{"id":11765,"date":"2024-05-15T13:51:49","date_gmt":"2024-05-15T13:51:49","guid":{"rendered":"https:\/\/heldersimbad.org\/?p=11765"},"modified":"2025-04-27T15:43:09","modified_gmt":"2025-04-27T15:43:09","slug":"poesia-erotica-africana-premio-literario-antonio-jacinto-2017","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/akweno.ao\/helder2\/2024\/05\/15\/poesia-erotica-africana-premio-literario-antonio-jacinto-2017\/","title":{"rendered":"Poesia Er\u00f3tica Africana \u2013 Pr\u00e9mio Liter\u00e1rio Ant\u00f3nio Jacinto, 2017"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\">Esta \u00e9 uma aprecia\u00e7\u00e3o informal e emp\u00edrica, pelo que as afirma\u00e7\u00f5es aqui expostas e as reflex\u00f5es feitas s\u00e3o de car\u00e1cter livre e fundamentadas apenas na intui\u00e7\u00e3o da leitora.<br \/>Qualquer semelhan\u00e7a com uma resenha ou uma cr\u00edtica liter\u00e1ria, no sentido acad\u00e9mico do conceito, \u00e9 mera coincid\u00eancia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Movida sobretudo pela curiosidade, em torno da figura de H\u00e9lder Simbad e do Movimento Litteragris (aos quais mais tarde voltaremos), pus-me a folhear \u2014 um pouco na diagonal \u2014 o livro de poesia er\u00f3tica africana, como indica o subt\u00edtulo. Fi-lo por respeito pela beleza pl\u00e1stica intr\u00ednseca das palavras, que merecem ser olhadas \u2014 antes de serem lidas \u2014 e procurando ter uma vis\u00e3o geral do grafismo, o qual, nunca \u00e9, como sabemos, inocente. Descobri ent\u00e3o alguns pormenores que se revelaram, mais tarde, relevantes, para complementar a impress\u00e3o primeira da obra; os poemas, em verso livre, \u201carrumados\u201d no canto inferior esquerdo, com os t\u00edtulos estrategicamente colocados no fim dos textos (uma regra condizente, soube-o depois, com os compromissos est\u00e9ticos do Movimento), a exist\u00eancia de soberbos separadores da autoria de Kid\u00e1 (reprodu\u00e7\u00e3o de gravuras) e o aspeto quase austero da capa monocrom\u00e1tica em tons de castanho (cor de terra seca e de areia molhada ao entardecer) sugeriram-me que estava prestes a conhecer uma obra de invulgar sobriedade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Passei, ent\u00e3o, \u00e0 leitura, uma leitura algo l\u00fadica e descomprometida, sem outro intuito que n\u00e3o fosse o prazer da contempla\u00e7\u00e3o das ideias e do alinhamento dos textos, ansiosa por conhecer poemas conotados explicitamente com o erotismo africano, em l\u00edngua portuguesa.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Recuando um pouco atr\u00e1s no tempo, tinha mem\u00f3ria de uma colet\u00e2nea de poesia er\u00f3tica intitulada Amor no Meio do Teu Mar, com textos selecionados por Ant\u00f3nio Panguila, editada em 2014, e que inclu\u00eda poemas de dezanove autores angolanos: Adriano Botelho de Vasconcelos, Akiz Neto, Am\u00e9lia Dalomba, Ant\u00f3nio Gon\u00e7alves, Carlos Ferreira, Concei\u00e7\u00e3o Crist\u00f3v\u00e3o, Concei\u00e7\u00e3o Neto, Chia KMK, David Capelenguela, Fernando Kafukeno, Isabel Ferreira, Jo\u00e3o Maimona, Jo\u00e3o Melo, Jo\u00e3o Tala, Jos\u00e9 Lu\u00eds Mendon\u00e7a, Lopito Feij\u00f3, Manuel Rui, Paula Tavares e Trajano Nankhova Trajano.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Esse livro, tal como Enviesada Rosa, teve uma tiragem de 1000 exemplares, deixando supor que existe um interesse real dos leitores angolanos e dos amantes das l\u00ednguas e culturas africanas de express\u00e3o portuguesa pela poesia de car\u00e1cter er\u00f3tico e l\u00edrico, que justifique esse n\u00famero de exemplares numa primeira edi\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t<img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" width=\"940\" height=\"692\" src=\"https:\/\/heldersimbad.org\/wp-content\/uploads\/2024\/05\/arti-fc.png\" alt=\"arti-fc\" title=\"arti-fc\" \/>\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Para al\u00e9m dessa antologia, refira-se o livro de Jos\u00e9 Craveirinha editado pela Texto em 2004 (Poemas Er\u00f3ticos), um volume que re\u00fane 73 poemas escritos entre 1950 e 1980 e apenas publicados previamente na imprensa, segundo informa\u00e7\u00e3o de F\u00e1tima Mendon\u00e7a, guardi\u00e3 do esp\u00f3lio do escritor, citada \u00e0 \u00e9poca pela ag\u00eancia LUSA.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Sobre Enviesada Rosa, destaco desde logo uma est\u00e9tica pr\u00f3pria que corresponde a uma matriz defendida pelo Movimento Litteragris, do qual faz parte o autor, e que, desde h\u00e1 v\u00e1rios anos, atua no campo das Letras com dinamismo crescente e de maneira diversificada. Este movimento \u00e9 tamb\u00e9m respons\u00e1vel pela revista liter\u00e1ria Tunda Vala, um magazine anual, cuja terceira edi\u00e7\u00e3o acaba de ser apresentada ao p\u00fablico. Trata-se de um grupo de jovens autores e\/ou acad\u00e9micos, que defende um conjunto de princ\u00edpios est\u00e9ticos, os quais podem ser consultados no seu manifesto; opto portanto por n\u00e3o me debru\u00e7ar sobre eles por ora, mantendo o foco na presente obra.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Encontro aqui uma linguagem simb\u00f3lica com profus\u00e3o de termos que remetem para Angola, como espa\u00e7o geogr\u00e1fico e lingu\u00edstico, de partilha hist\u00f3rica e de viv\u00eancias. Numerosas s\u00e3o as refer\u00eancias \u00e0 terra natal, ou \u00e0s suas diversificadas tradi\u00e7\u00f5es (sugerindo quase uma delimita\u00e7\u00e3o geogr\u00e1fica com um percurso mape\u00e1vel), criando espa\u00e7o e ambiente para exaltar a figura da mulher, nomeadamente africana; surge, em cada novo texto, uma envolv\u00eancia de sensualidade e desejo contido (e simultaneamente transbordante), evocando imagens originais, ora suaves, ora palp\u00e1veis e multidimensionais, de um erotismo com cheiro a terra, a rio, a rochedos, a quedas de \u00e1gua e a floresta.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201c(\u2026) Miss Cabin<\/p>\n<p>\u201c(\u2026) Miss Cabinda<br \/>mwana Cabinda<br \/>infinita deusa com rosto de flor<br \/>segredo do Mayombe<\/p>\n<p>Derretem-se-te chocolates<br \/>\u00e1guas de Lukola<br \/>sobre a pele cristal (\u2026)\u201d<\/p>\n<h4>\u00abMILHER IBINDA\u00bb, p\u00e1g. 19<\/h4>\n<p>\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t<img decoding=\"async\" width=\"940\" height=\"682\" src=\"https:\/\/heldersimbad.org\/wp-content\/uploads\/2024\/05\/art2-fc.png\" alt=\"art2-fc\" title=\"art2-fc\" \/>\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">As mulheres que o sujeito l\u00edrico interpela, nomeia e homenageia s\u00e3o f\u00eameas explicitamente carnais, corp\u00f3reas e felinas; trazem nas m\u00e3os e no corpo, na Enviesada Rosa, a promessa de outras vidas e sensa\u00e7\u00f5es inesperadas. A poesia \u00e9 exuberante, inserida numa narrativa ousada e firme, consistente, no sentido de conferir visibilidade ao desejo feminino e n\u00e3o apenas \u00e0 sua feminil densidade como objeto de contempla\u00e7\u00e3o e cobi\u00e7a.<\/p>\n<p>\u201c(\u2026) selvagem e suave me apertaste<br \/>e beijo a beijo caminhaste sobre mim (\u2026)\u201d<\/p>\n<h4>\u00abN\u00c3O FOI SONHO\u00bb, p\u00e1g. 39<\/h4>\n<p style=\"text-align: justify;\">Outrossim, em Enviesada Rosa encontramos uma multiplicidade de neologismos, fazendo lembrar Guimar\u00e3es Rosa, conhecido pela abund\u00e2ncia de termos que criou (cerca de 8 mil palavras formuladas ou resgatadas e reunidas num livro da autoria de Nilce Sant\u2019anna Martins, intitulado O L\u00e9xico de Guimar\u00e3es Rosa), ou Mia Couto, que \u00e9 muitas vezes tamb\u00e9m assimilado ao autor brasileiro por via, nomeadamente, deste particular. Abaixo menciono alguns casos interessantes do ponto de vista sem\u00e2ntico.<\/p>\n<ul>\n<li><strong>caranguejando<\/strong> \u2014 andando para tr\u00e1s.<\/li>\n<li><strong>d\u00e0lma<\/strong> \u2014 \u201cde alma\u201d, jun\u00e7\u00e3o de duas palavras atrav\u00e9s da elis\u00e3o, sendo que a aboli\u00e7\u00e3o do ap\u00f3strofo est\u00e1 explicada nas op\u00e7\u00f5es est\u00e9ticas do movimento Litteragris.<\/li>\n<li><strong>d\u00e0marga<\/strong> \u2014 \u201cde\u201d + \u201camarga\u201d, elis\u00e3o justificada no manifesto do Movimento.<\/li>\n<li><strong>divinolhos<\/strong> \u2014 olhos divinos.<\/li>\n<li><strong>filhadaputar<\/strong> \u2014 prejudicar seriamente, castigar severamente.<\/li>\n<li><strong>florivol\u00fapia<\/strong> \u2014 uma forma de suavizar o uso do termo \u201cvol\u00fapia\u201d associando-o \u00e0 natureza.<\/li>\n<li><strong>kizombandando<\/strong> \u2014 andando como que dan\u00e7ando kizomba.<\/li>\n<li><strong>kwanzapitalista<\/strong> \u2014 kwanza, no sentido, n\u00e3o apenas de moeda de troca, mas de vetor do uma ordem econ\u00f3mica e financeira.<\/li>\n<li><strong>minh\u00c1frica<\/strong> \u2014 contra\u00e7\u00e3o de possessivo \u201cminha\u201d com o nome \u201c\u00c1frica\u201d, sem recurso ao uso do ap\u00f3strofo.<\/li>\n<li><strong>paroutras<\/strong> \u2014 contra\u00e7\u00e3o da preposi\u00e7\u00e3o \u201cpara\u201d com o pronome demonstrativo \u201coutras\u201d.<\/li>\n<li><strong>rosapinhos<\/strong> \u2014 espinhos de rosa.<\/li>\n<li><strong>sobralmofada<\/strong> \u2014 sobre a almofada.<\/li>\n<\/ul>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os significados aqui propostos s\u00e3o experimentais e resultantes de um mero rascunho de leitora, um exerc\u00edcio de dedu\u00e7\u00e3o, procurando desconstruir a teia s\u00f3lida de artif\u00edcios est\u00e9ticos e t\u00e9cnicos em que est\u00e3o ancorados os versos de H\u00e9lder Simbad. A grande maioria destes novos voc\u00e1bulos, \u00e9, como se observa, de compreens\u00e3o intuitiva, pelo que carecem de qualquer explica\u00e7\u00e3o mais aprofundada; n\u00e3o obstante, parece-me estimulante acompanhar a obra do autor na sua globalidade, bem como a do Movimento em que est\u00e1 inserido, com o intuito de perceber se os mesmos se consolidam na sua escrita ou se apenas surgem no espa\u00e7o desta obra. Na forma\u00e7\u00e3o destes contributos do \u201cagrispoeta\u201d, observamos sobretudo a jun\u00e7\u00e3o de v\u00e1rios termos de categorias gramaticais diversas, ou a convers\u00e3o de nomes em verbos, o que corresponderia ao processo normal de deriva\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Gostaria igualmente de destacar uma t\u00e9cnica astuciosa que s\u00f3 conhecia pela pluma original de Lopito Feij\u00f3, a de dividir palavras em outras duas ou mais, oferecendo leituras poliss\u00e9micas, e transformando o objeto plano em gravura, cheia de relevo e textura. \u00c9 um jogo de espelhos sedutor, feito de trocadilhos, se considerarmos que dentro de um poema podem morar outros tantos e que a desfragmenta\u00e7\u00e3o da palavra conduz o leitor a novas interpreta\u00e7\u00f5es e experi\u00eancias. Dir-se-ia que o recurso ao \u201cenjambement\u201d \u00e9 outra das t\u00e9cnicas que partilha com Lopito Feij\u00f3.<\/p>\n<p>\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t<img decoding=\"async\" width=\"940\" height=\"709\" src=\"https:\/\/heldersimbad.org\/wp-content\/uploads\/2024\/05\/art3-fc.png\" alt=\"art3-fc\" title=\"art3-fc\" \/>\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Registei os termos a seguir discriminados, alguns dos quais surgem mais do que uma vez na obra, e que s\u00e3o testemunho, a meu ver, de um manejo elegante e subtil da l\u00edngua, a ponto de extrair dela todo o seu potencial oculto, diria, at\u00e9 ao caro\u00e7o. Liberdade po\u00e9tica, usada com mestria, com um forte e duradouro efeito visual, bem patente em poemas como \u00abEssa Mulher\u00bb. [angel &amp; cal, assim dental, cama sutra, dis cursa, \u00e9 leito oral, eterna idade, f\u00e9 lina, ful minante mente, imoral idade, mil agres, mordi dela, vibra ac\u00e7\u00e3o].<\/p>\n<p>\u201c(\u2026) Essa mulher faz mil agres<br \/>tem uma l\u00edngua angel &amp; cal<br \/>antes do c\u00e9u da boca<br \/>todo o pecado \u00e9 manual<br \/>todo o pecado \u00e9 perdo\u00e1vel (\u2026)\u201d<\/p>\n<p>\u201c(\u2026) Essa mulher algema-me com os p\u00e9s<br \/>e dis cursa sua imoral idade<br \/>em meus ouvidos<br \/>palavra<br \/>mordi dela<br \/>e m\u00e3os de \u00e1guias (\u2026)\u201d<\/p>\n<h4>\u00abESSA MULHER\u00bb, p\u00e1g, 46<\/h4>\n<p style=\"text-align: justify;\">Por outro lado, apetece constituir um gloss\u00e1rio (n\u00e3o exaustivo) informal\u00a0<a href=\"https:\/\/artesecontextos.pt\/2018\/07\/enviesada-rosa-poesia-de-helder-simbad\/#_ftn1\">[1]<\/a>\u00a0como um auxiliar de leitura, em face dos numerosos empr\u00e9stimos de l\u00ednguas bantu grafados quase sempre de acordo\u00a0com as regras comummente aceites e estabilizadas ou em vias de consolida\u00e7\u00e3o. A sua presen\u00e7a n\u00e3o dificulta o entendimento global, que se deduz pelo contexto (at\u00e9 porque o autor tem o cuidado de apresentar paralelemente essas palavras em portugu\u00eas, em muitos casos); por\u00e9m, a compreens\u00e3o plena dos termos, nas suas v\u00e1rias ace\u00e7\u00f5es, quando existentes, torna os poemas mais pr\u00f3ximos dos leitores que n\u00e3o estejam t\u00e3o familiarizados com alguns deles. Essas men\u00e7\u00f5es\u00a0constituem tamb\u00e9m uma agrad\u00e1vel forma de embelezar o discurso ao atribuir-lhe uma personalidade pr\u00f3pria dentro da alma africana, e seduzem tanto quanto porventura surpreendem ou despertam o leitor para novos paladares.<\/p>\n<ul>\n<li><strong>Bakama(s)<\/strong> \u2013organiza\u00e7\u00e3o secreta que se enquadra numa esp\u00e9cie de religi\u00e3o tradicional dos cabindas.<\/li>\n<li><strong>Cokwe<\/strong> \u2013 etnia (e l\u00edngua) concentrada sobretudo no Leste de Angola. Os Cokwe destacam-se essencialmente pela sua tradi\u00e7\u00e3o art\u00edstica, nomeadamente m\u00e1scaras e esculturas.<\/li>\n<li><strong>Gajaja<\/strong> \u2013 fruto de sabor agridoce.<\/li>\n<li><strong>Ibinda<\/strong> \u2013 l\u00edngua vern\u00e1cula, veicular e liter\u00e1ria que identifica os naturais de Cabinda e que deriva do kikongo.<\/li>\n<li><strong>Jika<\/strong> \u2013 bairro de Cabinda.<\/li>\n<li><strong>Jinguenga<\/strong> \u2013 fruto liso e sedoso (vermelho escuro por fora e branco por dentro), do tamanho e forma aproximados de um kiwi.<\/li>\n<li><strong>Kazumbi<\/strong> \u2013 alma do outro mundo; esp\u00edrito.<\/li>\n<li><strong>Kianda<\/strong> \u2013 sereia.<\/li>\n<li><strong>Kintuene<\/strong>(i) \u2013 uma das dan\u00e7as tradicionais da prov\u00edncia de Cabinda.<\/li>\n<li><strong>Kissonde<\/strong> \u2013 formiga vermelha de cabe\u00e7a grande, conhecida pela sua picada muito dolorosa.<\/li>\n<li><strong>Koi-san<\/strong> \u2013 designa\u00e7\u00e3o que engloba dois grupos \u00e9tnicos (os San e os Khoikhoi), que vivem principalmente no deserto Kalahari, mas tamb\u00e9m no Botsuana e em Angola.<\/li>\n<li><strong>Kwanyama<\/strong> \u2013 l\u00edngua falada no sul de Angola e no norte da Nam\u00edbia. Os seus falantes pertencem ao grupo \u00e9tnico Kwanyama, um subgrupo do povo Ovambo.<\/li>\n<li><strong>Mandjenvo(u)<\/strong> \u2013 maruvo, vinho de palmeira.<\/li>\n<li><strong>Mucubais<\/strong> \u2013grupo \u00e9tnico semin\u00f3mada (subgrupo dos Herero) que se dedica sobretudo \u00e0 pastor\u00edcia, na prov\u00edncia do Namibe.<\/li>\n<li><strong>Mulemba<\/strong> \u2013 \u00e1rvore real angolana, que proporciona uma ampla sombra, onde se reuniam chefes e reis.<\/li>\n<li><strong>Mwana<\/strong> \u2013 filho(a), jovem.<\/li>\n<li><strong>Ondjango<\/strong> \u2013 casa de conversa, de reuni\u00e3o, de hospedagem, de entretenimento ou tomada de decis\u00f5es, enfim, lugar de encontro.<\/li>\n<li><strong>Samakaka<\/strong> \u2013 pano tradicional angolano.<\/li>\n<li><strong>Sanga<\/strong> \u2013 reservat\u00f3rio de \u00e1gua, que mant\u00e9m a frescura.<\/li>\n<li><strong>Tchikumbi<\/strong> \u2013 casa das tintas. Semelhante ao \u201cFiko\u201d, entre os Nyaneka Umbi. Rituais de inicia\u00e7\u00e3o aquando da puberdade das meninas.<\/li>\n<li><strong>Tchitundo-Hulu<\/strong> \u2013morro gran\u00edtico situado na prov\u00edncia do Namibe, conhecido pela esta\u00e7\u00e3o arqueol\u00f3gica de mesmo nome.<\/li>\n<li>\u00a0<\/li>\n<\/ul>\n<p style=\"text-align: justify;\">Enfim, cremos encontrar nestas p\u00e1ginas algumas marcas de romantismo, apesar de o poeta se perfilar com a corrente surrealista, bem como os signat\u00e1rios da Litteragris.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Queria ainda referir que a men\u00e7\u00e3o de autores como Sartre e T. S. Eliot ou a novela Nga Mut\u00fari, de Alfredo Troni, subentende uma clara rela\u00e7\u00e3o de Enviesada Rosa com a literatura universal e com outros espa\u00e7os geogr\u00e1fico-temporais: a linguagem po\u00e9tica e a express\u00e3o liter\u00e1ria dos sentimentos como o amor e o desejo n\u00e3o est\u00e3o circunscritos a nenhuma comunidade lingu\u00edstica (nem a uma qualquer gera\u00e7\u00e3o), ao contr\u00e1rio, oferecem-se a um vasto p\u00fablico, pois as fronteiras da palavra s\u00e3o bem mais flex\u00edveis do que as demarca\u00e7\u00f5es administrativas, pol\u00edticas ou culturais.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A prop\u00f3sito de outros horizontes, apraz-me, de igual modo, constatar que o simbolismo de Pas\u00e1rgada, um tema muito caro a um grande n\u00famero de autores, n\u00e3o foi esquecido nesta obra; contudo, contrariamente a Manuel Bandeira, que consagrava o local como um lugar idealizado, H\u00e9lder Simbad afirma, nos versos finais de \u00abPatri\u00f3tico Orgasmo\u00bb (p\u00e1g. 56):<\/p>\n<p>\u201c(\u2026) n\u00e3o parto para Pas\u00e1rgada<br \/>a terra \u00e9 esta<br \/>n\u00e3o sou amigo de rei<br \/>aqui sofro aqui rio<br \/>aqui rio de loucos afluentes (\u2026)\u201d<\/p>\n<h4>\u00a0<\/h4>\n<p style=\"text-align: justify;\">A biografia do autor est\u00e1 dispon\u00edvel na badana do livro, que se anexa ao presente texto. Resumidamente, H\u00e9lder Simbad \u00e9 um poeta, prosador e cr\u00edtico liter\u00e1rio, professor de literatura africana e cofundador do Movimento Litteragris. Este assume-se como uma agremia\u00e7\u00e3o art\u00edstico-liter\u00e1ria que inclui no seu campo de a\u00e7\u00e3o aulas de Literatura e L\u00edngua Portuguesa. Trata-se de jovens autores que se uniram em torno de uma po\u00e9tica comum baseada na fus\u00e3o de correntes liter\u00e1rias angolanas com o surrealismo e o seu manifesto, edi\u00e7\u00f5es, percurso, bem como o discurso program\u00e1tico, podem ser consultados atrav\u00e9s da liga\u00e7\u00e3o abaixo:<\/p>\n<p>https:\/\/www.facebook.com\/pages\/biz\/book\/Movimento-Litteragris-531821356866782\u00a0<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">(Recomenda-se ainda, acessoriamente, a leitura de um artigo de opini\u00e3o assinado pelo escritor e jornalista angolano Isaquiel Cori, com data de 2016, no qual destaca o lan\u00e7amento da revista editada por este grupo de autores).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Para terminar, permito-me citar a autora do pref\u00e1cio, C\u00edntia Gon\u00e7alves Andr\u00e9 (tamb\u00e9m ela integrante deste movimento liter\u00e1rio), que, numa an\u00e1lise muito abrangente, afirma o seguinte:<\/p>\n<p>\u201c(\u2026) Este livro tem uma abordagem, atenta e exaustiva, rica em pormenores interpretativos da l\u00edbido. \u00c9 poesia em tudo, inconformista \u00e0 norma, subjuntiva a uma curiosa substantiva\u00e7\u00e3o conceptual, gr\u00e1fica, intimista, e, no entanto, plural, una \u00e0 tem\u00e1tica, omnipresente a liquidez do sentido e do sentir. Em ch\u00e3o de mar, em voo de gaivota, em proximidade \u00e0 realidade circundante, \u00e9 uma obra desordeira, pr\u00f3xima \u00e0 lente que capta a imagem da mulher e a eterniza. Um olhar dissecante e docemente acutilante sobre as africanas que t\u00eam a alma \u00e0 flor da emo\u00e7\u00e3o (\u2026)\u201d.<\/p>\n<p>E termina assim:<\/p>\n<p>https:\/\/artesecontextos.pt\/2018\/07\/enviesada-rosa-poesia-de-helder-simbad\/<\/p>\n<h6><a name=\"_ftn1\"><\/a><a href=\"https:\/\/artesecontextos.pt\/2018\/07\/enviesada-rosa-poesia-de-helder-simbad\/#_ftnref1\">[1]<\/a>\u00a0<strong>Gloss\u00e1rio<\/strong>: (A maior parte dos termos prov\u00e9m das v\u00e1rias l\u00ednguas nacionais de Angola. Procura-se aqui desvendar a ace\u00e7\u00e3o mais pr\u00f3xima, no \u00e2mbito desta obra, numa interpreta\u00e7\u00e3o pessoal e sem qualquer car\u00e1cter vinculativo. Salvo exce\u00e7\u00f5es, excluem-se refer\u00eancias geogr\u00e1ficas como rios, locais tur\u00edsticos, florestas, etc.).<\/h6>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Esta \u00e9 uma aprecia\u00e7\u00e3o informal e emp\u00edrica, pelo que as afirma\u00e7\u00f5es aqui expostas e as reflex\u00f5es feitas s\u00e3o de car\u00e1cter livre e fundamentadas apenas na intui\u00e7\u00e3o da leitora.<br \/>\nQualquer semelhan\u00e7a com uma resenha ou uma cr\u00edtica liter\u00e1ria, no sentido acad\u00e9mico do conceito, \u00e9 mera coincid\u00eancia.<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[161],"tags":[166],"ppma_author":[174],"class_list":["post-11765","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-fortuna-critica","tag-fc-textos-e-links"],"aioseo_notices":[],"authors":[{"term_id":174,"user_id":2,"is_guest":0,"slug":"simbad","display_name":"H\u00e9lder Simbad","avatar_url":{"url":"https:\/\/akweno.ao\/helder2\/wp-content\/uploads\/2024\/02\/autor_hsimbad-n-1.png","url2x":"https:\/\/akweno.ao\/helder2\/wp-content\/uploads\/2024\/02\/autor_hsimbad-n-1.png"},"author_category":"1","first_name":"H\u00e9lder","last_name":"Simbad","user_url":"","job_title":"","description":""}],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/akweno.ao\/helder2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11765","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/akweno.ao\/helder2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/akweno.ao\/helder2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/akweno.ao\/helder2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/akweno.ao\/helder2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=11765"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/akweno.ao\/helder2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11765\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":13049,"href":"https:\/\/akweno.ao\/helder2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11765\/revisions\/13049"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/akweno.ao\/helder2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=11765"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/akweno.ao\/helder2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=11765"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/akweno.ao\/helder2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=11765"},{"taxonomy":"author","embeddable":true,"href":"https:\/\/akweno.ao\/helder2\/wp-json\/wp\/v2\/ppma_author?post=11765"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}