{"id":11690,"date":"2024-02-23T06:04:17","date_gmt":"2024-02-23T06:04:17","guid":{"rendered":"https:\/\/heldersimbad.org\/?p=11690"},"modified":"2025-04-27T15:43:09","modified_gmt":"2025-04-27T15:43:09","slug":"a-poetica-dos-encontros-sensitivos-e-cromaticos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/akweno.ao\/helder2\/2024\/02\/23\/a-poetica-dos-encontros-sensitivos-e-cromaticos\/","title":{"rendered":"A Po\u00e9tica Dos Encontros Sensitivos E Crom\u00e1ticos"},"content":{"rendered":"\t\t<div data-elementor-type=\"wp-post\" data-elementor-id=\"11690\" class=\"elementor elementor-11690\">\n\t\t\t\t<div class=\"elementor-element elementor-element-176c206e e-flex e-con-boxed e-con e-parent\" data-id=\"176c206e\" data-element_type=\"container\">\n\t\t\t\t\t<div class=\"e-con-inner\">\n\t\t\t\t<div class=\"elementor-element elementor-element-69e84bf6 elementor-widget elementor-widget-text-editor\" data-id=\"69e84bf6\" data-element_type=\"widget\" data-widget_type=\"text-editor.default\">\n\t\t\t\t<div class=\"elementor-widget-container\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\n<p>Assim design\u00e1mos este texto cr\u00edtico porque \u00e9 exactamente isto que acontece na <strong>Exposi\u00e7\u00e3o Colectiva Detalhes da Emo\u00e7\u00e3o: <\/strong>Sentimentos, estilos e cores cruzam-se atrav\u00e9s da arte espelhada e espalhada nos quadros, por via de diversos procedimentos art\u00edsticos, como se poder\u00e1 vislumbrar na descri\u00e7\u00e3o de cada um deles. Com efeito, \u00e9 preciso esclarecer que n\u00e3o estamos em face de uma exposi\u00e7\u00e3o para se averiguar quem melhor exercita o seu talento. Em face disso, em termos de qualidade, pregamos um relativo princ\u00edpio de homogeneidade, em que s\u00f3 aqueles que usarem da lupa, chegar\u00e3o aos \u00e2magos dos artistas para puderem ver para al\u00e9m do \u00f3bvio e assim fazerem infer\u00eancias. Trata-se de uma exposi\u00e7\u00e3o colectiva que coloca <strong>Adilson Vieira, Jardel Selele,<\/strong><strong> Marqu\u00eas e Yssolo<\/strong> num quarteto m\u00e1gico que, mais do que colocarem aos nossos olhos obras de arte, pretendem fazer passar pormenorizadamente uma mensagem, manifestos e tratados filos\u00f3ficos sobre a emo\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n<p>\u00a0A exposi\u00e7\u00e3o, apresentada no dia 21 de Fevereiro de 2024 na Funda\u00e7\u00e3o Arte e Cultura, quer-se revelar igualmente como a amostra da diversidade da arte contempor\u00e2nea produzida em Angola e express\u00e3o da singularidade de quatro artistas que, embora dentro de um quadro tem\u00e1tico pr\u00e9-determinado, s\u00e3o heterog\u00e9neos na abordagem art\u00edstica e nos dizem de poesia atrav\u00e9s do impl\u00edcito em suas telas. Cada um deles procura ser o mais <em>sui generis<\/em> no que faz. Em virtude disso, vamos, autonomamente, a cada um deles, conforme as suas telas se nos revelam: <strong>Jardel Selele<\/strong>, em \u201cEngra\u00e7ado\u201d, concretiza a sua arte por via da impress\u00e3o da fotografia de um sorriso em que o real e o imag\u00e9tico, inspirado em anima\u00e7\u00f5es, se entrecruzam num choque t\u00e9rmico e crom\u00e1tico com pinceladas multicolor como forma de afloramento de uma felicidade com ra\u00edzes t\u00e9tricas, por conta do fundo negro, usando a t\u00e9cnica acr\u00edlica com veludo. Esta tese da felicidade t\u00e9trica \u00e9 refor\u00e7ada em \u201cSorriso de ouro\u201d, vislumbrando-se a mesma paisagem negra, chamando-nos a aten\u00e7\u00e3o o olhar do menino que est\u00e1 \u00e0 frente, cujo abra\u00e7o fraterno parece despertar sentimentos de alegria, ap\u00f3s um t\u00e9trico momento. Quando a alegria \u00e9 revelada, pelas cores vivas, na sua natureza ontol\u00f3gica, na sua forma mais genu\u00edna, Jardel n\u00e3o pode intitular a pe\u00e7a. \u201cSem T\u00edtulo\u201d \u00e9 a express\u00e3o ut\u00f3pica da alegria e as cores est\u00e3o certas como na pe\u00e7a a qual designa por \u201cO medo\u201d, um acerto total de cores, com uma personagem que cobre o rosto com as duas m\u00e3os, juntamente com a cabe\u00e7a envolvidas num ambiente crom\u00e1tico que parece querer escrever, entre outras, as palavras inglesas Hell (inferno) ou Heel(salto), todas elas apontando para o \u201cmedo\u201d.<\/p>\n\n<figure class=\"wp-block-gallery has-nested-images columns-default is-cropped wp-block-gallery-5 is-layout-flex wp-block-gallery-is-layout-flex\">\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img decoding=\"async\" data-id=\"11693\" class=\"wp-image-11693\" src=\"https:\/\/heldersimbad.org\/wp-content\/uploads\/2024\/02\/2.jpg\" alt=\"\" \/><\/figure>\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img decoding=\"async\" data-id=\"11692\" class=\"wp-image-11692\" src=\"https:\/\/heldersimbad.org\/wp-content\/uploads\/2024\/02\/3.jpg\" alt=\"\" \/><\/figure>\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img decoding=\"async\" data-id=\"11694\" class=\"wp-image-11694\" src=\"https:\/\/heldersimbad.org\/wp-content\/uploads\/2024\/02\/4.jpg\" alt=\"\" \/><\/figure>\n<\/figure>\n\n<p><strong>Serafim Yssolo<\/strong>, por via da nota biogr\u00e1fica a que tivemos acesso, declara que o seu processo de cria\u00e7\u00e3o art\u00edstica busca um estilo distinto, baseando-se na apropria\u00e7\u00e3o das imagens criadas por si, atrav\u00e9s de diversos modelos fotogr\u00e1ficos, sendo a mulher o foco do mesmo. As suas pe\u00e7as fazem jus ao seu dito. A mulher negra, nas suas m\u00faltiplas express\u00f5es, constituem os seus motivos filos\u00f3ficos de pincelagem. Parece-me tratar-se de um artista com pretens\u00f5es negritudinista. Suas pe\u00e7as, com excep\u00e7\u00e3o de \u201cAl\u00e9m da interpretation\u201d, configuram uma express\u00e3o de firmeza e seriedade da mulher angolana de matriz bantu, dentro do contexto actual. H\u00e1 muito engenho art\u00edstico em Yssolo. Parece-me ser algu\u00e9m que n\u00e3o duvida da sua arte, sendo produtor daqueles quadro que nos obriga a parar e a nos preocuparmos com o menos not\u00e1vel e se nos oferecesse-mos a uma interpreta\u00e7\u00e3o mais completa, seriam p\u00e1ginas sobre p\u00e1ginas.<\/p>\n\n<figure class=\"wp-block-gallery has-nested-images columns-default is-cropped wp-block-gallery-6 is-layout-flex wp-block-gallery-is-layout-flex\">\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img decoding=\"async\" data-id=\"11697\" class=\"wp-image-11697\" src=\"https:\/\/heldersimbad.org\/wp-content\/uploads\/2024\/02\/5.jpg\" alt=\"\" \/><\/figure>\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img decoding=\"async\" data-id=\"11698\" class=\"wp-image-11698\" src=\"https:\/\/heldersimbad.org\/wp-content\/uploads\/2024\/02\/6.jpg\" alt=\"\" \/><\/figure>\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img decoding=\"async\" data-id=\"11699\" class=\"wp-image-11699\" src=\"https:\/\/heldersimbad.org\/wp-content\/uploads\/2024\/02\/7.jpg\" alt=\"\" \/><\/figure>\n<\/figure>\n\n<p><strong>Marques <\/strong>entra nesta colec\u00e7\u00e3o ou exposi\u00e7\u00e3o colectiva com um conjunto de quatro quadros bastantes interessantes. Com uma t\u00e9cnica \u00edmpar que promove a invisibilidade facial. O humano moderno atravessado pelo mundo natural, de onde se refugia, para n\u00e3o aclarar as verdadeiras emo\u00e7\u00f5es. Na pe\u00e7a designada \u201cColec\u00e7\u00e3o Lugar Vazio, pe\u00e7a n\u00famero 2\u201d \u00e9 not\u00e1vel a simbiose entre as cores dos p\u00e1ssaros e com as cores que estruturam os elementos da cultura humana, len\u00e7o e cadeira, assim como aproxima\u00e7\u00e3o crom\u00e1tica entre o vestido e a folhagem. O que surpreende em Marques \u00e9 a capacidade de nivelar o abstracto, construindo sentidos enigm\u00e1ticos sem, portanto, ultrapassar o tecto do enigma. Talvez aqui resida o pressuposto existencialista advogado pelo artista.<\/p>\n\n<figure class=\"wp-block-gallery has-nested-images columns-default is-cropped wp-block-gallery-7 is-layout-flex wp-block-gallery-is-layout-flex\">\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img decoding=\"async\" data-id=\"11702\" class=\"wp-image-11702\" src=\"https:\/\/heldersimbad.org\/wp-content\/uploads\/2024\/02\/9.jpg\" alt=\"\" \/><\/figure>\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img decoding=\"async\" data-id=\"11703\" class=\"wp-image-11703\" src=\"https:\/\/heldersimbad.org\/wp-content\/uploads\/2024\/02\/10.jpg\" alt=\"\" \/><\/figure>\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img decoding=\"async\" data-id=\"11701\" class=\"wp-image-11701\" src=\"https:\/\/heldersimbad.org\/wp-content\/uploads\/2024\/02\/11.jpg\" alt=\"\" \/><\/figure>\n<\/figure>\n\n<p>Em <strong>Adilson Vieira<\/strong>, est\u00e1 a salvaguarda de um patrim\u00f3nio ancestral milenar. Os resqu\u00edcios do nosso passado, ainda imaculado, apesar do que os tecidos dos trajes nos podem sugerir. Tal como retratado em sua nota biogr\u00e1fica, consegue capturar a ess\u00eancia de cada retracto. A express\u00e3o do olhar e toda compostura do rosto em \u201cf\u00e9\u201d capta a n\u00e3o total firmeza humana em mat\u00e9ria de cren\u00e7a, resplandecida num rosto cuja beleza sobressai, lembrando-nos de algu\u00e9m totalmente terrena. \u00c9 como se conhec\u00eassemos a mulher do quadro. Em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 pe\u00e7a \u201cDetermina\u00e7\u00e3o\u201d, vamos compreend\u00ea-la como uma met\u00e1fora sobre conserva\u00e7\u00e3o cultural, pois, a express\u00e3o corporal, do nosso ponto de vista, parece uma ant\u00edtese do pretensioso t\u00edtulo e, por tr\u00e1s do \u201cSorriso Inocente\u201d \u00e9 not\u00e1vel a presen\u00e7a de alguma nostalgia, residindo a\u00ed, assim como em outras pe\u00e7as, os detalhes das emo\u00e7\u00f5es, entendendo-se assim que os sentimentos constituem um misto de sensa\u00e7\u00f5es.<\/p>\n\n<figure class=\"wp-block-gallery has-nested-images columns-default is-cropped wp-block-gallery-8 is-layout-flex wp-block-gallery-is-layout-flex\">\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img decoding=\"async\" data-id=\"11705\" class=\"wp-image-11705\" src=\"https:\/\/heldersimbad.org\/wp-content\/uploads\/2024\/02\/13.jpg\" alt=\"\" \/><\/figure>\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img decoding=\"async\" data-id=\"11706\" class=\"wp-image-11706\" src=\"https:\/\/heldersimbad.org\/wp-content\/uploads\/2024\/02\/14.jpg\" alt=\"\" \/><\/figure>\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img decoding=\"async\" data-id=\"11707\" class=\"wp-image-11707\" src=\"https:\/\/heldersimbad.org\/wp-content\/uploads\/2024\/02\/15.jpg\" alt=\"\" \/><\/figure>\n<\/figure>\n\t\t\t\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>a amostra da diversidade da arte contempor\u00e2nea produzida em Angola e express\u00e3o da singularidade de quatro artistas que, embora dentro de um quadro tem\u00e1tico pr\u00e9-determinado, s\u00e3o heterog\u00e9neos na abordagem art\u00edstica e nos dizem de poesia atrav\u00e9s do impl\u00edcito em suas telas.<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":11712,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[163],"tags":[167],"ppma_author":[174],"class_list":["post-11690","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-tambem-e-filosofia","tag-tambem-e-filosofia"],"aioseo_notices":[],"authors":[{"term_id":174,"user_id":2,"is_guest":0,"slug":"simbad","display_name":"H\u00e9lder Simbad","avatar_url":{"url":"https:\/\/akweno.ao\/helder2\/wp-content\/uploads\/2024\/02\/autor_hsimbad-n-1.png","url2x":"https:\/\/akweno.ao\/helder2\/wp-content\/uploads\/2024\/02\/autor_hsimbad-n-1.png"},"author_category":"1","first_name":"H\u00e9lder","last_name":"Simbad","user_url":"","job_title":"","description":""}],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/akweno.ao\/helder2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11690","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/akweno.ao\/helder2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/akweno.ao\/helder2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/akweno.ao\/helder2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/akweno.ao\/helder2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=11690"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/akweno.ao\/helder2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11690\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":13052,"href":"https:\/\/akweno.ao\/helder2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11690\/revisions\/13052"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/akweno.ao\/helder2\/wp-json\/wp\/v2\/media\/11712"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/akweno.ao\/helder2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=11690"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/akweno.ao\/helder2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=11690"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/akweno.ao\/helder2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=11690"},{"taxonomy":"author","embeddable":true,"href":"https:\/\/akweno.ao\/helder2\/wp-json\/wp\/v2\/ppma_author?post=11690"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}