201cEnquanto n\u00e3o industrializarmos as nossas artes e n\u00e3o educarmos as pessoas que a arte \u00e9 condi\u00e7\u00e3o indispens\u00e1vel para o desenvolvimento sociocultural, continuaremos a ter problemas<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[160],"tags":[],"ppma_author":[174],"class_list":["post-12236","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-entrevistas"],"aioseo_notices":[],"authors":[{"term_id":174,"user_id":2,"is_guest":0,"slug":"simbad","display_name":"H\u00e9lder Simbad","avatar_url":{"url":"https:\/\/akweno.ao\/helder2\/wp-content\/uploads\/2024\/02\/autor_hsimbad-n-1.png","url2x":"https:\/\/akweno.ao\/helder2\/wp-content\/uploads\/2024\/02\/autor_hsimbad-n-1.png"},"author_category":"1","first_name":"H\u00e9lder","last_name":"Simbad","user_url":"","job_title":"","description":""}],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/akweno.ao\/helder2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/12236","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/akweno.ao\/helder2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/akweno.ao\/helder2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/akweno.ao\/helder2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/akweno.ao\/helder2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=12236"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/akweno.ao\/helder2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/12236\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":13033,"href":"https:\/\/akweno.ao\/helder2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/12236\/revisions\/13033"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/akweno.ao\/helder2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=12236"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/akweno.ao\/helder2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=12236"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/akweno.ao\/helder2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=12236"},{"taxonomy":"author","embeddable":true,"href":"https:\/\/akweno.ao\/helder2\/wp-json\/wp\/v2\/ppma_author?post=12236"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}